Portuguese Constitutional Court dismisses request for clarification as civil procedure law removed this remedy.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court rejected a request for clarification of a prior judgment, noting that the relevant civil procedure law reform abolished this specific remedy. The applicant argued for clarification based on the old legal framework, but the court emphasized that current law only permits such requests when decisions are unintelligible, which requires a separate nullity claim. Consequently, the court held that the applicant lacked the legal prerogative to seek clarification under the new statutory regime.
Legislator headnote
AI generatedLei n.º 41/2013, de 26 de junho; Código de Processo Civil: The abolition of the right to request clarification of judicial decisions means such requests are inadmissible unless the decision is unintelligible, requiring a distinct nullity action.
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ACÓRDÃO Nº 803/2024
Processo n.º 585/24
2.ª Secção
Relator: Conselheiro António José da Ascensão Ramos
Acordam, em Conferência, na 2.ª Secção do Tribunal Constitucional
*
A., depois de decidida reclamação para a conferência por ele apresentada da decisão singular que rejeitou o recurso interposto, vem agora apresentar nova peça processual em que “vem muito respeitosamente requerer a aclaração”, do aresto que negou mérito ao sobredito incidente.
Ora, com a entrada em vigor da Lei n.º 41/2013, de 26 de junho, foi revogado o disposto no artigo 669.º, n.º 1, alínea a), do Código de Processo Civil, que conferia aos sujeitos processuais a faculdade de pedir a aclaração de decisões quando existisse prejuízo à sua melhor compreensão e apreensibilidade. A reforma da Lei processual civil afastou este mecanismo e, ao tempo presente, ambiguidades ou obscuridades de decisão jurisdicional apenas importam caso conduzam à sua ininteligibilidade, caso catalogado como vício de nulidade (artigo 615.º, n.º 1, alínea c), in fine, do CPC atual), o que depende de reclamação oportuna (cfr. artigo 149.º, n.º 1, do CPC) e não está em causa.
Serve por dizer, a Lei processual não confere ao recorrente a prerrogativa que exerceu pelo requerimento que antecede, vício de inadmissibilidade jurídico-processual passível de ser conhecido pelo relator por não contender com o mérito da causa (cfr. artigo 78.º-B, n.º 1, da LTC) e que impõe a rejeição do requerido (v. Acórdãos do TC n.ºs 318/2018, 240/2022, 538/2022 e 674/2022 e, também, Acórdãos do Supremo Tribunal de Justiça de 25 de novembro de 2020 no Proc. 3283/18.6T8MTS.P1-A.S1 e de 23 de fevereiro de 2022 no Proc. 10693/14.6T8LSB.L1-8).
Nestes termos e com estes fundamentos, indefere-se o pedido de aclaração formulado.
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O Acórdão em conferência mostra-se transitado em julgado e não existem outros atos a praticar.
Baixem os autos ao Tribunal recorrido.
Lisboa, 7 de novembro de 2024 - António José da Ascensão Ramos - Mariana Canotilho - Gonçalo Almeida Ribeiro