Legislator Case Law & Legislation
724/10 AI generated

Portuguese Constitutional Court allows retroactive application of more favorable drug trafficking law via procedural reopening.

Case Number 724/10
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Constitutional Court granted the mandatory appeal against a lower court's refusal to apply a more favorable drug trafficking law retroactively. The lower judge had declared Article 371-A of the Criminal Procedure Code unconstitutional, but the Court rejected this claim by reiterating established precedent. Consequently, the Court ordered the lower court to reopen the hearing to apply the new, more lenient legislation.

Legislator headnote

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Art. 371-A do Código de Processo Penal; Art. 111.º, n.º 1 da Constituição: The Constitutional Court reaffirms that Article 371-A is not unconstitutional, permitting the reopening of proceedings to apply a newer penal law that increases the maximum penalty limit for the purpose of suspending execution.

Keywords

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retroactive application more favorable law drug trafficking procedural reopening constitutional review suspension of sentence Criminal Procedure Code

Cited Legislation

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Art. 371-A do Código de Processo Penal
Art. 111.º, n.º 1 da Constituição
Art. 205.º, n.º 2 da Constituição
Art. 282.º, n.º 3 da Constituição
Lei n.º 28/82 de 15 de Novembro (Lei do Tribunal Constitucional)
Decreto-Lei 15/93, de 22-01
c), do Decreto-Lei 15/93, de 22-01, como reincidente, nos termos dos artigos 26.º, 75.º e 76.º, todos do Código Penal, em 9 anos de prisão.

Cited Case Law

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Full text

ACÓRDÃO N

ACÓRDÃO N.º 489/2011

Processo n.º 724/10

1.ª Secção

Relator: Conselheiro José Borges Soeiro

(Conselheiro Pamplona de Oliveira)

Acordam, na 1.ª Secção do Tribunal Constitucional:

I – Relatório

1. A., foi condenado na Vara Mista do Tribunal de Coimbra como autor de um crime de tráfico de produtos estupefacientes, agravado, p. e p. pelos artigos 21.º, n.º 1 e 24.º, al. c), do Decreto-Lei 15/93, de 22-01, como reincidente, nos termos dos artigos 26.º, 75.º e 76.º, todos do Código Penal, em 9 anos de prisão.

Inconformado, veio o (aqui) recorrido solicitar a reabertura da audiência, para aplicação retroactiva da lei mais favorável, ao abrigo do artigo 371.º-A do Código de Processo Penal.

Por despacho, a MM.ª Juiz do Tribunal de Coimbra decidiu não aplicar ao caso concreto a norma invocada, por a considerar inconstitucional.

2. É desta decisão que o Ministério Público interpõe recurso obrigatório para o Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto nos artigos 70.º, n.º 1, alínea a) e 72.º, n.ºs 1, alínea a) e 3 da Lei n.º 28/82 de 15 de Novembro (Lei do Tribunal Constitucional – LTC), “do despacho que recusou a aplicação, por inconstitucional, da norma do artigo 371-A do Código de Processo Penal ‘por violação da protecção constitucional de uma dimensão objectiva do caso julgado penal (artigos 111.º, n.º 1, 205.º, n.º 2 e 282.º, n.º 3, primeira parte da Constituição’).”

3. O recurso foi admitido. Já no Tribunal Constitucional as partes foram convidadas a alegar. Na sua alegação, o Ministério Público recorrente louva-se na jurisprudência do Tribunal, invocando que situação idêntica foi já tratada nos Acórdãos n.ºs 164/2008, 265/2008 e 201/2010, que não julgaram inconstitucional a norma constante do artigo 371º-A do Código de Processo Penal.

4. O Recorrido não contra-alegou, cumprindo apreciar e decidir.

II – Fundamentação

5. Sobre a concreta questão de constitucionalidade que se perfila nos autos, foram proferidos, entre outros, os já citados Acórdãos n.º 164/2008, 265/2008 e 201/2010, todos disponíveis em www.tribunalconstitucional.pt, e nos quais foi decidido não julgar inconstitucional a norma constante do artigo 371.º-A do Código de Processo Penal, na redacção aditada pela Lei n.º 48/2007 de 29 de Agosto, quando interpretada no sentido de permitir a reabertura de audiência para aplicação de nova lei penal que aumenta o limite máximo da pena concreta a considerar, para efeitos de suspensão de execução de pena privativa da liberdade;

É esta a jurisprudência que cumpre agora reiterar, para ela se remetendo inteiramente.

III – Decisão

6. Assim, acordam, conceder provimento ao recurso e, em consequência, ordenar a reforma da decisão recorrida em conformidade com o decidido quanto à questão de constitucionalidade.

Sem custas.

Lisboa, 24 de Outubro de 2011.- José Borges Soeiro – Gil Galvão – Maria João Antunes (vencida nos termos da declaração aposta ao Acórdão n.º 201/2010). – Carlos Pamplona de Oliveira – vencido nos termos da declaração de voto anexa ao Acórdão n.º 201/10. – Rui Manuel Moura Ramos.