Constitutional Court confirms unconstitutionality of mandatory pension remittance for partial permanent disabilities over 30%.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court confirmed the unconstitutionality of a decree-law provision mandating the mandatory remittance of pensions for partial permanent disabilities exceeding 30%. The Ministry of Public Prosecution argued this violated the constitutional principle of fair compensation for labor accidents by ignoring the victim's will. The Court ruled that the mandatory remittance infringes upon the right to fair reparation and the principle of equality, thereby upholding the previous decision of unconstitutionality.
Legislator headnote
AI generatedArt. 70.º n.º 1, alínea a), da Lei do Tribunal Constitucional; Art. 59.º n.º 1, alínea f), da Constituição da República Portuguesa: The mandatory remittance of pensions for partial permanent disabilities exceeding 30% violates the constitutional principle of fair compensation for labor accidents and the principle of equality.
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Acórdão 493/06
ACÓRDÃO N.º 493/2006
Processo nº 184/2006
2ª Secção
Relatora: Conselheira Maria Fernanda Palma
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional
I
Relatório
1. Nos presentes autos de fiscalização concreta da constitucionalidade, vindos do Tribunal do Trabalho de Bragança, em que figura como recorrente o Ministério Público e como recorrida A., é submetida à apreciação do Tribunal Constitucional, ao abrigo do artigo 70º, nº 1, alínea a), da Lei do Tribunal Constitucional, a norma do artigo 56º, nº 1, alínea a), do Decreto-Lei nº 143/99, de 30 de Abril, “quando interpretada no sentido de impor a remição obrigatória total, isto é, independentemente da vontade do titular, de pensões atribuídas por incapacidades parciais permanentes superiores a 30% ou por morte”.
O recorrente apresentou alegações junto do Tribunal Constitucional que concluiu do seguinte modo:
1 – Face à firme corrente jurisprudencial, formada na esteira do decidido no acórdão n° 56/05, não se conforma com o princípio constitucional da justa reparação dos danos emergentes de acidentes laborais, estabelecido no artigo 59°, n° 1, alínea f) da Constituição da República Portuguesa o regime que se traduz em impor ao trabalhador/sinistrado ou, no caso de morte, ao familiar/beneficiário – contra a sua vontade, tida por tacitamente manifestada no processo – a obrigatória remição das pensões vitalícias que – independentemente do seu montante pecuniário – visam compensar graus elevados – superiores a 30% – de incapacidade laboral.
2 – Tal entendimento tanto se justifica quanto às pensões fixadas anteriormente à vigência do Decreto-Lei n° 143/99 (previstas no artigo 74º), como às pensões decorrentes de acidentes já ocorridos após vigorar este diploma legal, cuja remição obrigatória está prevista e regulada no artigo 56°.
3 – Não viola o princípio da igualdade a circunstância de – em consequência da remição da pensão – certos trabalhadores ou beneficiários receberem um capital indemnizatório, que passam a administrar livremente, enquanto os restantes continuam a receber uma indemnização expressa em pensão ou renda vitalícia, não objecto de remição.
4 – Porém, a norma constante do artigo 56°, n° 1, alínea a) do Decreto‑Lei n° 143/99, ao impor, independentemente da vontade do trabalhador ou beneficiário, a remição obrigatória total de pensões atribuídas por incapacidades parciais permanentes superiores a 30%, ou por morte do sinistrado, ofende o princípio constitucional da justa reparação de danos causados por acidentes laborais.
5 – Termos em que deverá confirmar-se o juízo de inconstitucionalidade constante da decisão recorrida.
Cumpre apreciar.
2. O Tribunal Constitucional já apreciou a questão de constitucionalidade que constitui objecto dos presentes autos. Com efeito, no Acórdão nº 457/2006, de 18 de Julho (www.tribunalconstitucional.pt), o Tribunal Constitucional decidiu julgar inconstitucional a norma agora questionada.
Não suscitando os presentes autos qualquer questão nova que deva ser apreciada, remete‑se para a fundamentação do Acórdão nº 457/2006,concluindo‑se pela inconstitucionalidade da norma desaplicada.
3. Em face do exposto, o Tribunal Constitucional decide confirmar o juízo de inconstitucionalidade constante da decisão recorrida.
Lisboa, 20 de Setembro de 2006
Maria Fernanda Palma
Paulo Mota Pinto
Benjamim Rodrigues
Mário José de Araújo Torres
Rui Manuel Moura Ramos