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778/05 AI generated

Constitutional Court dismisses election campaign interference appeal as elections have already occurred.

Case Number 778/05
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court refused to examine appeals challenging an election commission's order to remove campaign posters. The underlying dispute involved allegations that a municipal president improperly intervened in local elections by displaying his former office title on campaign materials. The court determined that reviewing the legality of past election conduct was unnecessary because the municipal elections had already taken place on September 9, 2005.

Legislator headnote

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Art. 102-B, n.º 5 LTC; Art. 24.1, n.º 1 Constitution: The Constitutional Court lacks jurisdiction to review the constitutionality of acts or omissions occurring after the election date, as such review would be useless.

Keywords

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election campaign interference municipal elections constitutional jurisdiction usefulness of decision post-election review

Cited Legislation

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Art. 102-B, n.º 5 LTC
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Full text

Acórdão 523/05

ACÓRDÃO N.º 523/2005

Processo n.º 778/05

Plenário

Relatora: Conselheira Maria João Antunes

Acordam, em plenário, no Tribunal Constitucional

1. Em 20 de Setembro de 2005, a mandatária da coligação “Juntos pelo Sobral”, concorrente às eleições autárquicas de 9 de Outubro de 2005 no município de Sobral de Monte Agraço, requereu à Comissão Nacional de Eleições que se pronunciasse no sentido de a “Coligação Democrática Unitária remover os cartazes que fazem claramente o apelo ao voto, com as demais consequências legais” e sobre “eventual ilícito criminal, nomeadamente abuso de poder por parte do Senhor Presidente da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço”.

2. Em 4 de Outubro de 2005, a Comissão Nacional de Eleições ordenou a imediata remoção da propaganda do candidato da CDU que contivesse referências à sua qualidade de Presidente da Câmara Municipal.

3. Notificados desta deliberação, António Lopes Bogalho, Presidente da Câmara de Sobral de Monte Agraço, e a CDU, Coligação Democrática Unitária, interpuseram recurso para o Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto no artigo 102.º-B, da Lei de Organização, Funcionamento e Processo do Tribunal Constitucional (LTC).

4. Com data de 7 de Outubro de 2005, a Comissão Nacional de Eleições remeteu os recursos a este Tribunal, tendo aqui dado entrada no dia 11 do mesmo mês e ano.

5. A deliberação da Comissão Nacional de Eleições, de 4 de Outubro de 2005, aprovou parecer jurídico, junto aos autos (fls. 12 a 21), que se pronunciou no sentido de, no caso em apreço, ter sido violado o artigo 41.º (Neutralidade e imparcialidade das entidades públicas) da Lei Orgânica n.º 1/2001, de 14 de Agosto.

Estando em causa uma disposição legal que proíbe, designadamente aos órgãos das autarquias locais, bem como, nessa qualidade, aos respectivos titulares, a intervenção directa ou indirecta na campanha eleitoral e a prática de actos que favoreçam ou prejudiquem uma candidatura ou uma entidade proponente em detrimento ou vantagem de outra, é manifesto que o conhecimento do presente recurso seria inútil, face à realização, no passado dia 9, das eleições autárquicas. E não se diga que a decisão em sede de responsabilidade criminal estaria dependente de um juízo do Tribunal Constitucional.

Note-se, ainda, que ao critério da utilidade da decisão faz expressa referência o n.º 5 do artigo 102.º-B da LTC, preceito ao abrigo do qual foram interpostos os presentes recursos.

6. Pelo exposto, decide-se não tomar conhecimento dos recursos.

Lisboa, 12 de Outubro de 2005

Maria João Antunes

Maria Fernanda Palma

Mário José de Araújo Torres

Vítor Gomes

Benjamim Rodrigues

Rui Manuel Moura Ramos

Gil Galvão

Bravo Serra

Maria dos Prazeres Pizarro Beleza

Maria Helena Brito

Paulo Mota Pinto

Carlos Pamplona de Oliveira

Artur Maurício