Constitutional Court dismisses claim to review a prior unconstitutionality ruling on telecom concession laws.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court rejected a complaint by the Lisbon City Council challenging a previous decision upholding the constitutionality of specific telecom concession regulations. The Council argued the norms violated constitutional provisions and local finance laws, seeking a refusal of their application. The Court held that since the original proceeding was a constitutional appeal, it could not be converted into an illegality claim or expanded to review the underlying concession contract.
Legislator headnote
AI generatedArt. 70.º n.º 1, alínea a); Art. 72.º n.º 3; Art. 79.º-C LTC: A constitutional appeal regarding unconstitutionality cannot be transformed into an illegality claim, nor can the Court review the underlying contract or other laws when the specific norm's constitutionality has already been adjudicated.
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Acórdão 426/04
ACÓTRDÃO N.º 426/2004
Processo n.º 868/03
2.ª Secção
Relator: Conselheiro Mário Torres
Acordam, em conferência, na 2.ª Secção do Tribunal Constitucional,
1. O Presidente da Câmara Municipal de Lisboa vem, ao abrigo do disposto no n.º 3 do artigo 78.º‑A da Lei do Tribunal Constitucional (LTC), reclamar para a conferência da Decisão Sumária do relator que, no uso da faculdade conferida pelo n.º 1 do mesmo preceito, não julgou inconstitucional, pelos fundamentos constantes do Acórdão n.º 288/2004 do Tribunal Constitucional, votado em plenário, a norma constante do artigo 29.º, alínea e), das “Bases da concessão do serviço público de telecomunicações”, anexas ao Decreto‑Lei n.º 40/95, de 15 de Fevereiro; e, consequentemente, concedeu provimento ao recurso interposto pelo Ministério Público, nos termos dos artigos 70.º, n.º 1, alínea a), e 72.º, n.º 3, da LTC.
Sustenta o reclamante que o contrato de concessão consubstanciado no Decreto‑Lei n.º 40/95 viola os artigos 165.º, n.º 1, alíneas q) e v), e 238.º, n.ºs 1, 3 e 4, da Constituição da República Portuguesa (CRP), que o artigo 1.º desse Decreto‑Lei e o artigo 29.º, alínea e), do seu anexo são inconstitucionais e que, se não for esse o entendimento do Tribunal Constitucional, então este deve, ao abrigo do artigo 79.º‑C da LTC, recusar a aplicação da norma do citado artigo 29.º, alínea e), com fundamento em ilegalidade por violação de lei com valor reforçado, que seria a Lei das Finanças Locais (Lei n.º 1/87, de 6 de Janeiro).
O representante do Ministério Público no Tribunal Constitucional respondeu, propugnando o indeferimento da reclamação.
Tudo visto, cabe apreciar e decidir.
2. Independentemente do reconhecimento de legitimidade ao reclamante para deduzir a presente reclamação, há tão‑só que constatar que, estando em causa um recurso interposto ao abrigo da alínea a) do n.º 1 do artigo 70.º da LTC, cujo objecto o respectivo recorrente definiu como versando a questão da inconstitucionalidade da norma do citado artigo 29.º, alínea e), é vedado ao Tribunal Constitucional quer o alargamento desse objecto à questão da inconstitucionalidade do “contrato de concessão” e do artigo 1.º do Decreto‑Lei n.º 50/95, quer a “convolação” desse recurso em “recurso de ilegalidade” por pretensa violação de lei com valor reforçado. Os poderes de cognição atribuídos ao Tribunal Constitucional pelo artigo 79.º‑C da LTC têm de conciliar‑se com a espécie de recurso em causa: tratando‑se de recurso de decisão que recusou a aplicação de norma com fundamento em inconstitucionalidade, o Tribunal Constitucional pode assentar o seu juízo de inconstitucionalidade em fundamentos diversos dos invocados pela decisão recorrida; o que não lhe é lícito é, no âmbito dessa espécie de recurso, apreciar fundamentos que, a procederem, gerariam ilegalidade.
Quanto ao juízo de inconstitucionalidade da norma do citado artigo 29.º, alínea e), o reclamante não aduz quaisquer argumentos novos que justifiquem a reponderação da orientação definida pelo Acórdão n.º 288/2004, do Plenário, que a Decisão Sumária ora reclamada acolheu.
Termos em que se indefere a presente reclamação.
Sem custas.
Lisboa, 16 de Junho de 2004.
Mário José de Araújo Torres
Paulo Mota Pinto
Rui Manuel Moura Ramos