Portuguese Constitutional Court dismisses appeal for failure to specify constitutional challenge norms.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court dismissed the applicant's appeal and subsequent claim for failing to comply with statutory requirements for filing a constitutional challenge. Although the applicant cited specific article sub-items, the lower court had not actually refused the application of any norm on grounds of unconstitutionality, nor had the applicant raised such a challenge during the proceedings. The court ruled that without a defined norm to challenge and a prior procedural objection, the request for constitutional review was legally inadmissible.
Legislator headnote
AI generatedLei nº 28/82, de 15 de Novembro, artigo 75º-A e 76º; The Constitutional Court requires the applicant to specify the exact norm challenged and demonstrate that a constitutional objection was raised in the lower proceedings, otherwise dismissing the appeal.
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Acórdão 68/03
ACÓRDÃO N.º 68/03
Processo nº 793/2002
3ª Secção
Relatora: Maria dos Prazeres Pizarro Beleza
Acordam, em conferência,
na 3ª Secção do Tribunal Constitucional:
1. Inconformado com o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa de fls. 931, que rejeitou o recurso que interpôs do acórdão do Tribunal colectivo da 2ª Vara Mista de Sintra, de fls. 896, que o condenou, como autor de um crime de abuso de confiança, na pena (suspensa na forma ali indicada) de 2 anos e 6 meses de prisão, A. recorreu para o Tribunal Constitucional nos termos constantes do requerimento de fls. 938: "Vem interpor recurso do mui douto acórdão proferido nos (...) autos, para o Tribunal Constitucional (Lei nº 28/82, de 15 de Novembro) com a alteração introduzida pela Lei nº 13-A/98 de 26 de Fevereiro e com os efeitos e regime de subida estabelecidos no artigo 78 da citada Lei nº 28/82 de 15 de Novembro ".
Pelo despacho de fls. 940, o recorrente foi convidado a completar aquele requerimento, conforme previsto no artigo 75º-A da Lei nº 28/82, indicando qual a norma que pretende seja apreciada, qual a alínea do nº 1 do artigo 70º da Lei nº 28/82 ao abrigo do qual o recurso é interposto "e, se for caso disso, (...) as menções constantes do nº 3 do artigo 75º-A (...), sob pena de indeferimento – artigo 76º nº 2 da referida Lei".
Perante a resposta de fls. 944, o relator proferiu despacho não admitindo o recurso interposto para o Tribunal Constitucional, nos seguintes termos:
"Convidado a dar cumprimento ao disposto no artigo 75º-A, nºs 1 a 3, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, o recorrente veio dizer:
" Parece que este recurso se há-de prevalecer da alínea a), b), e f) do artigo 70º da Lei nº 23/82 de 15 de Novembro".
Não indica, porém, qual a norma cuja aplicação foi recusada, com fundamento em inconstitucionalidade – alínea a) do artigo 70º e nº 1 do artigo 75º-A daquele diploma.
Também não indica que normas, cuja inconstitucionalidade ou ilegalidade hajam sido suscitadas durante o processo, foram indevidamente aplicadas – alíneas b) e f) do artº 70º e nº 2 do referido artº 75º-A.
De resto, no acórdão de que se recorre,
Não foi recusada a aplicação de qualquer norma, com fundamento em inconstitucionalidade, e
Não foi suscitada, durante o processo, a inconstitucionalidade ou ilegalidade que qualquer norma.
Assim, visto o disposto no artigo 76º, nº 1 e 2, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, indefere-se o requerimento de interposição do recurso."
2. De novo inconformado, A. veio reclamar para o Tribunal Constitucional, invocando o disposto no nº 4 do artigo 76º da Lei nº 28/82.
Notificado para o efeito, o Ministério Público pronunciou-se no sentido do indeferimento da reclamação.
Em primeiro lugar, observou ser duvidoso que o Tribunal Constitucional devesse conhecer da reclamação, por ela vir dirigida ao Presidente do Tribunal da Relação de Lisboa.
Em segundo lugar, verificou que o reclamante não respondeu adequadamente ao convite constante do despacho de fls. 940, o que justifica o indeferimento da resposta.
3. Com efeito, a presente reclamação– da qual se conhece, não obstante vir mal endereçada, porque se aceita que revela a intenção de reclamar para o Tribunal Constitucional – é manifestamente improcedente, já que o reclamante não completou o requerimento de interposição de recurso nos termos legalmente exigidos, o que conduz ao respectivo indeferimento (citado nº 2 do artigo 76º da Lei nº 28/82.º).
Em primeiro lugar, porque, como se verifica no despacho de fls. 947, o reclamante não definiu a norma que constitui o objecto do recurso, o que, naturalmente, sempre impediria o Tribunal Constitucional de o conhecer (cfr. nº 1 do artigo 75º-A da Lei nº 28/82).
Em segundo lugar porque, afirmando que o recurso "se há-de prevalecer das alíneas (...) b e f " do nº 1 do artigo 70º da Lei nº 28/82, não cumpre o disposto no nº 2 do mesmo artigo 75º-A.
Bastariam estas duas razões para o indeferimento do requerimento de interposição de recurso. Sempre se acrescenta, todavia, que – como, aliás, se diz no despacho de fls. 947 – , no que toca à invocação da alínea a) do nº 1 do artigo 70º, se verifica que o acórdão recorrido não recusou a aplicação de nenhuma norma por inconstitucionalidade; e que, relativamente às alíneas b) e f) do mesmo nº 1, os autos revelam (cfr. motivação de fls. 902) que o reclamante não suscitou perante o tribunal recorrido (cfr. nº 2 do artigo 72º da Lei nº 28/82) nenhuma questão de inconstitucionalidade ou de ilegalidade susceptível de vir a ser apreciada pelo Tribunal Constitucional.
Nestes termos, indefere-se a presente reclamação.
Custas pelo reclamante, fixando-se a taxa de justiça em 15 ucs.
Lisboa, 7 de Fevereiro de 2003-
Maria dos Prazeres Pizarro Beleza
Alberto Tavares da Costa
Luís Nunes de Almeida