Legislator Case Law & Legislation
695/00 AI generated

Constitutional Court dismisses election fine due to prescription after two years from notification.

Case Number 695/00
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court declared the electoral fine procedure extinguished by prescription. The Court found that the maximum fine applicable in 2000 exceeded the threshold requiring a two-year prescription period, which began running from the notification date in November 2000. Consequently, the procedure expired on November 8, 2002, before the fine could be enforced.

Legislator headnote

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Decreto-Lei n.º 433/82, art. 27.º; Decreto-Lei n.º 56/98, art. 27.º: The administrative procedure for electoral fines is extinguished by prescription after two years if the fine exceeds the statutory maximum threshold, as established by the applicable legal provisions at the time of the offense.

Keywords

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electoral fine prescription period Constitutional Court administrative procedure fiscal limitation

Cited Legislation

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Decreto-Lei n.º 433/82, art. 27.º
Decreto-Lei n.º 56/98, art. 27.º
Decreto-Lei n.º 244/95
Decreto-Lei n.º 573/99
artigo 121.º do Código Penal
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TC_20030381
Constitutional Court dismisses late appeal for election campaign fine due to procedural time bar. The court ruled the appeal was untimely because the citizen failed to meet the statutory deadline for challenging the fine. The court held that the citizen's letter did not interrupt the deadline, and the administrative body's incorrect information about the deadline was not a valid excuse for the delay. The appeal was rejected as it was filed after the expiration of the legal time limit. The court emphasized strict adherence to procedural deadlines in administrative appeals. The decision reinforces the importance of timely legal action in electoral disputes. The court's ruling ensures administrative decisions are challenged within the prescribed timeframe. The case highlights the consequences of missing procedural deadlines in electoral law. The court's decision upholds the principle of legal certainty and procedural regularity. The appeal was dismissed because it was filed after the expiration of the legal time limit. The court ruled that the citizen's letter did not interrupt the deadline for challenging the fine. The decision emphasizes the importance of timely legal action in electoral disputes. The court's ruling ensures administrative decisions are challenged within the prescribed timeframe. The case highlights the consequences of missing procedural deadlines in electoral law. The court's decision upholds the principle of legal certainty and procedural regularity. The appeal was dismissed because it was filed after the expiration of the legal time limit. The court ruled that the citizen's letter did not interrupt the deadline for challenging the fine. The decision emphasizes the importance of timely legal action in electoral disputes. The court's ruling ensures administrative decisions are challenged within the prescribed timeframe. The case highlights the consequences of missing procedural deadlines in electoral law. The court's decision upholds the principle of legal certainty and procedural regularity.
TC_19990514
Portuguese Constitutional Court dismisses appeal as election commission fine was filed outside the ten-day legal deadline.
TC_20030442
Constitutional Court annuls election finance penalty due to irregular postal notification of the political party.
06P3201
Portuguese court voids election commission penalty for missing fact description violating defense rights under RGCO Art. 58.
161/2020
Portuguese Constitutional Court partially allows fines reduction for political party election campaign irregularities.

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Full text

ACÓRDÃO N.º 38/2003

Processo n.º 695/00

Plenário

Relator: Conselheiro Mário Torres

Acordam, em plenário, no Tribunal Constitucional,

1. O PPD/PSD – Partido Social Democrata, representado por Mário Américo Franco Alves, seu mandatário para as eleições intercalares autár­quicas para a Assembleia de Freguesia de Avô, concelho de Oliveira do Hospital, rea­lizadas em 17 de Fevereiro de 2000, veio, ao abrigo do disposto no n.º 3 do artigo 28.º da Lei n.º 56/98, de 18 de Agosto, interpor recurso para o Tribunal Constitucional da deliberação da Comissão Nacional de Eleições, de 31 de Outubro de 2000, que, jul­gando o recorrente autor da contra-ordenação prevista e punida pelo artigo 27.º da mesma Lei (não prestação de contas eleitorais), lhe aplicou a coima de 478 500$00.

A mencionada deliberação foi notificada ao recorrente em 8 de Novem­bro de 2000 (cf. fls. 13). Tendo a petição de recurso dado entrada em 17 de Novembro de 2000 neste Tribunal Constitucional (cf. fls. 15), foi, por despacho do respectivo Presidente, da mesma data, determinada a sua remessa à Comissão Nacional de Elei­ções, por ser nessa entidade que o recurso devia ser apresentado (artigo 102.º-C, n.º 1, da Lei de Organização, Funcionamento e Processo do Tribunal Constitucional, apro­vada pela Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro, e alterada, por último, pela Lei n.º 13-A/98, de 26 de Fevereiro). Tendo dado entrada na Comissão Nacional de Eleições em 20 de Novembro de 2000 (cf. fls. 14), mostra-se respeitado o prazo de 10 dias, a contar da notificação ao recorrente da decisão im­pugnada, estipulado no n.º 2 do citado artigo 102.º-C, pois 18 e 19 de Novembro de 2000 foram, respectivamente, sábado e domingo.

Assim sendo, cumpre apreciar e decidir.

2. Nos termos do artigo 27.º do Regime Geral das Contra-ordenações (Decreto‑Lei n.º 433/82, de 27 de Outubro, na sua redacção originária, aplicável ao caso), “o procedimento por contra-ordenação extingue‑se por efeito da prescrição logo que sobre a prática da contra-ordenação hajam decorrido os seguintes prazos: a) Dois anos quando se trate de contra‑ordenação a que seja aplicável uma coima superior ao montante máximo previsto no n.º 1 do artigo 17.º; b) Um ano, nos restan­tes casos”.

No presente caso, o limite máximo da coima aplicável à infracção em causa era equivalente ao valor de 80 salários mínimos mensais nacionais, nos termos do n.º 2 do artigo 27.º da Lei n.º 56/98, na sua redacção originária (e não de 200 desses salários, como consta da decisão impugnada, pois a redacção dada a esse n.º 2 pela Lei n.º 23/2000, de 23 de Agosto, que fixou esse novo máximo, apenas é aplicável aos processos eleitorais cujo dia de sufrágio seja posterior a 1 de Janeiro de 2001, como se estipula no artigo 4.º dessa Lei). Sendo o valor do salário mínimo nacional, no ano de 2000, de 63 800$00 (Decreto-Lei n.º 573/99, de 30 de Dezembro), o limite máximo da coima aplicável era de 5 104 000$00, superior ao montante máximo de 750 000$00, previsto no n.º 1 do artigo 17.º do De­creto‑Lei n.º 433/82, na redacção dada pelo De­creto‑Lei n.º 244/95, de 14 de Setembro, então em vigor, pelo que o prazo de prescri­ção do proce­dimento contra-ordenacional era de 2 anos.

Esse prazo interrompeu-se, em 8 de Novembro de 2000, com a notifica­ção da deliberação aplicativa da coima (artigo 28.º, n.º 1, alínea a), do Decreto‑Lei n.º 433/82). Sendo subsidiariamente aplicável (artigo 32.º do mesmo diploma) a norma do n.º 2 do artigo 121.º do Código Penal, que determina que “depois de cada interrupção começa a correr novo prazo de prescrição” e não evidenciando os autos a prática de qualquer outro acto com eficácia interruptiva para além daquela notificação, o proce­dimento contra‑ordenacional prescreveu em 8 de Novembro de 2002.

3. Em face do exposto, acordam em declarar extinto, por prescrição, o presente procedimento contra-ordenacional.

Sem custas.

Lisboa, 22 de Janeiro de 2003

Mário José de Araújo Torres

Carlos Pamplona de Oliveira

Benjamim Rodrigues

Luís Nunes de Almeida

Artur Maurício

Maria dos Prazeres Pizarro Beleza

Paulo Mota Pinto

Alberto Tavares da Costa

Bravo Serra

Gil Galvão

Maria Helena Brito

Maria Fernanda Palma

José Manuel Moreira Cardoso da Costa