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TC_20020406 AI generated

Constitutional Court dismisses claim for interpretation review because the party failed to raise constitutional issues earlier.

Case Number TC_20020406
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court rejected a claim for interpretation review filed by a taxpayer against a tax court decision. The taxpayer argued that the lower court violated the Constitution by applying a specific procedural code article, but had previously failed to challenge that same article's constitutionality during the initial tax appeal. The court ruled that the taxpayer had ample opportunity to raise the constitutional issue earlier and did not do so, making the current request inadmissible.

Legislator headnote

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Art. 70(1)(b) no. 1 of Law 28/82; The Constitutional Court cannot review the constitutionality of a norm if the party failed to raise the constitutional question during the prior appeal where the norm was applied.

Keywords

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interpretation review tax procedure code constitutional question procedural opportunity inadmissible claim taxpayer rights Constitutional Court

Cited Legislation

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Art. 70(1)(b) no. 1 of Law 28/82
Art. 68 of the Tax Procedure Code
Art. 266 and nos. 1, 3 and 5 of Art. 268 of the Portuguese Constitution
artº 268º da Constituição
3 e 5 do artº 268º da Constituição da Rep[ú]blica Portuguesa".

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Full text

Acórdão 406/02

Acórdão 406/02

Procº nº 515/2002.

2ª Secção.

Relator:- BRAVO SERRA.

1. Por acórdão lavrado em 19 de Fevereiro de 2002 no Tribunal Central Administrativo foi julgado procedente o recurso que a Fazenda Pública interpôs da sentença proferida no Tribunal Tributário de 1ª Instância de Lisboa e por intermédio do qual se julgou procedente a oposição que A, deduziu à execução fiscal contra si instaurada pela 2ª Repartição de Finanças de Cascais, sendo que a oponente, na alegação produzida no recurso, em passo algum suscitou a desconformidade com a Lei Fundamental por banda de qualquer norma constante do ordenamento jurídico infra-constitucional.

Assinale-se que, no recurso interposto pela Fazenda Pública, esta sustentava que a sentença então impugnada violou, entre outras normas, o disposto no artº 68º do Código de Processo Tributário, sendo que foi justamente essa disposição que, inter alia, suportou a decisão tomada pelo Tribunal Central Administrativo.

Notificada do acórdão lavrado em tal órgão de administração de justiça, a oponente intentou recorrer para o Tribunal Constitucional ao abrigo da alínea b) do nº 1 do artº 70º da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, por seu intermédio pretendendo a apreciação da "interpretação que o Tribunal Central Administrativo no seu aliás Douto Acórdão de fls ... a fls ... faz do artº 68º nº 1 do Código de Processo Tributário tornando este preceito necessariamente inconstitucional, por violação do artº 266º e nºs 1. 3 e 5 do artº 268º da Constituição da Rep[ú]blica Portuguesa".

O recurso não veio a ser admitido por despacho de 30 de Abril de 2002, proferido pelo Relator do Tribunal Central Administrativo, precisamente com o fundamento segundo o qual a inconstitucionalidade da norma cuja análise se pretendia que o Tribunal Constitucional apreciasse não foi suscitada pela oponente.

É deste despacho que, pela A, vem deduzida a vertente reclamação, invocando que se está "perante um caso excepcional e anómalo em que a Reclamante não dispôs de oportunidade processual para levantar a questão da inconstitucionalidade antes de proferida a Douta Decisão, até porque esta, resulta desta mesma Decisão", que é irrecorrível.

Pronunciando-se sobre a reclamação, o Representante do Ministério Público junto deste Tribunal sustentou o respectivo indeferimento.

Cumpre decidir.

2. É manifestamente improcedente a reclamação de que ora se cura.

Na verdade, tratando-se, como se trata, de um recurso estribado na alínea b) do nº 1 do artº 70º da Lei nº 28/82, mister era que, antes da prolação da decisão pretendida impugnar, a oponente tivesse equacionado a questão da desarmonia com a Constituição por parte da norma constante no nº 1 do artº 68º do Código de Processo Tributário.

E não se diga que não dispôs de oportunidade processual para o fazer.

De facto, no recurso interposto da sentença tirada no Tribunal Tributário de 1ª Instância de Lisboa, a Fazenda Pública, como acima de indicou, defendeu o entendimento de que, ao caso em apreciação, deveria ser aplicado aquele nº 1 do artº 68º, motivo pelo qual, assim não decidindo, a sentença recorrida violou tal preceito, pelo que deveria ser revogada.

Ao produzir a sua alegação nesse recurso, a oponente tinha toda a oportunidade de questionar a validade de tal normativo confrontadamente com o Diploma Básico.

O que não fez.

Pelo que, in casu, claramente, se depara a inexistência do pressuposto do recurso a que alude a mencionada alínea b) do nº 1 do artº 70º da Lei nº 28/82 e a que acima se fez referência.

Por outro lado, é manifesto que a decisão tomada no Tribunal Central Administrativo não pode, ao contrário do afirmado pela reclamante, ser perspectivada como uma «decisão surpresa», e isso justamente pela razão de harmonia com a qual a mesma se veio a estear numa interpretação e aplicação normativa que foi a defendida pela então recorrente Fazenda Pública, cuja posição a então recorrida teve, como se viu, oportunidade processual de contraditar na alegação que produziu no recurso.

Termos em que se indefere a reclamação, condenando-se a reclamante nas custas processuais, fixando a taxa de justiça em quinze unidades de conta.

Lisboa,9 de Outubro de 2002-

Bravo Serra

Maria Fernanda Palma

José Manuel Cardoso da Costa