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TC_20010338 AI generated

Constitutional Court upholds Public Prosecutor's right to issue opinions in administrative proceedings as constitutional.

Case Number TC_20010338
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Constitutional Court granted the Public Prosecutor's appeal against an administrative tribunal's refusal to apply a specific legal norm. The tribunal had previously declared the norm unconstitutional, preventing the prosecutor from issuing opinions in administrative litigation. The court rejected this claim, citing its own prior precedent which established the norm's constitutionality. Consequently, the court ordered the administrative decision to be reformed to allow the prosecutor to exercise this right.

Legislator headnote

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Art. 27º, alínea c) e Art. 53º do Decreto-Lei nº 267/85; The right of the Public Prosecutor to issue opinions in administrative proceedings does not violate the principle of contradiction or constitutional guarantees.

Keywords

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Public Prosecutor rights Administrative litigation Constitutional review Principle of contradiction Legal opinion issuance Constitutional precedent Procedural fairness

Cited Legislation

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Art. 27º, alínea c) do Decreto-Lei nº 267/85
Art. 53º do Decreto-Lei nº 267/85
Art. 219º da Constituição
Art. 280º, nº 1, alínea a) da Constituição
Art. 3º, nº 3 do Código de Processo Civil
Art. 70º, nº 1, alínea a) da Lei do Tribunal Constitucional
artigo 219º da Constituição

Cited Case Law

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Full text

Acórdão 338/01

Acórdão nº 338/01

Proc. nº 174/01

3ª Secção

Relator: Cons. Sousa e Brito

Acordam, na 3ª secção do Tribunal Constitucional:

I

1. Nestes autos, em que é recorrente o Ministério Público e são recorridos o Presidente da Câmara Municipal de Ponta do Sol e Outras, o Tribunal Administrativo e Fiscal Agregado do Funchal, por decisão de 12 de Fevereiro de 2001, recusou aplicar, com fundamento na sua inconstitucionalidade material, a norma resultante da conjugação do disposto na al. c) do artigo 27º com o artigo 53º Decreto-Lei nº 267/85, de 16 de Julho.

2. É desta decisão que vem interposto pelo representante do Ministério Público junto do Tribunal Administrativo e Fiscal Agregado do Funchal, ao abrigo dos artigos 280º, nº 1, alínea a), da Constituição e 70º, nº 1, alínea a), da Lei do Tribunal Constitucional, o presente recurso obrigatório de constitucionalidade, para apreciação da conformidade com a Constituição da norma desaplicada.

3. Já neste Tribunal foi o Ministério Público, recorrente, notificado para alegar, o que fez, tendo concluído nos seguintes termos:

"1 - Não viola o artigo 219º da Constituição a norma que, no âmbito do contencioso administrativo, comete ao Ministério Público a possibilidade de, em representação do Estado colectividade e na defesa da legalidade e do ordenamento objectivo, intervir nos processos em que não figure como recorrente ou recorrido.

2 - Não é inconstitucional a norma constante dos artigos 27º, alínea c) e 53º da LPTA, quando interpretada em termos de ser lícito ao juiz assegurar o pleno cumprimento e actuação da regra do contraditório (nos termos constantes do artigo 3º, nº 3, do Código de Processo Civil), facultando às partes a possibilidade de se pronunciarem sobre a argumentação potencialmente relevante e inovatória que considerem constar daquele parecer exarado nos autos pelo Ministério Público.

3 - Termos em que deverá proceder o presente recurso, em conformidade com o juízo de não inconstitucionalidade das normas que o integram".

4. Por parte dos recorridos não foi apresentada, dentro do prazo legal, qualquer alegação.

II

5. O presente recurso tem por objecto a apreciação da constitucionalidade da norma que se extrai da conjugação dos artigos 27º, alínea c) e 53º do Decreto-Lei nº 267/85, de 16 de Julho, nos termos da qual é um direito do Ministério Público, salvo nos recurso que interponha em defesa da legalidade, emitir, em 14 dias, parecer sobre a decisão final a proferir, direito que é exercido findas que sejam as alegações das partes no recurso contencioso ou o prazo para a sua apresentação.

6. Ora, no que se refere a esta questão, o Tribunal Constitucional teve já oportunidade no Acórdão nº 185/2001 (ainda inédito, mas de que se junta cópia aos autos), tirado em Plenário (embora com votos de vencido, entre os quais o do ora Relator), de decidir que a norma em causa não é inconstitucional.

É, pois, esta jurisprudência que agora, mais uma vez, há que reiterar.

III

7. Pelo exposto, decide-se conceder provimento ao recurso e, em consequência, ordenar a reforma do despacho recorrido em conformidade com o presente juízo de constitucionalidade.

Lisboa, 10 de Julho de 2001

José de Sousa e Brito

Maria dos Prazeres Pizarro Beleza

Alberto Tavares da Costa

Messias Bento

Luís Nunes de Almeida