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TC_19980636 AI generated

Constitutional Court dismisses nullity claim where constitutional review would have no useful effect due to lack of proof.

Case Number TC_19980636
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court rejected a nullity claim against a lower court's decision to decline jurisdiction over a marriage status issue. The lower court deemed the marriage question irrelevant because the case was a claim action, and the Constitutional Court agreed that without proof of marital status, a favorable constitutional ruling would be useless. Consequently, the Court found no grounds for nullity as the constitutional issue could not produce any practical effect in the proceedings.

Legislator headnote

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Art. 24.º, n.º 2 da CRP; Art. 27.º da CRP: When a constitutional challenge would have no useful effect because a prerequisite fact remains unproven, the court must decline to rule on the constitutionality to avoid a futile decision.

Keywords

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useless constitutional review nullity claim dismissal procedural irrelevance marriage status proof useful effect requirement

Cited Legislation

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Art. 24.º, n.º 2 da CRP
Art. 27.º da CRP
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Full text

Acórdão 636/98

ACÓRDÃO Nº 636/98

Proc.º nº 811/96

2ª Secção

Rel.: Consº Luís Nunes de Almeida

Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:

1. M. G. veio reclamar por nulidades do Acórdão nº 556/98, que decidiu não tomar conhecimento do recurso por ele interposto.

Considerou que «ao mesmo tempo que se declara incompetente para "o problema de saber ou determinar se o recorrente é ou não casado ou qual o meio de prova necessário para tal efeito" e omitindo na sua fundamentação pronunciar-se quanto às posições sobre tal matéria que constam de fls. 46 (fine) – 46/v, de fls. 186-186/v e de fls. 361-362 (pelo contrário só se fundando nas irrelevantes folhas 125/v – 126, 184/v – 185 e 359 – 359/v) o douto acórdão decide que a decisão do recurso não é susceptível de produzir qualquer efeito útil, o que traduz omissão de pronúncia e relevante contradição entre esta decisão e os seus fundamentos».

2. O Tribunal Constitucional não ignorou, ao contrário do que afirma o reclamante, o que se disse no despacho de fls. 46 – 46 vº, e que não é diferente do que as instâncias continuaram a afirmar posteriormente: que se estava no âmbito de uma acção de reivindicação, pelo que não havia lugar a litisconsórcio. E, assim, no fundo, sempre a questão de saber se o recorrente era ou não casado foi tida como irrelevante, nas referidas instâncias.

Ora, o que o Tribunal Constitucional considerou foi que se a questão de inconstitucionalidade viesse a ser decidida em sentido favorável ao recorrente, então tornar-se-ia relevante aquela questão de apurar se o mesmo era ou não casado; mas, não tendo, porém, as instâncias dado esse facto como provado, é óbvio que tal juízo de inconstitucionalidade não poderia produzir qualquer efeito útil na causa.

Ou seja, ainda que o Tribunal Constitucional decidisse que a norma impugnada se encontrava ferida de inconstitucionalidade, tornando decisivo, para a decisão da questão de legitimidade, o facto de o ora reclamante ser casado, a verdade é que tal facto não foi dado como provado nos autos – o que as instâncias sempre tiveram como irrelevante, dada a sua posição sobre a matéria –, pelo que nenhuma utilidade teria o julgamento da questão de inconstitucionalidade suscitada.

3. Nestes termos, desatende-se a reclamação por nulidades.

Custas pelo reclamante, fixando-se a taxa de justiça em oito UC’s.

Lisboa, 4 de Novembro de 1998

Luís Nunes de Almeida

Bravo Serra

José de Sousa e Brito

Maria dos Prazeres Pizarro Beleza

Guilherme da Fonseca

Messias Bento

José Manuel Cardoso da Costa