Constitutional Court denies rectification when lower court correctly applies mandatory invalidity declaration limits.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court rejected a request to correct a labor tribunal's judgment regarding fines. The lower court had declared Article 27 of Law 30/89 unconstitutional based on the legal framework existing at the time of the offense, specifically citing limits from Law 356/89. The Court ruled that since the mandatory invalidity declaration already bound the lower court to these specific limits, the decision was correct and no rectification was warranted.
Legislator headnote
AI generatedArt. 27º do DL nº 30/89; Art. 1º do DL nº 356/89; When a lower court applies a mandatory general invalidity declaration, its decision is confirmed if it correctly adheres to the parameters established by that declaration at the time of the offense.
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Acórdão 646/97
ACÓRDÃO Nº 646/97
Procº nº 742/96
2ª Secção
Relator: Cons. Sousa e Brito
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:
1. O Exmº Procurador‑Geral Adjunto em exercício neste Tribunal vem, na sequência do Acórdão nº 379/97 proferido nestes autos, solicitar a rectificação de lapso manifesto deste, "no segmento em que - por aplicação da doutrina do Acórdão nº 175/97 - se nega provimento ao recurso."
Funda‑se tal requerimento na circunstância da decisão recorrida - a sentença do Tribunal de Trabalho de Almada de fls. 73/78 - ter assente num juízo de inconstitucionalidade do artigo 27º do DL nº 30/89, de 24 de Janeiro que, seguindo a jurisprudência da 1ª Secção deste Tribunal (cfr., por exemplo, o Acórdão nº 837/93, inédito), avalia a legitimidade constitucional da norma "em função do parâmetro legal e constitucional existente na data da sua aprovação, concretamente o que se contem na versão originária do DL nº 433/82" ( Acórdão nº 837/93). Acontece, porém, que a decisão proferida nestes autos, fez aplicação da declaração de inconstitucionalidade com força obrigatória geral constante do Acórdão nº 175/97 (no Diário da República I Série‑A, de 24/4/97) e neste considerou‑se - e foi esse o sentido da declaração de inconstitucionalidade aí proferida - "relevante, para o efeito de saber quais os montantes que devem servir de parâmetros de referência, o momento da prática da respectiva infracção" (extracto do Acórdão nº 175/97). Trata‑se, assim, para o Ministério Público, de reformular a decisão recorrida tornando claro que os limites a ter em conta são os vigentes à data do cometimento da infracção, ou seja os resultantes do DL nº 356/89, de 17 de Outubro.
2. Tendo por base uma situação substancialmente idêntica à deste processo, sublinhou‑se no recente Acórdão nº 402/97 (ainda inédito) uma ideia que aqui importa reter:
"Como o recurso para este Tribunal tem apenas por objecto a questão de constitucionalidade que o tribunal recorrido tenha decidido - e não também as consequências que, ao nível do direito ordinário, esse tribunal tenha extraído do julgamento de inconstitucionalidade - (...) o que, então, há que decidir é se a sentença recorrida, no ponto em que recusou aplicação àquele artigo 27º (na parte que fixa os limites, mínimo e máximo, da coima), deve ou não ser confirmada."
Ora, tratando‑se no caso da aplicação de uma declaração de inconstitucionalidade com força obrigatória geral, está referido na decisão, através da remissão, o exacto alcance da declaração a que se reporta e isso in casu significava a vinculação à observância dos limites máximos e mínimos vigentes à data do cometimento da infracção (isto é entre 500$00 e 500 000$00, como resulta da redacção dada ao artigo 17º, nº 1, do DL 433/82, de 27 de Outubro, pelo artigo 1º do DL nº 356/89, de 17 de Outubro).
Tendo‑se fixado na decisão recorrida uma coima de 50 000$00, a recusa de aplicação do artigo 27º do DL nº 30/89, nos termos em que operantemente emerge da mesma, não pode merecer censura, em termos de se determinar a procedência do recurso, com vista a uma reformulação decisória baseada em limites que na prática já foram respeitados.
Pelo exposto, decide‑se negar a referida rectificação.
Lisboa, 29 de Outubro de 1997
José de Sousa e Brito
Messias Bento
Guilherme da Fonseca
Fernando Alves Correia
Bravo Serra
Luís Nunes de Almeida