Portuguese Constitutional Court allows fiscal opposition appeal, ruling the specific tax fee law is constitutional despite general tax reservation rules.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court granted the Public Prosecutor's appeal against a lower court decision that had declared a specific tax fee law unconstitutional. The lower court had invalidated the law because it allegedly infringed upon the legislative reserve for tax creation, arguing the matter belonged exclusively to Parliament. The Court reversed this finding, holding that the specific provision regarding fees for extant economic coordination bodies was a valid administrative consequence of organizational changes rather than a violation of the constitutional tax reservation.
Legislator headnote
AI generatedArt. 106(2) and Art. 168(1)(i) of the Constitution; The specific provision establishing fees for extant economic coordination bodies is constitutional as it constitutes a valid administrative consequence of organizational changes, not a violation of the legislative reserve for tax creation.
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Acórdão 633/96
Procº nº 152/96. ACÓRDÃO Nº 633/96
2ª Secção.
Relator:- BRAVO SERRA.
I
1. A, que usa comercialmente a designação de «A ...», deduziu oposição à execução fiscal contra si instaurada com vista a obter o pagamento de Esc. 1.446.770$00 devidos ao IROMA a título de «taxas» atribuídas a este organismo pelo artº 13º do Decreto-Lei nº 15/87, de 9 de Janeiro.
Por sentença de 17 de Novembro de 1995, proferida pelo Juiz do Tribunal Tributário de 1ª Instância de Braga, foi julgada procedente a oposição, pois que se considerou formalmente inconstitucional aquele artº 13º, já que, na óptica do aludido Juiz, a matéria em causa era "da exclusiva competência da Assembleia da República, salvo autorização ao Governo".
É dessa decisão que vem, pelo Ministério Público, interposto o presente recurso, tendo o seu representante em funções neste Tribunal apresentado alegação na qual, propugnando por se dever dar provimento ao recurso, formulou as seguintes conclusões:
"1º - A norma constante do artigo 13º do Decreto- -Lei nº 15/87, de 9 de Janeiro, ao prescrever que as taxas de comercialização e outras imposições parafiscais a favor dos organismos de coordenação económica extintos passam a ser cobrados e a constituir receita do IROMA - e que aparece inserida no capítulo referente às 'disposições finais e transitórias' - surge como meramente consequencial de uma alteração da orgânica administrativa, operada por aquele diploma legal e traduzida na extinção de determinados institutos públicos e na criação de outro, que sucede nas funções, competências e relações jurídicas de que aqueles eram titulares.
2º - Tal norma situa-se, consequentemente, fora do âmbito da reserva de lei referente à 'criação de impostos e ao sisteme fiscal', decorrente do pre- ceituado nos artigos 106º, nº 2, e 168º, nº 1, alínea i), da Constituição da República Portuguesa, nada obstando a que fosse editada pelo Governo, no exercício da sua competência legislativa própria".
Uma vez que a matéria objecto dos presentes autos foi já decidida pela 2ª Secção deste Tribunal, consequentemente sendo ela do conhecimento dos seus Juízes, dispensaram-se os respectivos «vistos».
Cumpre, por isso, decidir.
II
1. Como se disse, este Tribunal, por intermédio da sua 2ª Secção, e sem que houvesse qualquer discordância, teve já ocasião de se pronunciar sobre a compatibilidade ou não compatibilidade com a Lei Fundamental da norma ínsita no artº 13º do Decreto-Lei nº 15/87, de 9 de Janeiro.
Fê-lo através do seu Acórdão nº 419/96, tirado no processo nº 506/95, aresto por ora ainda inédito, cuja fotocópia se encontra junta aos vertentes autos e que aqui se dá por integralmente reproduzida.
2. As razões que foram carreadas a esse Acórdão e que conduziram ao juízo de não desconformidade constitucional da norma agora sub iudicio continuam a convencer os subscritores deste aresto que, por isso, para as mesmas remetem, havendo, consequentemente, de formular, também aqui, um juízo de constitucionalidade quanto a tal normativo.
III
Em face do exposto, decide-se, não julgando inconstitucional da norma constante do artº 13º do Decreto-Lei nº 15/87, de 9 de Janeiro, conceder provimento ao recurso, determinando-se a reforma da decisão impugnada, a fim de a mesma ser reformada em consequência com o presente juízo de constitucionalidade.
Lisboa, 23 de Abril de 1996
Bravo Serra
Luis Nunes de Almeida
Guilherme da Fonseca
Messias Bento
José Manuel Cardoso da Costa