Portuguese Constitutional Court dismisses constitutional challenge as prior decision renders outcome unaffected regardless of constitutionality.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court of Portugal decided not to examine a constitutional challenge filed by the Public Prosecutor regarding municipal fine statutes. The lower court had already dismissed the case based on amnesty and prescription, finding the fine amount reduced below the threshold for prosecution. The court ruled that since the result would remain unchanged whether the statutes were declared constitutional or not, the challenge lacked practical utility.
Legislator headnote
AI generatedArt. 78-A(1) of the Constitutional Court Law; Art. 70(1)(a) of the Constitutional Court Law: A constitutional challenge is inadmissible when the final decision would remain unaffected regardless of the court's ruling on the constitutionality of the contested norms.
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Acórdão 153/96
ACÓRDÃO Nº 153/96
Processo nº 797/95
2ª Secção
Relator: Conselheiro Messias Bento
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:
Nestes autos, em que é recorrente o Ministério Público e A., - pelo essencial das razões da exposição do relator decide-se não tomar conhecimento do recurso.
Lisboa, 7 de Fevereiro de 1996
Messias Bento
Fernando Alves Correia
Guilherme da Fonseca
Bravo Serra
José de Sousa e Brito
Luís Nunes de Almeida
Exposição nos termos do artigo 78º-A da Lei do Tribunal Constitucional
1. A. foi condenado na coima de 150.000$00, por despacho do Vereador da Câmara Municipal do Seixal, proferido, por subdelegação de poderes, em 22 de Julho de 1994, por haver cometido o ilícito Contraordenacional previsto e punível pelos artigos 1º, alínea a), e 54º, nº 1, alínea a), do Decreto-Lei nº 445/91, de 20 de Novembro (Construção de uns anexos sem licença).
Deste despacho interpôs ele recurso para o Juiz da Comarca do seixal que, em 21 de Maio de 1995, ordenou o arquivamento dos autos, com fundamento em que o procedimento contraordenacional se achava extinto, seja por força da amnistia concedida pela alínea ff) do artigo 1º da Lei nº 15/94, de 11 de Maio, seja por prescrição.
Escreveu-se, de facto, a finalizar, em tal despacho:
Sempre convirá ainda referir que, a não ter aplicabilidade a lei de amnistia citada e nos termos em que o foi, sempre seria de declarar prescrito o procedimento contraordenacional tendo em consideração o constante dos autos e o estatuído no artigo 27º do DL nº 433/82.
No referido despacho, depois de se ter afirmado que "os limites monetários a que aludem os artigos 1º, alínea a), e 54º, nº l, alínea a), do DL nº 445/91" devem considerar-se "reduzidos para os montantes estabelecidos no artigo 17º, nº l, do DL nº 433/82, de 27/10, com a redacção dada no DL nº 356/89, de 17/10, sob pena de verificação de inconstitucionalidade orgânica e/ou formal da norma", acrescentou-se:
Ora, com a redução para os limites do artigo 17º- do DL nº 433/82, na versão - e mesmo sem ela! - da coima aplicável à contra-ordenação em questão, óbvio resulta que esta está abrangida pela amnistia decretada pelo artigo 1º, alínea ff), da Lei nº 15/94, de 11 de Maio.
2. É deste despacho (de 21 de Maio de 1995) que vem o presente recurso, interposto pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ao abrigo da alínea a) do nº l do artigo 70º da Lei do Tribunal Constitucional, para apreciação da constitucionalidade das normas dos artigos 1º, alínea a), e 54º, nº l, alínea a), do Decreto-Lei nº 445/91, de 20 de Novembro.
Entende, porém, o relator que não deve conhecer-se do recurso.
De facto, conquanto, no caso, tenha havido desaplicação dos artigos 1º, alínea a), e 54º, nº l, alínea a), do mencionado Decreto-Lei nº 445/91, com fundamento na sua inconstitucionalidade, fosse qual fosse o sentido em que este Tribunal viesse a julgar tal questão de constitucionalidade, a decisão sempre se manteria inalterada.
É que - diz-se na decisão recorrida -, mesmo sem a redução do montante da coima para os limites do artigo 17º do Decreto-Lei nº 433/82, a contra-ordenação achava-se amnistiada; e, ainda que tal não sucedesse, "sempre seria de declarar prescrito o procedimento contraordenacional".
Ora, o recurso de constitucionalidade desempenha uma função instrumental, por isso que só se justifica que o Tribunal dele conheça se a decisão a proferir puder reflectir-se utilmente sobre o julgamento do caso de que emerge o recurso. E isso é o que, na hipótese sub iudicio, não sucederia, como decorre do que se deixa dito (cf. sobre um caso idêntico o acórdão nº 577/95, por publicar).
3. Ouçam-se as partes, por cinco dias, nos termos e para os efeitos do disposto na parte final do nº l do artigo 78º-A da Lei do Tribunal Constitucional.
Lisboa, 17 de Janeiro de 1996
Messias Bento