Legislator Case Law & Legislation
535/94 AI generated

Portuguese Constitutional Court dismisses challenge to criminal law decree regarding legislative authorization deadline compliance.

Case Number 535/94
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court dismissed the challenge alleging organic unconstitutionality of specific articles in a criminal law decree. The applicants argued the decree violated the 120-day legislative authorization deadline, while the Government contended only Council of Ministers approval within the limit mattered. The Court ruled that since the decree was approved by the Council of Ministers before the deadline expired, the subsequent promulgation and publication delays did not constitute a constitutional defect.

Legislator headnote

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Art. 167(2) CR; Art. 168(1)(c) CR: A legislative authorization expires if not utilized within 120 days, but the constitutional validity of the authorized decree depends solely on the Government's approval by the Council of Ministers occurring before the deadline, rendering subsequent promulgation delays irrelevant.

Keywords

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legislative authorization organic unconstitutionality Council of Ministers approval criminal law decree promulgation deadline Constitutional Court legislative competence

Cited Legislation

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Art. 167(2) CR
Art. 168(1)(c) CR
Art. 1(1)(a) of the Decree-Law no. 28/84
Art. 4(1)(a) of the Decree-Law no. 28/84
Art. 5 of the Decree-Law no. 28/84
Art. 6 of the Decree-Law no. 28/84

Cited Case Law

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Acórdão n.º 651/93
Acórdão n.º 265/93
Acórdão n.º 213/95
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497/96
Constitutional Court rejects challenge to Decree-Law validity, ruling approval date within authorization period suffices. The procedural outcome was the rejection of the constitutional complaint filed by the accused. The material facts involve a challenge to Decree-Law 28/84, which the accused argued violated the Constitution because it was published after the 120-day legislative authorization expired. The court decided the challenge failed because the relevant moment for validity is the Council of Ministers' approval, not the promulgation or publication dates. The legal rule established is that legislative acts authorized by Parliament are valid if approved within the authorization period, regardless of subsequent promulgation delays. The keywords are [Legislative Authorization], [Constitutional Validity], [Council of Ministers Approval], [Promulgation Date], [Legislative Competence]. My client is accused of fraud and challenged a Decree-Law as unconstitutional because it was published after the legislative authorization expired. The opposing party argues the approval occurred within the deadline, but the prosecution contends the publication date matters for validity. What can I do? Is this possible?
TC_19950213
Portuguese Constitutional Court upholds criminal liability for legal entities against delegation of legislative power limits.
TC_19960928
Portuguese Constitutional Court upholds a criminal statute's constitutionality despite legislative delays, ruling approval within the deadline is sufficient. The court rejected the argument that promulgation and referendum dates must fall within the legislative authorization period. The decision clarifies that only the Council of Ministers' approval counts for validity under the authorization. The court affirmed that the statute is valid and the criminal charges stand.
92/83.
Constitutional Court declares Decree-Law 349-B/83 unconstitutional and rejects retroactive application of the declaration.
TC_19930349
Portuguese Constitutional Court rejects unconstitutionality of new cheque crime law due to valid legislative delegation. The court ruled that the new law was validly enacted under a prior authorization. The court held that the new law was validly enacted under a prior authorization. The court held that the new law was validly enacted under a prior authorization.

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Full text

Acórdão 683/95

ACÓRDÃO Nº 683/95

Processo nº 535/94

1ª Secção

Relator: Conselheiro Tavares da Costa

Acordam na 1ª Secção do Tribunal Constitucional:

I

1. - O Senhor Juiz do 3º Juízo do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, por despacho de 25 de Fevereiro de 1994, pronunciou:

a) A, B., C. e D., como co-autores de um crime previsto e punido pelas disposições conjugadas dos artigos 22°, 23º e 74° do Código Penal e 36º, nºs. l, alíneas a) e b), 2 e 5, alínea a), do Decreto-Lei nº 28/84, de 20 de Janeiro:

b) E., Lda., F., Lda, , G., Lda. , e H., Lda. , pela prática de um crime previsto e punido pelas disposições conjugadas dos artigos 22º, 23º e 74° do Código Penal e 3º, 7º e 36º. nºs. l, alíneas a) e b), 2 e 5, alínea a), do citado Decreto-Lei nº 28/84.

Na decisão instrutória que precedeu, naturalmente, a pronúncia, o magistrado entendeu não se verificar a inconstitucionalidade suscitada pelos arguidos no decurso da instrução por eles requerida, qual seja a inconstitucionalidade orgânica das normas dos artigos 36º, nº 1, alíneas a) e b), nº 2 e nº 5, alínea a), 3º e 7º do Decreto-Lei nº 28/84, com o fundamento de o diploma ter sido aprovado, referendado e publicado em data posterior ao prazo de autorização legislativa concedido pela Lei nº 12/83, de 24 de Agosto.

Do assim decidido interpôs o Ministério Público recurso para o Tribunal da Relação de Lisboa que, por acórdão de 25 de Outubro de 1994, parcialmente a julgou procedente, o que provocou alteração de pronúncia, por despacho de 2 de De­zembro seguinte, irrelevante, no entanto, para a concreta ques­tão de constitucionalidade.

E recorreram, também, os arguidos, para o Tribunal Constitucional, nos termos do artigo 70º, nº l, alínea b), da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, no tocante aos "artigos 36º, nºs. l, AeBen°2e5Ae3, 7º e 36°, n° l, alíneas a) e b) do Decreto-Lei n° 28/84, de 20 de Janeiro (sic)".

Já neste Tribunal, reagindo a convite formulado pelo relator nos termos do artigo 75º-A, nºs. 2 e 5, da dita Lei n° 28/82, esclareceram os recorrentes considerarem violado nos autos o artigo 167º, nº 2 (sic), da Constituição da Repú­blica (CR), questão suscitada no decurso da instrução, em requerimento autónomo (é o de fls. 2197).

2.- Recebido o recurso, alegaram os recorrentes e contra-alegou o Ministério Público.

No entendimento dos primeiros, o Decreto-Lei nº 28/ 84 foi aprovado, referendado e publicado "após os 120 dias do prazo de caducidade da Lei de Autorização nº 12/83", pelo que sofre de inconstitucionalidade orgânica e deve ser "declarado inconstitucional", por violar o disposto no artigo 167º, nº 2, da CR.

Consequentemente, concluem, não devem ser aplicados no caso sub judice os artigos 22º, 36º, n° l, alíneas a) e b), n° 2, e n° 5, alínea a), do Decreto-Lei nº 28/84.

Por sua vez, o Senhor Procurador-Geral Adjunto nes­te Tribunal formulou as seguintes conclusões, em remate das respectivas alegações:

"1°- Os artigos 36º, nºs. l, alíneas a) e b), 2e5, alínea a), 3° e 7° do Decreto-Lei nº 28/84, de 20 de Janeiro, ao definirem pena e ao estabelecerem a responsabilidade criminal das pessoas colectivas, versam matéria da exclusiva competência legislativa da Assembleia da República [artigo 1682, n° l, alínea c), da Constituição, tendo o Governo legis­lado ao abrigo da autorização legislativa constante do corpo do artigo 1º, alínea a), 4º, alínea a), e 5° da lei nº 12/83, de 24 de Agosto.

2º- Para que uma autorização legis­lativa seja validamente utilizada basta que, antes de expirar o prazo da sua du­ração, o Governo haja aprovado, em Conse­lho de Ministros, o correspondente Decreto-Lei, sendo irrelevante que este só venha a ser promulgado, referendado e publicado para além daquele termo, e iniciando-se a contagem do prazo de auto­rização apenas com a publicação da lei de autorização.

3º- Assim, o Decreto-Lei nº 28/84, aprovado em Conselho de Ministras em 6 de Dezembro de 1983, foi-o antes de expirado o prazo de autorização legislativa, não sendo, por isso, inconstitucionais as normas referidas.

4º- Termos em que deve negar-se provimento ao recurso, confirmando-se a decisão recorrida na parte impugnada."

Correram-se os vistos legais pelo que cumpre, ago­ra, apreciar e decidir.

II

1.1.- Num primeiro momento, há que delimitar o objecto do presente recurso de constitucionalidade.

Com efeito, nas alegações oportunamente apresenta­das, os recorrentes invocam no elenco das normas que deverão ser "desaplicadas" a do artigo 22° do Decreto-Lei nº 28/84, o que fazem pela primeira vez, pois não consta a sua menção nem no requerimento de interposição do recurso, nem no que foi apresentado em resposta ao convite formulado nos termos do ar­tigo 75º-A da Lei nº 28/82.

Ora, como se sabe, é no requerimento de interposi­ção do recurso de constitucionalidade que este se delimita ob­jectivamente (cfr. artigo 75º-A da Lei nº 28/82, de 15 de No­vembro ).

Por outro lado, o artigo 22º do Decreto-Lei nº 28/ 84 respeita a abate clandestino e não foi mencionado sequer no despacho de pronúncia, ou seja, não :foi por ele aplicado, pelo que tudo aponta para lapso dos recorrentes (talvez por, na pro­núncia, se citar o artigo 22° do Código Penal).

Entende-se, assim, que o abjecto do presente recur­so de constitucionalidade é constituído pelas normas dos arti­gos 3º, 7º e 36º, nºs. l, alíneas a) e b), 2 e 5, alínea a), todos do Decreto-Lei nº 28/84, de 20 de Janeiro.

1.2.- Coloca-se, ainda, um outro problema preliminar, susceptível de obstaculizar o conhecimento do objecto do recur­so, relativo â norma constitucional alegadamente violada pelas normas em sindicância.

Na verdade, não a tendo os recorrentes inicialmente precisado, não obstante a exigência do nº 2 do artigo 75º-A da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, vieram posteriormente, na se­quência de despacho proferido ao abrigo do nº 5 desse preceito, invocar a norma do nº 2 do artigo 167º da CR (fls. 2265 e seg.; 2268 e segs.).

Só que se trata de norma ... inexistente (nunca o artigo 167º da CR teve um n° 2, em qualquer das versões consti­tucionais) .

Poderá, é certo, atribuir-se a designação a lapso, pretendendo-se aludir ao nº 2 do artigo 168º, nos termos do qual "as leis de autorização legislativa devem definir o objec­to, o sentido, a extensão e a duração da autorização".

Nas suas alegações, o Senhor Procurador-Geral Ad­junto admite que a lógica do discurso dos recorrentes e o teor das considerações tecidas na decisão recorrida apontam no sentido de se ter querido invocar, como possível de ser tido por violado, a alínea c) do n° l do artigo 168º da CR. E, no prosseguimento dessa perspectiva, escreveu parecer não haver dúvidas versarem as normas em causa matéria de exclusiva competência legislativa da Assembleia da República, salvo auto­rização ao Governo mediante credencial parlamentar, uma vez que se trata ou de qualificar como crime determinadas condutas e fixar a respectiva punição (crime de "fraude na obtenção de subsidio de subvenção" no artigo 36º) ou de consagrar a responsabilidade criminal das pessoas colectivas ou equiparadas (ar­tigos 3º e 7º).

Admite-se que tenha havido lapso, aferindo-se, desse modo, a alegada inadequação constitucional das normas discutidas relativamente á alínea c) do n° l do artigo 168º.

2. - Não obstante, entende-se que o recurso não merece provimento.

Com efeito, não está em causa a lei de autorização legislativa - a Lei nº 12/83 -, na perspectiva de constitucionalidade, mas sim o diploma autorizado, o Decreto-Lei nº 28/84. E este - nomeadamente as normas que constituem o objecto do presente recurso - não enferma dos vícios que os recorrentes pretendem ver reconhecidos.

Na verdade, a Lei nº 12/83, de 14 de Agosto, concedeu autorização ao Governo para alterar o regime em vigor em matéria de infracções anti-económicas e contra a saúde pública, "tipificando novos ilícitos penais e contravencionais, definindo novas penas, ou modificando as actuais, tomando para o efeito, como ponto de referencia, a desimetria do Código Penal". [ corpo do artigo 1º e sua alínea a)].

Pretendeu-se, desse modo, obter maior celeridade e eficácia na prevenção e repressão deste tipo de infracções, nomeadamente mediante a actualização do regime em vigor [alínea a) do artigo 4º].

Dispôs, por sua vez, o artigo 5º caducar a autori­zação legislativa "se não for utilizada dentro do prazo de 120 dias", tendo a lei entrado em vigor no dia imediato ao da sua publicação (artigo 6º), ou seja, em 15 de Agosto.

Ora, o Decreto-Lei nº 28/84, editado pelo Governo ao abrigo daquela autorização, foi aprovado em Conselho de Mi­nistros e & de Dezembro de 1983, promulgado em 9 de Janeiro de 1994, referendado a 11 seguinte e publicado a 20 do mesmo mês.

Logo, só a aprovação em Conselho de Ministros ocor­reu dentro do prazo concedido pela Assembleia da República, cujo último dia foi 23 de Dezembro de 1983, como já, sobre este mesmo diploma, teve o Tribunal Constitucional ensejo de precisar (cfr. acórdão n° 651/93, publicado no Diário da República, II Série, de 31 de Março de 1994).

Decorre do exposto inexistir o alegado vicio de inconstitucionalidade orgânica.

O Tribunal tem entendido, na verdade, em significa­tiva e impressiva jurisprudência, ser irrelevante, para os con­cretos efeitos, que o diploma autorizado tenha sido promulgado, referendado e publicado para além do prazo de autorização le­gislativa, só interessando, e ai decisivamente, que o Governo haja aprovado o diploma em Conselho de Ministros antes de expi­rado aquele prazo.

Neste sentido, entre muitos outras, citem-se não só o acórdão nº 651/93, já mencionado, como os n°s. 265/93 e 213/ 95, publicados no Diário da República, II Série, de 10 de Agos­to de 1993 e 26 de Junho de 1995, respectivamente, para cuja fundamentação se remete, dado não se vislumbrar motivo válido que a afaste, a relevar se caso fosse de conhecer da questão de fundo.

Tanto basta - repete-se - para se concluir pela inexistência do alegado vicio de inconstitucionalidade.

III

Lisboa, 5 de Dezembro de 1995

Alberto Tavares da Costa

Vítor Nunes de Almeida

Armindo Ribeiro Mendes

Antero Monteiro Diniz

Maria Fernanda Palma

Maria Assunção Esteves

José Manuel Cardoso da Costa