Constitutional Court dismisses appeal as amnestia law extinguishes the fine before ruling on constitutionality.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court declared the appeal against a fine for operating an elderly care home without a license extinguished due to a subsequent amnestia law. The defendant had challenged the fine's legality, arguing the governing decree was organically unconstitutional for applying to individuals. The court ruled that the newly enacted amnestia law rendered the underlying fine void, making any constitutional review of the original norm unnecessary and useless.
Legislator headnote
AI generatedLei nº 15/94, de 11 de Maio; When a subsequent amnestia law extinguishes a fine, a pending constitutional challenge to the original norm is extinguished as the matter is resolved.
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Acórdão 484/94
ACÓRDÃO Nº 484/94
Procº nº 49/94
Rel. Cons. Alves Correia
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:
Impugnada tal decisão pelo arguido, recusou o Mmº Juiz do Tribunal do Trabalho de Lisboa, por Sentença de 6 de Dezembro de 1993, com fundamento em inconstitucionalidade orgânica, a aplicação da norma do artigo 27º do citado Decreto--Lei nº 30/89.
No referido aresto escreveu, entre o mais, o Mmº Juiz:
"O Governo, através do artigo 27º do Decreto-Lei nº 30/89, extravasou, para as pessoas singulares, como é o caso, os limites do regime geral sancionatório. Verifica-se, consequentemente, que este diploma, nesta parte, é organicamente inconstitucional, pois o Governo modificou o regime punitivo dos actos ilícitos contra-ordenacionais praticados por pessoas singulares, o que só poderia ser feito pela Assembleia da República ou pelo Governo, mediante autorização daquela. A norma em causa é, assim, nula no que respeita a pessoas singulares".
Desta decisão interpôs o Ministério Público, obrigatoriamente, o presente recurso, nos termos das disposições constitucionais e legais aplicáveis.
2. Acontece, porém, que, encontrando-se o processo pendente neste Tribunal, foi publicada a Lei nº 15/94, de 11 de Maio, que, entre outras infracções, amnistiou as contra-ordenações puníveis com coima até 2000 contos, com excepção das de natureza fiscal, aduaneira, financeira e bancária [artigo 1º, alíneas f)f)].
Em face disso, foram os autos remetidos ao Tribunal do Trabalho de Lisboa, para eventual aplicação dessa amnistia à infracção em causa no presente processo. Aí, o Mtº Juiz, por despacho de 11 de Junho de 1994, julgou amnistiada a contra-ordenação imputada a A..
3. Devolvidos os autos a este Tribunal, nada mais resta do que julgar extinto o presente recurso, por inutilidade surperveniente, de harmonia com a jurisprudência reiterada e uniforme deste Tribunal (cfr., inter alia, os Acórdãos nºs. 275/86, 284/86 e 13/87), uma vez que a decisão que o Tribunal Constitucional viesse a proferir sobre a questão da constitucionalidade da norma acima referida, que constitui o objecto do presente recurso, não poderia influir de todo na questão de fundo - facto que bem se compreende se se tiver em conta que o recurso de constitucionalidade desempenha sempre uma função instrumental (cfr., por todos, o Acórdão nº 234/91, publicado no Diário da República, II Série, nº 217, de 20-09 1991).
4. Nos termos e pelos fundamentos expostos, decide-se julgar extinto o recurso.
Lisboa,12 de Julho de 1994
Fernando Alves Correia
Guilherme da Fonseca
Messias Bento
José de Sousa e Brito
Bravo Serra
Luís Nunes de Almeida
José Manuel Cardoso da Costa