Legislator Case Law & Legislation
TC_19940044 AI generated

Constitutional Court dismisses appeal confirming labor court's jurisdiction over debt execution despite prior unconstitutionality declaration.

Case Number TC_19940044
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court rejected the Public Prosecutor's appeal against a labor court's decision to handle debt execution proceedings. Although the specific procedural rule was previously declared organically unconstitutional by this same court, the ruling was applied to the current case. The court confirmed the original labor court's jurisdiction because the declaration of unconstitutionality remains in force and binding.

Legislator headnote

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Art. 26.º n.º 1 do CPT, redacção do art. 1.º do Dec.-Lei nº 315/89; When a norm is declared organically unconstitutional with general binding force, it must be applied as if it were valid in cases where the declaration has already been issued.

Keywords

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organically unconstitutional general binding force labor court jurisdiction debt execution proceedings procedural law unconstitutionality Constitutional Court ruling res judicata effect

Cited Legislation

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Art. 26.º n.º 1 do CPT, redacção do art. 1.º do Dec.-Lei nº 315/89
a) e 3, 75º nº 1, 75- A e 78º nº 4 da Lei nº 28/82 de 15/ /11", porque tal despacho "recusou, com fundamento em inconstitucionalidade, a aplicação do art. 26º nº 1 do C.
Art. 280.º n.º 1 al. a) e 3 da C.R.P.
Deste despacho recorreu para o Tribunal Constitucional o Representante do Ministério Público junto do Tribunal de comarca de Alcobaça, o que fez, disse, "nos termos dos artºs. 280º nºs.
Art. 70.º n.º 1 al. a)
Art. 72.º n.º 1 al. a) e 3
Art. 75.º n.º 1
Art. 75-A
Art. 78.º n.º 4 da Lei nº 28/82

Cited Case Law

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Acórdão nº 139/92
Esta disposição, contudo, foi julgada 'organicamente' inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, pelo acórdão nº 139/92, publicado no D.R.
Acórdão nº 805/93
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Full text

Acórdão 44/94

ACÓRDÃO Nº 44/94

Procº nº 145/93.

2ª Secção.

Relator:- Consº BRAVO SERRA.

I

1. O Tribunal do Trabalho de Leiria, nos autos de execução por coima ditos 7/93, por ali pendentes, deprecou ao Tribunal de comarca de Alcobaça a penhora de bens, de preferência móveis, pertencentes à executada A., suficientes para garantir o pagamento da quantia exequenda de Esc. 10.200$00, e, bem assim, a sua notificação nos termos do artº 927º, nº 3, do Código de Processo Civil.

2. Recebida no aludido Tribunal de comarca a carta precatória, o Senhor Juiz exarou na mesma despacho com o teor seguinte:

"Solicita o tribunal de Trabalho de Leiria, por carta precatória, se proceda à penhora de bens.

Tal, pressupõe certamente o disposto no artº 26º, nº 1 do CPT, na redacção do artº 1º do Dec.-Lei nº 315/89 de 21 de Setembro, que dispõe que 'quando tenham de ser efectuadas em comarca diferente daquela em que o tribunal tem a sua sede, são solicitadas ao tribunal de Trabalho sediado naquela comarca, se o houver, e, não havendo, ao tribunal de competência genérica com sede naquela comarca...'.

Esta disposição, contudo, foi julgada 'organicamente' inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, pelo acórdão nº 139/92, publicado no D.R. II série de 21/8/92.

Nesta conformidade, avocando a anterior redacção do artº 26º do CPT e conjugando-a com o Dec.-Lei nº 214/88 (Reg. da Lei Orgânica dos Trib.) conclui-se ser competente para a diligência deprecada o tribunal deprecante.

3. Deste despacho recorreu para o Tribunal Constitucional o Representante do Ministério Público junto do Tribunal de comarca de Alcobaça, o que fez, disse, "nos termos dos artºs. 280º nºs. 1 al. a) e 3 da C.R.P., 70º nº 1 al. a) 72º, nºs. 1 al. a) e 3, 75º nº 1, 75- A e 78º nº 4 da Lei nº 28/82 de 15/ /11", porque tal despacho "recusou, com fundamento em inconstitucionalidade, a aplicação do art. 26º nº 1 do C. Proc. do Trabalho, na redacção que lhe foi dada pelo artº 1º do Dec. Lei 315/89 de 21/9".

4. Admitido o recurso, neste Tribunal apresentou alegação o Ex.mo Procurador-Geral Adjunto, que a concluiu no sentido de se dever confirmar a decisão recorrida na parte impugnada, dado que a norma constante do nº 1 do artº 26º do Código de Processo de Trabalho, na redacção dada pelo Decreto-Lei nº 315/89, de 21 de Setembro, é organicamente inconstitucional, por isso que a mesma incide sobre matéria contida na reserva legislativa de competência da Assembleia da República e, não obstante, foi editada por diploma emanado do Governo sem que estivesse munido da necessária autorização legislativa.

II

1. Sobre a matéria objecto do presente recurso, ou seja, a questão de saber se a norma ínsita no nº 1 do artº 26º do Código de Processo de Trabalho, na redacção dada pelo Decreto-Lei nº 315//89, de 21 de Setembro, é ou não conforme à Constituição, prolatou este Tribunal em 30 de Novembro de 1993 o Acórdão nº 805/93, publicado na 1ª Série do Diário da República de 4 de Janeiro de 1994, por intermédio do qual se decidiu, com vários votos de vencido, entre os quais o do ora relator, declarar a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da aludida norma.

Assim sendo, nada mais resta do que aplicar, ao presente caso, aquela declaração de inconstitucionalidade.

III

Em face do exposto, nega-se provimento ao recurso, em consequência se confirmando o despacho impugnado.

Lisboa, 19 de Janeiro de 1994

Bravo Serra

Fernando Alves Correia

Guilherme da Fonseca

Messias Bento

José de Sousa e Brito

José Manuel Cardoso da Costa