Legislator Case Law & Legislation
504/93 AI generated

Portuguese Constitutional Court declares expropriation code article unconstitutional for violating property rights and social function. The court ruled that the specific provision restricting property rights without sufficient justification violated constitutional principles. Consequently, the court revoked the lower court's decision and ordered the norm's invalidation. The court emphasized that while property has a social function, the specific restriction in question lacked constitutional justification. The decision ensures that expropriation procedures strictly adhere to constitutional guarantees of property rights. This ruling clarifies the balance between public utility and individual property protection in Portuguese law.

Case Number 504/93
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Constitutional Court granted the admissibility of the constitutional challenge against Article 3(2) of the 1976 Expropriation Code. The appellant, a family head, argued that the provision violating property rights was unconstitutional, while the lower court had previously rejected the appeal citing the social function of property. The court decided to uphold the challenge, ruling that the specific norm violated Articles 13 and 62 of the Constitution. As a result, the court declared the norm unconstitutional and ordered the revocation of the lower court's judgment.

Legislator headnote

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Art. 13º, 62º n.º 2 da Constituição; A norma que restringe o direito de propriedade sem justificação constitucional suficiente viola os princípios da função social e da proteção da propriedade, devendo ser declarada inconstitucional.

Keywords

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Constitutional Challenge Expropriation Code Property Rights Social Function Constitutional Violation Revocation of Judgment Public Utility

Cited Legislation

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Art. 13º da Constituição
3º do Código das Expropriações de 1976 (Decreto-Lei nº 845/76, de 11 de Dezembro), por violação do disposto nos arts. 13º e 62º, nº 2, da Constituição e, em consequência, revogar o acórdão recorrido, o qual deverá ser reformado de harmonia com o julgamento em matéria de constitucionalidade.
Art. 62º, n.º 2 da Constituição
156 e 162 dos autos, denegou a referida apelação, considerando que a norma em causa não violava nenhum princípio ou norma constitucional, nomeadamente o art. 62º da Lei Fundamental, por ser "um princípio constitucional a subordinação do direito de propriedade a uma função social".
Art. 3º, n.º 2 do Código das Expropriações de 1976 (Decreto-Lei nº 845/76)
70º da Lei do Tribunal Constitucional e que tem por objecto a questão da alegada inconstitucionalidade do nº 2 do art. 3º do Código das Expropriações por Utilidade Pública de 1976 (Decreto-Lei nº 845/76, de 11 de Dezembro), por violação dos arts.
Art. 70º, n.º 1, alínea b) da Lei do Tribunal Constitucional
Daí o presente recurso de constitucionalidade, interposto ao abrigo da alínea b) do nº 1 do art. 70º da Lei do Tribunal Constitucional e que tem por objecto a questão da alegada inconstitucionalidade do nº 2 do art.
Art. 78º-A, n.º 1 da Lei do Tribunal Constitucional
(Art. 78º-A. nº 1, DA LEI DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL)

Cited Case Law

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Acórdão n.º 262/93 do Tribunal Constitucional
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TC_19950072
Portuguese Constitutional Court declares expropriation compensation clause unconstitutional for violating property rights.
TC_19990243
Constitutional Court declares Expropriation Code article unconstitutional for denying compensation for pre-existing building capacity under legal non-building servitudes.
381/94
Portuguese Constitutional Court dismisses expropriation claim for refusing to apply previously declared unconstitutional law.
60/88
Portuguese Constitutional Court dismisses MP appeal confirming prior general declaration of unconstitutionality of expropriation code article.
190/90
Portuguese Constitutional Court dismisses appeal for non-constitutionality raised only after final judgment. The court held that constitutional challenges must be raised during proceedings. The court ruled that the appellant failed to raise the constitutional issue of the cited laws during the trial. Consequently, the appeal was rejected because the constitutional question was not timely raised. The court emphasized that post-judgment challenges generally do not constitute a valid procedural basis for review. This decision reinforces the requirement for timely constitutional objections. The court concluded that the appeal lacked merit due to procedural impropriety. The ruling clarifies the strict timeline for raising constitutional issues. The court maintained that late challenges are inadmissible under the relevant legal framework. The decision upholds the principle of procedural economy and legal certainty. The court's stance ensures that constitutional questions are resolved within the proper procedural context.

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Full text

Acórdão 800/93

ACÓRDÃO N° 800/93

Processo nº 504/93

1ª Secção

Relator: Conselheiro Ribeiro Mendes

Acordam na 1ª Secção do Tribunal Constitucional

Nos autos de recurso de constitucionalidade, em que é recorrente A., na qualidade de cabeça de casal da herança indivisa deixada pelos óbitos de B. e de seu marido C., e recorrido o Ministério Público, pelos fundamentos constantes da exposição preliminar do relator e que reproduzem os acolhidos no acórdão nº 262/93 deste Tribunal - exposição cujo teor mereceu a concordância do recorrente e da entidade recorrida - decide o Tribunal Constitucional conceder provimento ao recurso, julgar inconstitucional a norma do nº 2 do art. 3º do Código das Expropriações de 1976 (Decreto-Lei nº 845/76, de 11 de Dezembro), por violação do disposto nos arts. 13º e 62º, nº 2, da Constituição e, em consequência, revogar o acórdão recorrido, o qual deverá ser reformado de harmonia com o julgamento em matéria de constitucionalidade.

Lisboa, 30 de Novembro de 1993

Armindo Ribeiro Mendes

Vítor Nunes de Almeida

Alberto Tavares da Costa

Antero Alves Monteiro Diniz

António Vitorino

Assunção Esteves

José Manuel Cardoso da Costa (vencido, conforme declaração junta ao Acórdão n.º 262/93)

EXPOSIÇÃO PRELIMINAR DO RELATOR

(Art. 78º-A. nº 1, DA LEI DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL)

1. Nos presentes autos de recurso de constitucionalidade, em que é recorrente A., na qualidade de cabeça de casal da herança indivisa deixada pelos óbitos de B. e seu marido C., e recorrido o Ministério Público, sustentou aquele que estava afectado de inconstitucionalidade o art. 3º, nº 2, do Código das Expropriações de 1976, em recurso de apelação interposto, para o Tribunal da Relação do Porto e que versava sobre uma expropriação por utilidade pública de terrenos com vista à construção de estradas, com constituição de uma servidão non aedificandi prevista na Lei nº 2110, de 19 de Agosto de 1961 (art. 58°, nº 1), sobre parcelas sobrantes não expropriadas. Todavia, o acórdão dessa Relação proferido em 3 de Novembro de 1992, a fls. 156 e 162 dos autos, denegou a referida apelação, considerando que a norma em causa não violava nenhum princípio ou norma constitucional, nomeadamente o art. 62º da Lei Fundamental, por ser "um princípio constitucional a subordinação do direito de propriedade a uma função social".

Daí o presente recurso de constitucionalidade, interposto ao abrigo da alínea b) do nº 1 do art. 70º da Lei do Tribunal Constitucional e que tem por objecto a questão da alegada inconstitucionalidade do nº 2 do art. 3º do Código das Expropriações por Utilidade Pública de 1976 (Decreto-Lei nº 845/76, de 11 de Dezembro), por violação dos arts. 13º e 62º, nº 2, [por lapso, indica-se o nº 1] da Constituição, invocada nas alegações no recurso de apelação pelo ora recorrente (cfr. requerimento de fls. 186 e alegações de fls.149 e seguintes).

2. É entendimento do relator que o presente recurso merece provimento pelas razões constantes do acórdão nº 262/93 do Tribunal Constitucional (publicado no Diário da República. II Série, nº 169, de 21 de Julho de 1993), o qual versou sobre idêntico objecto.

3. Ouçam-se as partes pelo prazo de 5 dias sobre o teor desta exposição (art. 782., -A, nº 1, da Lei do Tribunal Constitucional).

Lisboa, 25 de Outubro de 1993

O Relator,

Armindo Ribeiro Mendes