Portuguese Constitutional Court dismisses a claim for lack of admissibility due to failure to properly raise constitutional issues.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court dismissed a constitutional complaint filed by a party against a Supreme Court decision. The applicant argued that the lower court failed to apply specific laws whose constitutionality had been previously challenged, yet the court found no clear or direct indication of such constitutional questions in the applicant's submissions. Consequently, the court ruled that the essential requirement of having previously and perceptibly raised the constitutional issue was not met, rendering the complaint inadmissible.
Legislator headnote
AI generatedArt. 280(1)(b) of the Constitution; Art. 70(1)(b) of Law 28/82: A constitutional complaint is inadmissible if the applicant failed to perceptibly and directly raise the constitutional issue of the specific norm applied in the contested decision during the proceedings.
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Acórdão 602/93
ACÓRDÃO Nº 602/93
Proc. nº 275/93
1ª Secção
Rel. Cons. Monteiro Diniz
Acordam no Tribunal Constitucional:
1 - O Supremo Tribunal de Justiça, por acórdão de 21 de Maio de 1992, "dada a insanável incompreensão do requerido", indeferiu um requerimento ali apresentado por A., na sequência de uma anterior decisão, no qual se peticionava fossem sanadas "as sobreditamente esquiçadas incompetência, inconstitucionalidade e nulidade-inexistência jurídica" (fls. 25).
Aquele requerente, sob a invocação do disposto no artigo 280º, nº 1, alínea b) da Constituição e 70º, nºs 1, alínea b) e 2, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, interpôs então recurso, para o Tribunal Constitucional, suportando-se nos seguintes dizeres:
"1. Mediante m/ apresentações, "maxime" de 18.9.1991 e 27.4.1992, suscitei inconstitucionais interpretação e aplicação ainda quando meramente implícitas - de "v.g., maxime":
1a. C.P.C artsº 3º, 201º, 456º, 2, 535º, 538º, 659º, 2,
660º, 668º, 1, d), 676º, 1, 684º, 3, e 687º, 4; Dec.-Lei nº 387-B/87, de 29.12., preâmbulo, e artºs 24º, 1, b), e 2, 41º, e 56º a 58º, e Dec.-Lei nº 391/88, de 26.10., artº 3º; e C.C.J. artºs 1º, 2, e 120º.
2. Porquanto, violam, "v.g., maxime":
2a. C.R.P., artºs. 1º a 3º, 8º, 13º a 22º, 32º, 1, 62º, 205º, 1 e 2, 206º, 207º, 208º, 1, (266º), 277º, 1, e 288º, 1, d); DUDH, artºs. 7º, 8º, 10º, 12º e 17º; PIDCP., artºs 2º, 3, a), e b), 14º, 1, I, e II, e 17º; e CEDH., artºs 6º, 8º, 13º e 14º, e PROT. (à CEDH.) nº 1, artº 1º."
Este recurso não foi recebido por despacho do Relator, mantido por acórdão da conferência, com base no entendimento de que a decisão recorrida não fez aplicação de qualquer norma cuja inconstitucionalidade houvesse sido suscitada durante o processo, inexistindo assim este pressuposto da sua admissibilidade.
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2 - Trouxe então a presente reclamação a este Tribunal, contestando no respectivo requerimento que não haja suscitado qualquer questão de inconstitucionalidade, como bem resulta "m/apresentações de 18.9.1991 e 27.4.1992 que aqui dou e integralmente por reproduzidas; e cujas normas - ainda quando só por implícitas interpretação e aplicação ou não - invocadas inconstitucionais: claramente inventariei em tal meu sobredito requerimento de interposição de recurso".
Os autos foram ao visto do senhor Procurador-Geral Adjunto que se pronunciou no sentido de a reclamação dever ser sumariamente indeferida.
Passados os demais vistos de lei, cabe agora apreciar e decidir.
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3 - Em conformidade com o disposto nos artigos 280º, nº 1, alínea b) da Constituição e 70º, nº 1, alínea b), da Lei nº 28/82, cabe recurso para o Tribunal Constitucional das decisões dos tribunais "que apliquem norma cuja inconstitucionalidade haja sido suscitada durante o processo".
A admissibilidade desta particular espécie de fiscalização concreta de constitucionalidade depende, além de outros, da concorrência de dois requisitos essenciais: (1) a inconstitucionalidade de certa norma há-de ter sido previamente suscitada pelo recorrente durante o processo; (2) tal norma, não obstante a arguição da sua inconstitucionalidade, terá de vir a ser depois utilizada na decisão objecto do recurso, como fundamento normativo do próprio julgamento da causa.
O primeiro destes pressupostos de admissibilidade do recurso apenas se pode ter por verificado quando o recorrente haja suscitado a questão de constitucionalidade de modo perceptível e directo, indicando a disposição legal arguida de inconstitucional ou, no caso de apenas questionar certa interpretação que dela foi feita, enunciando qual o sentido ou a dimensão normativa que tem por violadora da Constituição, sendo certo que esta suscitação há-de ocorrer durante o processo.
Por seu turno, e quanto ao segundo daqueles pressupostos, a norma cuja inconstitucionalidade tenha sido suscitada, haverá de servir de fundamento à decisão recorrida, aí sendo aplicada na sequência do desatendimento do vício de inconstitucionalidade que lhe era assacado.
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4 - À luz dos princípios sumariamente expostos, há-de dizer-se que o reclamante não suscitou válida e adequadamente a questão de constitucionalidade de qualquer norma jurídica utilizada no acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 21 de Maio de 1992.
Com efeito, dos requerimentos a que faz alusão - "apresentações de 18 de Setembro de 1991 e 27 de Abril de 1992" - não se extrai, de modo minimamente perceptível, o sentido e alcance de qualquer inconstitucionalidade normativa que haja servido de fundamento aquela decisão.
E assim sendo, o recurso de constitucionalidade sempre haveria de ser rejeitado.
Nestes termos, decide-se indeferir a presente reclamação.
Custas pelo reclamante, fixando-se a taxa de justiça em 5 UCs.
Lisboa, 3 de Novembro de 1993
Antero Alves Monteiro Dinis
António Vitorino
Alberto Tavares da Costa
Maria da Assunção Esteves
Vítor Nunes de Almeida
Armindo Ribeiro Mendes
José Manuel Cardoso da Costa