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265/90 AI generated

Portuguese Constitutional Court upheld Article 16(3) of the Criminal Procedure Code as constitutional despite defense arguments.

Case Number 265/90
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Constitutional Court granted the Public Prosecutor's appeal against a judge's declaration of unconstitutionality regarding Article 16(3) of the Criminal Procedure Code. The prosecutor argued the provision did not violate constitutional principles, while the dissenting judge contended it infringed on defense guarantees by allowing a single judge to try cases where the maximum penalty exceeds three years. The majority ruled that the norm is valid because it does not violate equality, legality, or other constitutional principles, even if it risks a less favorable trial outcome.

Legislator headnote

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Art. 16(3) of the Criminal Procedure Code; The provision allowing a single judge to try cases where the maximum penalty exceeds three years upon the Public Prosecutor's request is constitutional and does not violate the principles of equality, legality, or defense guarantees.

Keywords

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Criminal Procedure Code Single Judge Trial Constitutional Validity Defense Guarantees Public Prosecutor Request Portuguese Constitution Judicial Competence

Cited Legislation

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Art. 16(3) of the Criminal Procedure Code
Art. 16(4) of the Criminal Procedure Code
Art. 205 of the Portuguese Constitution
Art. 206 of the Portuguese Constitution
Art. 32(1) of the Portuguese Constitution
artigo 16º do Código de Processo Penal
II Série, de 14 de Setembro de 1989), uma jurisprudência uniforme – embora não unânime – do Tribunal Constitucional tem entendido que a norma contida no nº 3 do artigo 16º do Código de Processo Penal não é inconstitucional.
artigo 32º da Constituição

Cited Case Law

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Acórdão nº 393/89
Desde o Acórdão nº 393/89 (D.R.
Acórdão nº 31/91
O Juiz declarou-se incompetente por julgar inconstitucional tal norma (também se refere o nº 4 do artigo 16º, mas apenas o nº 3 deste preceito foi efectivamente "desaplicado" e pode ser objecto da presente sindicância, como se evidenciou no Acórdão nº 31/91 - D.R.
Acórdão nº 435/89
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Full text

Acórdão 233/93

ACÓRDÃO Nº 233/93

Processo nº 265/90

2ª Secção

Relator: Conselheiro Sousa e Brito

Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:

I

Relatório

1. O Magistrado do Ministério Público no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal acusou os arguidos A. e B. da prática, em co-autoria, de um crime de falsificação de documento, previsto e punível nos termos do disposto no artigo 228°, nºs 1, alíneas a) e b), e 2, do Código Penal.

2. A pena a aplicar este crime excede, no seu limite máximo, 3 anos de prisão – é de 1 a 4 anos de prisão.

No entanto, o Magistrado do Ministério Público requereu a intervenção do tribunal singular, prevalecendo-se do regime previsto no nº 3 do artigo 16º do Código de Processo Pe­nal (com a redacção que lhe foi dada pelo artigo 4º do Decreto-Lei nº 387-E/87, de 29 de Dezembro).

3. O Juiz declarou-se incompetente por julgar inconstitucional tal norma (também se refere o nº 4 do artigo 16º, mas apenas o nº 3 deste preceito foi efectivamente "desaplicado" e pode ser objecto da presente sindicância, como se evidenciou no Acórdão nº 31/91 - D.R. II Série, de 25 de Junho de 1991).

É desta decisão que vem o presente recurso, in­terposto pelo Magistrado do Ministério Público.

4. Nas suas alegações, o Procurador-Geral Adjun­to em exercício neste Tribunal concluiu que a norma em crise não viola qualquer norma ou princípio constitucionais e que, por conseguinte, deve ser concedido provimento ao recurso.

II

Fundamentação

5. Desde o Acórdão nº 393/89 (D.R. II Série, de 14 de Setembro de 1989), uma jurisprudência uniforme – embora não unânime – do Tribunal Constitucional tem entendido que a norma contida no nº 3 do artigo 16º do Código de Processo Penal não é inconstitucional.

Nomeadamente o Acórdão nº 31/91, que se junta, sustentou que tal norma legal não viola os princípios da igual­dade, da legalidade, da reserva do juiz, da independência do juiz, do juiz natural, da acusação e das garantias de defesa. Continua a entender-se assim, pelas razões explicitadas neste acórdão.

III

6. Por conseguinte, concede-se provimento ao recurso e revoga-se o despacho recorrido, que deve ser reformu­lado em conformidade com o juízo aqui proferido sobre a questão de inconstitucionalidade suscitada.

Lisboa, 17 de Março de 1993

José de Sousa e Brito

Messias Bento

Fernando Alves Correia

Mário de Brito (vencido, nos termos da declaração de voto junta)

Luís Nunes de Almeida (vencido, nos termos da declaração de voto junta ao Acórdão n.º 393/89).

Processo nº 265/90

DECLARAÇÃO DE VOTO

Dispõe o nº 3 do artigo 16° do Código de Processo Penal aprovado pelo Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei n.º 387-E/87, de 29 de Dezembro:

Compete ainda ao tribunal singular julgar os processos por crimes previstos no artigo 14º, nº 2, mesmo em caso de concurso de infracções, quando o Ministério Público, na acusação, ou em requerimento, quando for superveniente o conhecimento do concurso, entender que não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a três anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo.

E o nº 4 do mesmo artigo acrescenta:

No caso previsto no número anterior, o tribunal não pode aplicar pena de prisão ou medida de internamento superior a três anos.

Em declaração de voto que fiz v. g., nos acórdão nºs 393/89, de 18 de Maio, e 435/89, de 15 de Junho (no Diário da República, II Série, de 14 e 21 de Setembro de 1989 respectivamente), sustentei que aquele nº 3 é inconstitucional por violação dos artigos 205º e 206º da Constituição da República Portuguesa, na medida em que permite ao Ministério Público decidir que "não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a três anos ou medida de internamento por mais do que esse tempo" e consequentemente determinar que o julgamento do arguido seja feito pelo tribunal singular, em vez de o ser pelo tribunal colectivo ou pelo tribunal do júri.

Propendo hoje a considerar que tal norma ofendi também as "garantias de defesa" que, em geral, o n° 1 do artigo 32º da Constituição impõe que o processo criminal deve assegurar, É certo que não ser aplicada ao arguido, em concreto, "pena de prisão superior a três anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo" lhe é, em principio, mais favorável. Simplesmente, mais importante do que o quantum da sanção é o se da condenação e concebe-se perfeitamente que, julgado por um tribunal que oferece mais garantias de defesa, como é o tribunal colectivo ou o tribunal do júri, e sujeito, portanto, abstractamente, a uma pena de prisão superior a três anos, o arguido venha afinal a ser absolvido, quando, julgado pelo tribunal singular, poderia vir a ser condenado, embora em sanção não superior a três anos.

Mário de Brito