Portuguese Constitutional Court dismisses appeal confirming prior invalidation of widow's pension clause.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court denied the Public Prosecutor's appeal against a labor court ruling that refused to apply a specific widow's pension clause. The court relied on its own prior decision (191/88) which had already declared this specific provision unconstitutional due to gender discrimination. Consequently, the court confirmed the lower court's sentence, binding all authorities to the established unconstitutionality.
Legislator headnote
AI generatedArt. 280(1)(a) of the Constitution; Art. 70(1)(a) of Law 28/82; The Constitutional Court's prior declaration of unconstitutionality binds all authorities and courts, requiring the dismissal of appeals challenging the same norm.
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Acórdão 231/93
ACÓRDÃO Nº 231/93
Processo nº 350/91
2ª Secção
Relator: Conselheiro Sousa e Brito
Acordam na 2ª Secção de Tribunal Constitucional:
I
Relatório
1. O presente recurso foi interposto, obrigatoriamente, pelo Magistrado do Ministério Público, ao abrigo do disposto nos artigos 280º, nº 1, alínea a), da Constituição e 70º, nº 1, alínea a), da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, na redacção dada pela Lei nº 85/89, de 7 de Setembro, e vem de sentença proferida pelo Juiz do Tribunal do Trabalho de Sintra, que recusou a aplicação da alínea b) do nº 1 da Base XIX da Lei n° 2127, de 3 de Agosto de 1965, com fundamento em inconstitucionalidade material.
2. A norma sub judicio já foi declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, pelo Acórdão do Tribunal Constitucional nº 191/88 (D.R., I Série, de 6 de Outubro de 1988). Por isso, foi feita a exposição prevista no artigo 78º-A da Lei nº 28/82, aditado pela Lei nº 85/89.
3. Ouvidas as partes, o representante do Ministério Público no Tribunal Constitucional manifestou a sua inteira concordância com a exposição - que concluiu que se deve nega provimento ao recurso e confirmar a sentença recorrida, na parte respeitante a questão da inconstitucionalidade suscitada, e
consonância com a já referida declaração de inconstitucionalidade - e o recorrido não apresentou resposta.
II
Fundamentação
4. "Sem pôr em causa o direito do viúvo a ser recebedor de pensão por morte infortunística do outro cônjuge calculável em função da retribuição base da vítima", o Tribunal Constitucional declarou, no citado Acórdão nº 191/68, "... inconstitucionalidade da norma da alínea b) do nº 1 da Base XIX da Lei nº 2127, de 3 de Agosto de 1965, na parte apenas em que atribui ao viúvo, em caso de falecimento do outro cônjuge em acidente de trabalho, e havendo casado previamente ao acidente, uma pensão anual de 30% da retribuição base da vitima, e isto desde que esteja afectado de doença física ou mental que lhe reduza sensivelmente a capacidade de trabalho ou seja de idade superior a 65 anos à data da morte da mulher."
5. A declaração de inconstitucionalidade da aludida norma, com força obrigatória geral, implica a vinculação de todas as autoridades administrativas e de todos os tribunais -incluindo o Tribunal Constitucional - e a força de lei - que alarga a obrigatoriedade das sentenças a todas as pessoas juridicamente afectadas pela norma declarada inconstitucional (cfr. Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constituição da República Portuguesa Anotada, 2º vol., 2ª ed., 1985, pp. 535-6).
6. Assim, cabe apenas ao Tribunal Constitucional, no caso vertente, negar provimento ao recurso e confirmar a sentença recorrida, na parte respeitante à questão de inconstitucionalidade suscitada, em consonância com a referida declaração de inconstitucionalidade.
III
Decisão
7. Pelos motivos expostos, decide-se aplicar a presente caso a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma constante da alínea b) do n° 1 da Base XIX da Lei nº 2127, de 3 de Agosto de 1965, ínsita no Acórdão do Tribunal Constitucional n° 191/89, publicado no D.R., I Série, de 6 de Outubro de 1988, negando-se provimento ao recurso e confirmando-se a sentença recorrida, na parte respeitante à questão de inconstitucionalidade suscitada.
Lisboa, 17 de Março de 1993
José de Sousa e Brito
Messias Bento
Mário de Brito
Fernando Alves Correia
Luís Nunes de Almeida