Portuguese Constitutional Court dismisses appeal for non-exhaustion of constitutional review requirements under CPL articles 410 and 433.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court refused to examine the appeal filed by a drug trafficker against a Supreme Court judgment. The appellant attempted to raise constitutional issues regarding CPL articles 410 and 433, but the Court found these arguments inadmissible because the inconstitutionality of the cited norms was never raised during the trial proceedings. Furthermore, the Court noted that the specific provision regarding prior unconstitutionality judgments had not been applied in this case, rendering the appeal procedurally barred.
Legislator headnote
AI generatedArt. 70(1)(b) and (h) of Law 28/82; Constitutional appeals are inadmissible if the constitutional question was not raised during the trial or if the cited norm was never applied and previously declared unconstitutional.
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Acórdão 179/93
ACÓRDÃO Nº 179/93
Proc. nº 720/92
2ª Secção
Relator: Cons. Luís Nunes de Almeida
Acordam, em conferência, no Tribunal Constitucional:
1. O Tribunal Judicial de Vila Franca de Xira condenou A. pela prática de um crime de tráfico-consumo de estupefacientes, previsto e punível pelo artigo 25º, nº 1, do Decreto-Lei nº 430/83, de 13 de Dezembro, na pena de dez meses de prisão e cinquenta mil escudos de multa, declarando perdoada, de harmonia com o disposto no artigo 14º, nº 1, alíneas b) e c), da Lei nº 23/91, de 4 de Julho, toda a pena de prisão e metade da multa.
Porém, o Supremo Tribunal de Justiça, em recurso interposto pelo Ministério Público, alterou a decisão, condenando antes o arguido, pela autoria material de um crime de tráfico de estupefacientes, previsto e punível pelo artigo 23º, nº 1, daquele Decreto-Lei nº 430/83, na pena de seis anos e três meses de prisão, reduzida a cinco anos e três meses de prisão com o perdão previsto no artigo 14º, nº 1, alínea b) da Lei nº 23/91.
O arguido reclamou do acórdão, pedindo a sua aclaração relativamente à matéria considerada como provada, o que foi indeferido.
Interpôs então recurso para o Tribunal Constitucional, onde, a convite do relator, esclareceu que o fazia ao abrigo do disposto no artigo 70º, nº1, alíneas b) e h) da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, e que as normas a apreciar eram as do artigo 433º do Código de Processo Penal, "por força do disposto no artigo 410º do mesmo diploma". Acrescentou que este Tribunal, anteriormente, já declarou inconstitucional o artigo 665º do C.P.P. de 1929, por ser obrigatório o duplo grau de jurisdição".
Face a este esclarecimento, porém, o relator apresentou exposição prévia no sentido de não se poder conhecer do objecto do recurso ao abrigo de qualquer das alíneas citadas. O Ministério Público concordou com este parecer e o arguido não se pronunciou sobre ele.
Dispensando-se os vistos, cumpre decidir a questão prévia.
2. Efectivamente, não pode conhecer-se do objecto do recurso.
É que, quanto à alínea b) do artigo 70º, nº 1, da Lei nº 28/82, a questão de inconstitucionalidade das normas impugnadas - artigos 410º e 433º do C.P.P. novo - não foi suscitada durante o processo, mas apenas depois de proferido o acórdão do tribunal a quo, no próprio requerimento de interposição do recurso, conforme o próprio recorrente indica.
E, por outro lado, quanto à alínea h) do mesmo artigo 70º, nº 1, da Lei nº 28/82, a norma do artigo 665º do Código de Processo Penal de 1929 nunca foi julgada inconstitucional pela Comissão Constitucional - sendo certo que aquela alínea só admite recurso para o Tribunal Constitucional de decisões judiciais que apliquem norma já anteriormente julgada inconstitucional pela Comissão Constitucional, nos precisos termos em que seja requerida a sua apreciação ao Tribunal Constitucional. Seja como for, porém, tal norma não foi aplicada no presente processo, pelo que sempre o recurso seria inadmissível, quer fosse baseado nesta alínea h), quer na alínea g) do artigo 70º, nº 1, da Lei nº 28/82. Isto é, como se afirmou na exposição prévia do relator: "nem a norma do artigo 665º do C.P.P. de 1929 foi aplicada no presente processo, nem a mesma foi alguma vez julgada inconstitucional pela Comissão Constitucional".
3. Assim, e face ao exposto, decide-se não conhecer do objecto do recurso e condenar o recorrente nas respectivas custas, fixando-se em cinco U.C.'s a taxa de justiça.
Lisboa, 2 de Março de 1993
Luís Nunes de Almeida
Messias Bento
Mário de Brito
Bravo Serra
Fernando Alves Correia
José de Sousa e Brito
José Manuel Cardoso da Costa