Legislator Case Law & Legislation
TC_19930117 AI generated

Portuguese Constitutional Court dismisses appeal confirming prior ruling on unconstitutional fine limits.

Case Number TC_19930117
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court dismissed the Public Prosecutor's appeal regarding a municipal fine for unauthorized building alterations. The lower court had declared the procedure extinguished by amnesty, relying on a prior Constitutional Court decision that found the specific fine limit unconstitutional. The Court affirmed this precedent, ruling that the declaration of unconstitutionality with general binding force already precluded re-evaluating the norm's validity.

Legislator headnote

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Art. 280(1)(a), 3; Art. 70(1)(a), 72(3) of the Constitution; Art. 168(1)(d) of the Constitution: When a norm is declared unconstitutional with general binding force, the Constitutional Court is bound to apply that prior decision and cannot re-evaluate the norm's constitutional legitimacy.

Keywords

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general binding force unconstitutional declaration Constitutional Court precedent amnesty application administrative fine limits

Cited Legislation

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Art. 280(1)(a) of the Constitution
Art. 280(3) of the Constitution
Art. 70(1)(a) of the Constitution
Art. 72(3) of the Constitution
Art. 168(1)(d) of the Constitution
Art. 1 of Decree-Law 463/85

Cited Case Law

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Acórdão n.º 324/90
Acórdão n.º 329/92
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TC_19920337
O arguido impugnou judicialmente esta decisão junto do Tribunal de Polícia de Lisboa, sustentando não haver cometido a infracção dada como provada, uma vez que solicitou e obteve a aprovação do projecto e as licenças necessárias à execução das respectivas obras. O Senhor Juiz do tribunal de Polícia de Lisboa, por sentença de 7 de Janeiro de 1992, veio, porém, ao abrigo do disposto no artigo 1º, alínea dd), da Lei nº 23/91, de 4 de Julho, a declarar amnistiada a contra-ordenação em causa e, em consequência, extinto o respectivo procedimento contra-ordenacional.
TC_19930115
Portuguese Constitutional Court dismisses appeal confirming prior amnestia decision due to general binding force of previous unconstitutionality ruling.
TC_19930127
Portuguese Constitutional Court upholds a fine by declaring prior unconstitutionality binding and general. The court confirms the lower court's decision to reinstate the fine. The court ruled that the fine limit violated the Constitution. The court held that prior unconstitutionality declarations bind all authorities. The court confirmed the fine was reinstated due to prior rulings. The court applied the principle of general binding force of unconstitutionality. The court rejected the amnesty defense based on prior invalidity. The court confirmed the fine was legally reinstated. The court upheld the fine based on established unconstitutionality.
305/93
Portuguese Constitutional Court denies appeal, applying prior ruling invalidating excessive building fine limits.
495/92
Portuguese Constitutional Court upheld a fine's constitutionality despite prior invalidation due to general binding force of its own decision.

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Full text

Acórdão 117/93

ACÓRDÃO Nº 117/93

Proc. nº 608/92

1ª Secção

Rel. Cons. Monteiro Diniz

Acordam no Tribunal Constitucional:

I - A questão

Todavia, por decisão de 30 de Junho de 1992, o Senhor Juiz do 2º Juízo daquele Tribunal declarou extinto, por amnistia, o procedimento contra-ordenacional e, em consequência, ordenou o arquivamento dos autos.

Para tanto, com fundamento em inconstitucionalidade, recusou a aplicação da citada norma do artigo 162º, na redacção fixada pelo Decreto-Lei nº 463/85, na parte em que fixa o limite máximo da coima em montante superior a 500.000$00, e, considerando assim aquele limite reduzido para este montante, e porque a prática do respectivo acto contra-ordenacional ocorreu antes de 25 de Abril de 1991, julgou-a abrangida pela amnistia concedida pelo artigo 1º, alínea dd), da Lei nº 23/91, de 4 de Julho, às contra-ordenações dolosas, praticadas antes de 25 de Abril de 1991, puníveis com coima cujo limite máximo não exceda 500 contos.

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2 - Em conformidade com o disposto nos artigos 280º, nºs 1, alínea a) e 3, da Constituição e 70º, nº 1, alínea a) e 72º, nº 3, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, na redacção da Lei nº 85/89, de 7 de Setembro, o Ministério Público trouxe os autos em recurso ao Tribunal Constitucional.

Nas alegações entretanto produzidas pelo Senhor Procurador-Geral Adjunto, concluiu-se no sentido de se dever aplicar ao caso dos autos a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma constante do artigo 162º do Regulamento Geral das Edificações Urbanas (aprovado pelo Decreto-Lei nº 38382, de 7 de agosto de 1951), na redacção dada pelo artigo 1º do Decreto-Lei nº 463/85, de 4 de Novembro, na parte em que fixa em valor superior ao do regime geral o limite máximo da coima aplicável à contra-ordenação dolosa cometida por pessoa singular confirmando-se, assim, na parte impugnada, a decisão recorrida.

O arguido não apresentou contralegação.

Dada a manifesta simplicidade da questão a decidir, foram dispensados os vistos legais.

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II - A fundamentação

1 - Avaliando pela primeira vez a legitimidade constitucional da norma que aqui se questiona - artigo 162º, do Regulamento Geral das Edificações Urbanas, na redacção dada pelo artigo 1º do Decreto-Lei nº 463/85, de 4 de Novembro - este Tribunal, pelo seu Acórdão nº 324/90, Diário da República, II série, de 13 de Dezembro, proferido em processo de fiscalização concreta de constitucionalidade, decidiu no sentido da sua inconstitucionalidade, por violação do disposto no artigo 168º, nº 1, alínea d), da Constituição.

E na esteira dessa primeira decisão, firmou-se depois uma jurisprudência pacífica e uniforme reiteradora daquele julgamento inicial.

Neste interim, a coberto do disposto no artigo 281º, nº 3, da Constituição, na versão da revisão constitucional de 1989, o procurador-geral adjunto em exercício de funções no Tribunal Constitucional, requereu a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, daquela norma já julgada inconstitucional em três casos concretos, declaração essa que veio a ser produzida no Acórdão 329/92, Diário da República, I série-A, de 14 de Novembro de 1992, cuja parte decisória contém a seguinte formulação:

"Nestes termos e pelos fundamentos expostos, decide o Tribunal Constitucional declarar a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma do artigo 162º do RGEU, na redacção introduzida pelo artigo 1º do Decreto-Lei nº 463/85, de 4 de Novembro, mas apenas no segmento em que estabelece, para as coimas nele previstas aplicadas a pessoas singulares um limite máximo superior ao fixado no regime geral do ilícito de mera ordenação social (artigo 17º, nº 1, do Decreto-Lei nº 433/82, de 17 de Outubro), por violação do artigo 168º, nº 1, alínea d), parte final, da Constituição".

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2 - Tem vindo a ser entendido na jurisprudência e na doutrina que a caracterização e densificação do conceito de força obrigatória geral está dependente de dois elementos. (1) vinculação, pelas sentenças declarativas da inconstitucionalidade (ou de ilegalidade), de todos os órgãos constitucionais, de todos os tribunais e de todas as autoridades administrativas (efeito de vinculação); (2) força de lei das decisões de declaração de inconstitucionalidade (ou de ilegalidade), o que implica o alargamento da obrigatoriedade das sentenças a todas as pessoas físicas e jurídicas (e não apenas aos poderes políticos) juridicamente afectados, nos seus direitos ou obrigações, pela norma declarada inconstitucional (ou ilegal) - cfr. Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constituição da República Portuguesa Anotada, 2ª. ed., pp. 535 e 536.

Deste modo, uma vez que foi declarada a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma objecto de desaplicação na decisão recorrida não é já consentido, que este tribunal, proceda à avaliação da legitimidade constitucional da referida norma, pois que a vinculação a que também se acha sujeito perante a declaração com força obrigatória geral, lhe impõe a mera aplicação, no caso concreto, daquela sua anterior decisão.

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III - A decisão

Nestes termos, fazendo aplicação ao caso concreto da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, nega-se provimento ao recurso e confirma-se na parte impugnada, a decisão recorrida.

Lisboa, 14 de Janeiro de 1993

Antero Alves Monteiro Dinis

Vítor Nunes de Almeida

António Vitorino

Alberto Tavares da Costa

Maria da Assunção Esteves

Armindo Ribeiro Mendes

José Manuel Cardoso da Costa