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TC_19920027 AI generated

Constitutional Court allows MP's request for single-judge trial despite prior unconstitutionality ruling.

Case Number TC_19920027
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Constitutional Court granted the Public Prosecutor's request to try a defendant before a single judge rather than a collective tribunal. Although the defendant argued this violated constitutional guarantees of defense and the principle of a natural judge, the Court overruled its previous decision finding the relevant criminal procedure code article unconstitutional. The Court concluded that the specific statutory provision does not infringe constitutional rights, thereby permitting the single-judge trial to proceed.

Legislator headnote

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Art. 16(3) of the Criminal Procedure Code; Art. 32(1) of the Constitution: The provision allowing a single judge to try cases where the prosecution requests no sentence exceeding three years does not violate constitutional guarantees of defense or the principle of a natural judge.

Keywords

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single judge trial criminal procedure code constitutional guarantees natural judge principle Public Prosecutor request defendant's defense rights Constitutional Court ruling

Cited Legislation

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Art. 16(3) of the Criminal Procedure Code
Art. 32(1) of the Constitution
Art. 13 of the Constitution
Art. 114(2) of the Constitution
Art. 115(5) of the Constitution
Art. 168(1)(c) of the Constitution
Art. 205 of the Constitution
Art. 206 of the Constitution
Art. 224 of the Constitution
artigo 16º do Código de Processo Penal
Dispõe o nº 3 do artigo 16º do Código de Processo Penal aprovado pelo Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº 387-E/87, de 29 de Dezembro:

Cited Case Law

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Acórdão n.º 393/89
Acórdão n.º 41/90
Acórdão n.º 435/89
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Full text

Acórdão 27/92

ACÓRDÃO N° 27/92

Processo n° 438/91

2ª Secção

Relator: Conselheiro Messias Bento

Acordam, na 2ª secção , do Tribunal Constitucional:

Nestes autos, em que é recorrente o MAGISTRADO DO MINISTÉRIO PÚBLICO e recorrido A., -

pelas razões constantes dos acórdãos deste Tribunal nºs 393/89 e 41/90, referidos na exposição do relator,

- decide-se conceder provimento ao recurso e, em consequência, revogar a decisão recorrida que deve ser reformada em conformidade.

Lisboa, 15 de Janeiro de 1992

Messias Bento

Fernando Alves Correia

José de Sousa e brito (vencido nos termos da declaração de voto junta)

Luís Nunes de Almeida (vencido, nos termos da declaração de voto junta ao Acórdão nº 393/89)

José Manuel Cardoso da Costa

DECLARAÇÃO DE VOTO

Dispõe o nº 3 do artigo 16º do Código de Processo Penal aprovado pelo Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº 387-E/87, de 29 de Dezembro:

Compete ainda ao tribunal singular julgar os processos por crimes previstos no artigo 14º , nº 2, mesmo em caso de concurso de infracções, quando o Ministério Público, na acusação, ou em requerimento, quando for superveniente o conhecimento do concurso, entender que não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a três anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo.

E o nº 4 do mesmo artigo acrescenta:

No caso previsto no número anterior, o tribunal não pode aplicar pena de prisão ou medida de internamento superior a três anos.

Em declaração de voto que fiz, v.g.. nos acórdãos nºs 393/89, de 18 de Maio, e 435/89, de 15 de Junho (no Diário da República. II Série, de 14 e 21 de Setembro de 1989, respectivamente), sustentei que aquele nº 3 é inconstitucional, por violação dos artigos 205º e 206º da Constituição da República Portuguesa, na medida em que permite ao Ministério Público decidir que "não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a três anos ou medida de internamento por mais do que esse tempo" e consequentemente determinar que o julgamento do arguido seja feito pelo tribunal singular, em vez de o ser pelo tribunal colectivo ou pelo tribunal do júri.

Propendo hoje a considerar que tal norma ofende também as "garantias de defesa" que, em geral, o nº 1 do artigo 32º da Constituição impõe que o processo criminal deve assegurar, e certo que não ser aplicada ao arguido, em concreto, "pena de prisão superior a três anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo" lhe é, em principio, mais favorável. Simplesmente, mais importante do que o quantum da sanção é o se da condenação e concebe-se perfeitamente que, julgado por um tribunal que oferece mais garantias de defesa, como ê o tribunal colectivo ou o tribunal do júri, e sujeito, portanto, abstractamente, a uma pena de prisão superior a três anos, o arguido venha afinal a ser absolvido, quando, julgado pelo tribunal singular, poderia vir a ser condenado, embora em sanção não superior a três anos.

Mário de Brito

EXPOSIÇÃO A QUE SE REFERE O ARTIGO 78º-A DA LEI DO TRIBUNAL CONSTITUCIONAL:

1. O arguido A. foi acusado pelo MAGISTRADO DO MINISTÉRIO PÚBLICO da Comarca de Condeixa-a-Nova da prática de factos susceptíveis de integrar um crime de falsificação de documentos, previsto e punível pelas disposições conjugadas do artigo 228º, nºs 1, a) e c), e 2, com referência ao artigo 229º, do Código Penal - infracção a que cabe prisão de 1 a 4 anos.

Aquele Magistrado requereu que, ao abrigo do disposto no artigo 16º, nº 3, do Código de Processo Penal, o julgamento do arguido fosse feito em tribunal singular.

Tendo, embora, sido designado dia para julgamento, não chegou a proceder-se a ele, uma vez que, o juiz, no inicio da audiência, proferiu decisão a julgar o tribunal incompetente em razão da matéria. Para o efeito, recusou aplicação ao artigo 16º, nºs 3 e 4, do Código de Processo Penal, com fundamento na sua inconstitucionalidade, por violação dos artigos 13º, 32º, 114°, nº 2, 115º, nº 5, 168º, nº l, c), 205º, 206º, 208º e 224º, da Constituição.

2. O Ministério Público interpôs recurso desta decisão para o Tribunal Constitucional.

3. A partir do acórdão nº 393/89, publicado no Diário da República, II série, de 14 de Setembro de 1989, este Tribunal tem entendido, embora com votos discordantes, que a norma do artigo 16º, n° 3, do Código de Processo Penal, conjugado com o nº 4 do mesmo preceito, não padece de qualquer inconstitucionalidade. Designadamente, não viola o principio da e reserva do juiz, nem o principio da legalidade da acção penal, nem o principio das garantias de defesa, nem o principio da acusação, nem o principio do juiz natural, nem o principio da igualdade, nem qualquer outro.

Também agora assim se conclui.

As razões de um tal entendimento foram expostas in extenso naquele acórdão nº 393/89 e, resumidamente, no acórdão nº 41/90 - acórdão este último de que se junta cópia aos autos - e para elas agora se remete.

4. Há, assim, que conceder provimento ao recurso, revogando a decisão recorrida para ser reformada em conformidade.

5. Ouçam-se o recorrente e o recorrido, em 5 dias, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 78º-A, nº 1 da LTC.

Junte-se aos autos fotocópia do acórdão nº 41/90.

Lisboa, 14 de Novembro de 1991

Messias Bento