Portuguese Constitutional Court dismisses constitutional challenge as criminal case extinguished by amnesty making review useless.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court dismissed a constitutional challenge filed by the Public Prosecutor regarding norms declaring seatbelt violation penalties unconstitutional. The underlying criminal proceedings against the driver were subsequently extinguished by a general amnesty law, rendering the constitutional question moot. The court held that since the criminal case was resolved by amnesty, any ruling on the constitutionality of the penal norms could not influence the final outcome, thus depriving the constitutional review of its necessary legal interest.
Legislator headnote
AI generatedConstitutional Court Act; Law on General Amnesty: A constitutional challenge becomes inadmissible and the proceedings are extinguished when the underlying criminal case is resolved by amnesty, rendering the constitutional question devoid of relevant legal interest.
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Acórdão 18/92
ACÓRDÃO N° 18/92
Processo nº 285/91
2ª Secção
Relator: Conselheiro Messias Bento
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:
1. O Juiz de Direito A. respondeu no Tribunal da Relação de Coimbra, acusado de, em 10 de Maio de 1990, conduzir na via pública o automóvel …, não fazendo uso do cinto de segurança. Foi ai condenado na multa de 40$00, como autor material da contravenção, prevista no artigo 35ªº nº 5, do Código da Estrada e no nº 1 da Portaria nº 758/77, de 15 de Dezembro, e punida pelo artigo 62º do mesmo Código.
No acórdão condenatório, datado de 20 de Março de 1991, consignou-se que, "por inconstitucionalidade orgânica não se aplicam o nº 2 da Portaria 758/77, de 15 de Dezembro, a Portaria 760/82, de 7 de Agosto e Decreto-Lei nº 240/89, de 26 de Julho, quanto à punição da infracção que impõe o uso obrigatório do cinto de segurança, e também não se aplicam pela mesma razão o Decreto Regulamentar 40/77, de 16 de Junho, o Decreto-Lei 377/79, de 24 de Agosto, o Decreto-Lei 187/82, de 15 - de Maio e o Decreto-Lei 240/89, de 26 de Julho, quanto à alteração da multa prevista no artigo 622 do Código da Estrada".
2. O Magistrado do Ministério Público junto daquele Tribunal de Relação pediu a aclaração do referido aresto, em ordem a ficar expresso quais os preceitos dos citados diplomas legais que, efectivamente, foram desaplicados com fundamento na sua inconstitucionalidade
A Relação, por acórdão de 10 de Abril de 1991, esclareceu, então, que as normas desaplicadas foram:
a) Quanto á punição da infracção que impõe o uso obrigatório do cinto de segurança:
a'), o nº 2 da Portaria nº 758/77, de 15 de Dezembro;
a"), o nº 2 da Portaria nº 770/82, de 7 de Agosto;
a"'), o artigo 6º do Decreto-Lei nº 240/79, de 26 de Julho;
b) Quanto à alteração da multa prevista no artigo 62º do Código da Estrada:
b') a alínea f) do artigo 1º do Decreto Regulamentar nº 40/77, de 16 de Junho;
b'') o artigo 1º do Decreto-Lei nº 377/79, de 24 de Agosto (quis, decerto, dizer-se Decreto-Lei nº 337/79, de 24 de Agosto ) ;
b"') a alínea b) do artigo 1º e o artigo 4º do Decreto-Lei nº 187/82, de 15 de Maio;
b'''') a alínea b) do artigo 1º e o artigo 9º do Decreto-Lei nº 240/89, de 26 de Julho.
3. É do acórdão da Relação de Coimbra, que desaplicou, com fundamento na sua inconstitucionalidade, as mencionadas normas legais, que vem o presente recurso, interposto pelo Ministério Público.
4. Neste Tribunal, o Procurador-Geral Adjunto - que apresentou alegações, concluindo pelo improvimento do recurso, dado não serem inconstitucionais as normas desaplicadas pelo acórdão recorrido - veio, entretanto, requerer que os autos fossem remetidos, a titulo devolutivo, ao tribunal recorrido, a fim de, ai, se decidir da aplicabilidade (ou não) ao caso da amnistia concedida pela Lei n° 23/91, de 4 de Julho, recte, pela alínea y) do seu artigo 1º.
Indo os autos ao Tribunal da Relação de Coimbra, o respectivo relator declarou, por despacho de 31 de Outubro de 1991, extinto, por amnistia, o procedimento criminal instaurado contra o Dr. A. pela contravenção prevista no artigo 35º, nº 5, do Código da Estrada e nº 1 da Portaria nº 758/77, de 15 de Dezembro.
5. Este Tribunal tem dito repetidas vezes que o recurso de constitucionalidade tem natureza instrumental, no sentido de que só há interesse jurídico relevante no conhecimento da questão de constitucionalidade que ele tiver por objecto, se a decisão dessa questão puder influir na decisão da questão de fundo.
Ora, no caso, objecto do recurso de constitucionalidade são as normas, atrás identificadas, atinentes á infracção que consiste na condução, na via pública, de veículos automóveis, sem fazer uso de cinto de segurança.
Sendo isto assim, declarado que foi extinto, por amnistia, o procedimento criminal instaurado por tal infracção, deixou de ter qualquer utilidade decidir se as mencionadas normas legais são ou não conformes à Constituição, pois, fosse qual fosse o sentido da decisão que sobre isso viesse a ser proferida, nunca ela poderia influir na decisão da questão de fundo.
O recurso de constitucionalidade tornou-se, por consequência, supervenientemente inútil.
6. Pelos fundamentos expostos, julga-se extinto o recurso.
Lisboa, 15 de Janeiro de 1992
Messias Bento
Fernando Alves Correia
Mário de Brito
Bravo Serra
Luís Nunes de Almeida
José de Sousa e Brito
José Manuel Cardoso da Costa