Portuguese Constitutional Court dismisses appeal as crime pardoned by new amnesty law before ruling.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court declared the appeal inadmissible because a subsequent amnesty law pardoned the underlying crime before the court could rule on the constitutionality of the procedural codes. The appellant had challenged specific articles of the 1929 and 1987 Criminal Procedure Codes, but the Supreme Court had already rejected his request. The court determined that since the conviction was nullified by the new legislation, any constitutional review of the old procedural norms became irrelevant and the appeal was extinguished.
Legislator headnote
AI generatedArt. 280.º n.º 1, alínea b), e 4.º da Constituição; Art. 70.º n.º 1, alínea b), e 72.º n.º 1, alínea b), da Lei nº 28/82: When a subsequent amnesty law renders a criminal conviction void, a pending constitutional appeal challenging the procedural norms underlying that conviction is extinguished due to supervening illegality.
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Acórdão 17/92
ACÓRDÃO Nº 17/92
Procº nº 165/90
Rel. Cons. Alves Correia
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:
1. A. foi condenado como autor de um crime de receptação dolosa, previsto e punido pelo artigo 329º, nº 1, do Código Penal, na pena de dezoito meses de prisão e de trinta e sete dias de multa, à taxa diária de 400$00, ou seja, na quantia de 14.800$00, com a alternativa de vinte e quatro dias de prisão, por Acórdão do Tribunal Colectivo da Comarca de Vila Nova de Famalicão, de 20 de Maio de 1988.
Deste aresto interpôs o arguido recurso para o Tribunal da Relação do Porto, mas este, por Acórdão de 14 de Junho de 1989, negou provimento ao mesmo. De novo inconformado, interpôs recurso para o Supremo Tribunal de Justiça, tendo, nas respectivas alegações, suscitado, além do mais, a inconstitucionalidade das normas dos artigos 98º, nº 7, 174º, 469º e 665º do Código de Processo Penal de 1929, bem como das normas dos artigos 363º, nº 3, e 374º, nº 2, do Código de Processo Penal de 1987, e do artigo 50º, nº 1, da Lei nº 38/87, de 23 de Dezembro.
Sem êxito, porém, dado que o Supremo Tribunal de Justiça, por Acórdão de 31 de Janeiro de 1990, negou provimento ao recurso.
Interpôs, então, o arguido recurso deste aresto para o Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto no artigo 280º, nºs. 1, alínea b),e 4, da Constituição e do artigo 70º, nº 1, alínea b), e 72º, nº 1, alínea b), da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro.
2. Acontece, porém, que, encontrando-se o processo pendente neste Tribunal, foi publicada a Lei nº 23/91, de 4 de Julho, que, entre outras infracções, amnistiou os crimes previstos no artigo 329º do Código Penal, ainda que em forma continuada, quando o valor total dos benefícios ilícitos, intentados ou obtidos, não seja superior a 200 contos [artigo 1º, alínea f)].
Em face disso, foram os autos, a requerimento do Ex.mº Procurador-Geral Adjunto em funções neste Tribunal, mandados baixar ao Tribunal da Comarca de Vila Nova de Famalicão, para eventual aplicação dessa amnistia à infracção em causa no presente processo. Aí, o Mtº Juiz, por despacho de 15 de Outubro de 1991, julgou amnistiado o crime pelo qual o ora recorrente tinha sido condenado.
3. Devolvidos os autos a este Tribunal, nada mais resta do que julgar extinto o presente recurso, por inutilidade superveniente, de harmonia com a jurisprudência reiterada e uniforme deste Tribunal (cfr., inter alia, os Acórdãos nºs. 275/86, 284/86 e 13/87), uma vez que a decisão que o Tribunal Constitucional viesse a proferir sobre a questão da constitucionalidade das normas acima referidas, que constitui o objecto do presente recurso, não poderia influir de todo na questão de fundo - facto que bem se compreende se se tiver em conta que o recurso de constitucionalidade desempenha sempre uma função instrumental (cfr.,por todos, o Acórdão nº 234/91, publicado no Diário da República, II Série, nº 217, de 20-09-1991) .
4. Nos termos e pelos fundamentos expostos, decide-se julgar extinto o recurso.
Lisboa, 15 de Janeiro de 1992
Fernando Alves Correia
Messias Bento
José de Sousa e Brito
Luís Nunes de Almeida
Bravo Serra
Mário de Brito
José Manuel Cardoso da Costa