Portuguese Constitutional Court dismisses constitutional challenge due to supervening amnesty extinguishing criminal liability.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court declared the constitutional challenge inadmissible because the criminal proceedings against the defendant were extinguished by a subsequent amnesty law. Although the accused had been acquitted by a lower court due to the unconstitutionality of the specific tax regulations, the amnesty law removed the need for further judicial review. The court ruled that the constitutional review was no longer useful since the underlying criminal liability had already been extinguished.
Legislator headnote
AI generatedArt. 27.º da Lei Orgânica do Tribunal Constitucional; The constitutional review of a norm is an instrumental function that ceases to be useful if the criminal liability of the accused is subsequently extinguished by amnesty.
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Acórdão 9/92
ACÓRDÃO Nº 9/92
Processo nº 7/91
1ª Secção
Relator: Conselheiro Tavares da Costa
I
1- O Ministério Público requereu o julgamento de JOAQUIM LEONARDO, imputando-lhe a autoria de um crime previsto e punido pelas disposições conjugadas do nº 1, alínea a), e nº 5 da Portaria nº 265/84, de 26 de Abril, e artigo 34º, nº 1, do Decreto-Lei nº 28/84, de 20 de Janeiro, porquanto aquele, como viticultor, não declarara a sua produção de vinho, na campanha de 1989/1990, ao organismo vinícola competente.
Por sentença de 14 de Novembro de 1990, foi julgada improcedente a acusação e absolvido o arguido do crime de que vinha acusado.
O juiz decidiu dessa forma porque, embora considerando provados os factos constantes da acusação, entendeu que as normas pelas quais o arguido estava acusado (nº 1, alínea a) e nº 5 da Portaria nº 265/84) eram material e formalmente inconstitucionais e por isso recusou a sua aplicação.
2- É desta decisão que vem interposto o presente recurso pelo Ministério Público, o qual foi admitido.
3- Havendo sido, entretanto, publicada a Lei nº 23/ 91, de 4 de Julho, que na alínea g) do seu artigo 1º amnistiou os crimes contra a economia puníveis com prisão até 1 ano e multa, foi mandada suspender a instância e ordenada a remessa dos autos, a titulo devolutivo, ao Tribunal a quo para decisão sobre a aplicação daquela amnistia.
4- Tendo a responsabilidade criminal do arguido Joaquim Leonardo sido declarada extinta por amnistia, (despacho de 31 de Outubro de 1991 - fls. 76 v. e 77 v.), haverá que averiguar da manutenção do interesse na apreciação da questão de constitucionalidade objecto do presente recurso.
II
1 - Em jurisprudência constante e uniforme, tem este Tribunal Constitucional apontado a natureza da função instrumental do recurso de constitucionalidade. Como se escreveu no acórdão nº 86/90 (ainda inédito):
"O julgamento da questão de constitucionalidade desempenha sempre, na verdade, uma função instrumental, só se justificando que a ele se proceda se o mesmo tiver utilidade para a decisão da questão de fundo. Ou seja: o sentido do julgamento da questão de constitucionalidade há-de ser susceptível de influir na decisão dessoutra questão, pois, de contrário, estar-se-ia a decidir una pura questão académica."
No mesmo sentido, e mais recentemente, se pronunciaram os acórdãos nºs. 216/91, publicado no Diário da República. II Série, nº 212, de 14-9-91 e 286/91, ainda inédito.
2- Ora, como bem sublinha o Procurador-Geral adjunto neste Tribunal, "atenta a natureza instrumental do recurso de constitucionalidade e uma vez que foi declarado extinto, por amnistia, o procedimento criminal contra o ora recorrido, já não há que conhecer daquele recurso, por inutilidade superveniente.
3- Assim, e porque qualquer que fosse o sentido da decisão a proferir pelo Tribunal Constitucional, esta nenhuma influência teria no caso concreto, haverá que concluir-se pela inutilidade superveniente do julgamento da questão de constitucionalidade e, por consequência, julgar-se extinto o recurso.
III
Pelos fundamentos expostos, julga-se extinto o recurso.
Lisboa, 14 de Janeiro de 1992
Alberto Tavares da Costa
Armindo Ribeiro Mendes
Maria Assunção Esteves
Antero Alves Monteiro Diniz
Vítor Nunes de Almeida
António Vitorino
José Manuel Cardoso da Costa