Legislator Case Law & Legislation
21/90 AI generated

Portuguese Constitutional Court dismisses constitutional challenge due to subsequent amnestia extinguishing criminal liability.

Case Number 21/90
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court declared the constitutional appeal inadmissible because the criminal proceedings against the defendant were extinguished by a subsequent amnestia law. The defendant had previously been convicted of qualified disobedience but was later acquitted by the Lisbon Court of Appeal, which found the relevant legal provisions unconstitutional. The Court ruled that since the criminal responsibility was already extinguished, the constitutional review had become instrumentally useless and could no longer influence the outcome of the case.

Legislator headnote

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Art. 27.º da Lei Orgânica do Tribunal Constitucional; O recurso de constitucionalidade tem natureza instrumental e extingue-se quando a questão de fundo já foi resolvida por amnistia, tornando o julgamento da inconstitucionalidade inútil.

Keywords

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instrumental nature of constitutional review subsequent amnestia law extinguishment of criminal liability uselessness of constitutional appeal Portuguese Constitutional Court

Cited Legislation

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Art. 27.º da Lei Orgânica do Tribunal Constitucional

Cited Case Law

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Acórdão nº 86/90
Acórdão nº 216/91
Acórdão nº 286/91
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Acórdão 2/92

ACÓRDÃO N° 2/92

Processo nº 21/90

1ª Secção

Relator: Conselheiro Tavares da Costa

I

1- A. foi condenado, por sentença de 21 de Fevereiro de 1989 do Tribunal Judicial de Cascais, como autor material de dois crimes de desobediência qualificada, previstos e punidos pelos artigos 17º, nº 2, do Decreto-Lei nº 14/84, de 11 de Janeiro e 388º, nº 3, do Código Penal, na pena única de 10 meses de prisão e 99 dias de multa à taxa diária de 200$00, o que perfaz a multa de 19.800$00 (em alternativa, 66 dias de prisão).

Desta sentença interpôs o réu recurso para a Relação de Lisboa, propugnando a atenuação especial da pena.

A Relação de Lisboa, por acórdão de 12 de Dezembro de 1989, embora com outro fundamento, concedeu provimento ao recurso e absolveu o réu, por reputar material e organicamente inconstitucionais as normas dos artigos 102 a 172 do Decreto-Lei nº 14/84.

2- É desta decisão que vem interposto o presente recurso pelo Ministério Público - embora restrito às normas dos artigos 10º, nºs 1 e 2, 13º, nº 1, e 17º, nº 2, daquele diploma, normas estas susceptíveis de aplicação ao caso concreto - o qual foi admitido.

3- Havendo sido, entretanto, publicada a Lei nº 23/91, de 4 de Julho, que na alínea e) do seu artigo 1º amnistiou os crimes de desobediência qualificados previstos e punidos pelos artigos 17º, nº 2 do Decreto-Lei nº 14/84 e 388º, nº 3 do Código Penal, foi mandada suspender a instância e ordenada a remessa doa autos, a titulo devolutivo, ao Tribunal da Relação de Lisboa, para decisão sobre a aplicação daquela amnistia.

4- Tendo a responsabilidade criminal do arguido A. sido declarada extinta por amnistia (acórdão de 29 de Outubro de 1991 - fls.137 e 137 v.), haverá que averiguar da manutenção do interesse na apreciação da questão de constitucionalidade objecto do presente recurso.

II

1- Em jurisprudência constante e uniforme, tem este Tribunal Constitucional apontado a natureza da função instrumen­tal do recurso de constitucionalidade. Como se escreveu no acór­dão nº 86/90 (ainda inédito):

"O julgamento da questão de consti­tucionalidade desempenha sempre, na ver­dade, uma função instrumental, só se jus­tificando que a ele se proceda se o mesmo tiver utilidade para a decisão da questão de fundo. Ou seja: o sentido do julga­mento da questão de constitucionalidade há-de ser susceptível de influir na deci­são dessoutra questão, pois, de contrá­rio, estar-se-ia a decidir uma pura ques­tão académica."

No mesmo sentido, e mais recentemente, se pronun­ciaram os acórdãos nº 216/91, publicados no Diário da República, II Série, nº 212, de 14-9-91 e 286/91, ainda inédito.

2- Ora, como bem sublinha o Procurador-Geral adjunto neste Tribunal, "atenta a natureza instrumental do recurso de constitucionalidade e uma vez que foi declarado extinto, por am­nistia, o procedimento criminal contra o ora recorrido, já não há que conhecer daquele recurso, por inutilidade superveniente. "

3 - Assim, e porque qualquer que fosse o sentido da decisão a proferir pelo Tribunal Constitucional, esta nenhuma influência teria no caso concreto, haverá que concluir-se pela inutilidade superveniente do julgamento da questão de constitu­cionalidade e, por consequência, julgar-se extinto o recurso.

III

Pelos fundamentos expostos, julga-se extinto o recurso.

Lisboa, 14 de Janeiro de 1992

Alberto Tavares da Costa

Vítor Nunes de Almeida

António Vitorino

Antero Alves Monteiro Dinis

Armindo Ribeiro Mendes

Maria da Assunção Esteves

José Manuel Cardoso da Costa