Legislator Case Law & Legislation
147/89 AI generated

Portuguese Constitutional Court dismisses prosecutor appeal, enforcing prior unconstitutionality ruling on customs law.

Case Number 147/89
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court dismissed the Public Prosecutor's appeal against a lower court's refusal to apply a specific customs law provision. The lower court had declined to use the contested article because it was already declared unconstitutional by a previous Constitutional Court decision. The Court ruled that the earlier unconstitutionality ruling, with general binding force, must be applied to the current case, thereby confirming the lower court's decision.

Legislator headnote

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Art. 281(1) Const.; Art. 69, 70(1)(a), 72(1)(a) of Law 28/82: A prior declaration of unconstitutionality with general binding force binds all judicial authorities, requiring the immediate application of that ruling in subsequent cases.

Keywords

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general binding force unconstitutionality declaration constitutional court precedent customs law application prosecutor appeal dismissal legal binding effect judicial obligation

Cited Legislation

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Art. 281(1) of the Constitution
Art. 69 of Law 28/82
Art. 70(1)(a) of Law 28/82
Art. 72(1)(a) of Law 28/82
Art. 280(1)(a) of the Constitution

Cited Case Law

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Acórdão nº 187/87
a) a alínea c) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 187/83, de 13 de Maio, por já ter sido declarada incons­titucional, com força obrigatória geral, pelo Acórdão nº 187/87, de 17 de Junho, do Tribunal Constitucional (D.R., 1ª Série, nº 137, de 17 de Junho de 1987);
Acórdão nº 414/89
Ora, a norma contida na alínea a) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 424/86 foi, entretanto, declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, pelo Acórdão nº 414/89, de 7 de Junho, do Tribunal Constitucional (D.R., 1ª Sé­rie, nº 150, de 3 de Julho de 1989).
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Full text

Acórdão 382/91

ACÓRDÃO Nº 382/91

Processo nº 147/89

2ª Secção

Relator: Conselheiro Sousa e Brito

Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:

1. O Delegado do Ministério Público no Tribunal Judicial da Comarca de Águeda requereu o julgamento de A., imputando-lhe a prática de um crime de contrabando de circulação de gado, previsto e punível nos termos do disposto nos artigos 36º, nº 5, e 37º, corpo e § 2º, do Contencioso Aduanei­ro, aprovado pelo Decreto-Lei nº 31664, de 22 de Novembro de 1941.

2. Realizado o julgamento, o arguido foi conde­nado, por sentença de 31 de Março de 1989 do Tribunal Judicial da Comarca de Águeda, como autor de um crime de contrabando pre­visto no artigo 36º, nº 5, do Contencioso Aduaneiro, aplicável por força do disposto na alínea a) do nº 2 do artigo 1º do Decreto-Lei nº 54/84, de 15 de Fevereiro. Nos termos do disposto nos artigos 37º, corpo e § 3º, e 38º, corpo e § 1º, alínea b), do Contencioso Aduaneiro, o arguido foi condenado nas penas de multa de 20.000$00 e 560.000$00.

O tribunal recorrido recusou, na fundamentação da sentença, a aplicação das seguintes normas:

a) a alínea c) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 187/83, de 13 de Maio, por já ter sido declarada incons­titucional, com força obrigatória geral, pelo Acórdão nº 187/87, de 17 de Junho, do Tribunal Constitucional (D.R., 1ª Série, nº 137, de 17 de Junho de 1987);

b) alínea a) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 424/89, de 27 de Dezembro, julgada inconstitucional, "... porquanto aprovada para além do prazo de autorização legislativa concedida ao Governo para legislar sobre a matéria".

3. É desta decisão que vem o presente recurso, interposto pelo Delegado do Ministério Público no Tribunal Judi­cial da Comarca de Águeda, ao abrigo do disposto nos artigos 69º, 70º nº 1, alínea a), e 72º, nº 1, alínea a), da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro (com a redacção dada pela Lei nº 85/89, de 7 de Setembro), e 280º, nº 1, alínea a), da Constituição.

Este recurso tem por objecto, apenas, a questão da inconstitucionalidade da norma constante da alínea a) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 424/86, norma que o Tribunal a quo se recusou a aplicar com fundamento num juízo de inconstitu­cionalidade, e não a questão da inconstitucionalidade da norma constante da alínea c) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 187/83, norma cuja não aplicação se baseou, estritamente, na declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Tribunal­­ Cons­titucional (Acórdão nº 187/87).

4. Ora, a norma contida na alínea a) do nº 2 do artigo 9º do Decreto-Lei nº 424/86 foi, entretanto, declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, pelo Acórdão nº 414/89, de 7 de Junho, do Tribunal Constitucional (D.R., 1ª Sé­rie, nº 150, de 3 de Julho de 1989). A força obrigatória geral conferida a esta declaração (artigo 281º, nº 1, da Constituição) implica a sua força de lei e a vinculação ao seu conteúdo de todos os órgãos constitucionais, de todas as autoridades admi­nistrativas e de todos os tribunais - incluindo o Tribunal Cons­titucional.

Por conseguinte, apenas resta fazer a aplicação desta declaração ao caso sub judicio.

5. Ante o exposto, julga-se improcedente o pre­sente recurso e confirma-se a decisão recorrida, na parte impugnada, aplicando-se a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, constante do Acórdão nº 414/89 do Tri­bunal Constitucional (D.R., 1ª Série, nº 150, de 3 de Julho de 1989).

Lisboa, 22 de Outubro de 1991

José de Sousa e Brito

Bravo Serra

Fernando Alves Correia

Mário de Brito

Messias Bento

Luis Nunes de Almeida