Constitutional Court upholds work injury pension capital calculation using older table due to prior invalidation of new table norm.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court denied the Public Prosecutor's appeal regarding the calculation of a work injury pension capital. The lower court had applied an older regulatory table instead of a newer one, implicitly declaring the new table's provision unconstitutional. The Court confirmed this decision by applying the general binding force of its own prior ruling (No. 61/91) which had already invalidated the contested norm.
Legislator headnote
AI generatedArt. 282.º da Constituição; Art. 201.º, n.º 1, alínea a) da Lei Fundamental: When a Constitutional Court decision declares a norm unconstitutional with general binding force, lower courts must apply that declaration, and appeals against decisions based on such prior invalidation are dismissed.
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ACÓRDÃO N
ACÓRDÃO N.º 328/91
Processo n.º 141/91
1ª Secção
Relator: Conselheiro Tavares da Costa
Acordam na 1ª Secção do Tribunal Constitucional
I
1 – A. sofreu um acidente de trabalho em 13 de Outubro de 1989 quando prestava serviço da sua profissão para a sua entidade patronal, B., SA., com sede no Porto, sendo entidade seguradora a Companhia de Seguros “C.", com sede em Lisboa.
Foi-lhe fixada incapacidade parcial permanente de 6%.
Por despacho de 11 de Dezembro de 1990, o Senhor Juiz do 1.º Juízo do Tribunal de Trabalho do Porto homologou o acordo de fls. 16 e 17, que atribuiu ao sinistrado a pensão anual e vitalícia de 36 400$00 e, por despacho de 4 de Fevereiro de 1991 autorizou a remição dessa pensão.
A secretaria procedeu oficiosamente ao cálculo do respectivo capital, utilizando a Tabela I anexa à Portaria n.º 760/85, de 4 de Outubro, e não a Tabela I anexa à Portaria n.º 632/71, de 19 de Novembro (fls. 27 v.º).
Então, sob promoção do Ministério Público, foi proferido o despacho de 26 de Fevereiro de 1991 que, ao determinar a aplicação no cálculo do capital de remição das Tabelas da Portaria n.º 632/71, implicitamente recusou a aplicação, com fundamento em inconstitucionalidade, da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85.
2- O respectivo magistrado do Ministério Público interpôs recurso do assim decidido, consistindo o objecto deste em apreciar a constitucionalidade da norma constante do n.º 3 daquela Portaria n.º 760/85, conjugada com a Tabela I anexa, cuja aplicação se recusou.
3- Neste Tribunal, o Senhor Procurador-Geral Adjunto, considerando ter sido entretanto declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, pelo acórdão n.º 61/91, a norma citada, limitou-se a declarar apenas caber aplicar ao caso dos autos essa declaração.
II
1- Na pendência dos presentes autos, este Tribunal, em plenário, lavrou acórdão, o n.º 61/91, de 13 de Março, em que, além do mais, declarou a inconstitucionalidade, com forca obrigatória geral, da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, "por violação do princípio da precedência da lei decorrente, designadamente dos n.ºs 6 e 7 do artigo 115.º e do artigo 202.º, alínea c), da Constituição – e também por violação do artigo 201.º, n.º 1, alínea a)" da Lei Fundamental.
2- Publicado no Diário da República, I Série A, n.º 75, de 1 de Abril de 1991, resta aplicar ao caso vertente tal declaração de inconstitucionalidade.
Com efeito, estão reunidos os dois elementos cuja presença se entende necessária para a concretização e densificação do sentido normativo do conceito de força obrigatória geral: de um lado, vinculação, pelas sentenças do Tribunal Constitucional declarativas de inconstitucionalidade (ou ilegalidade), de todos os órgãos constitucionais, de todos os tribunais e de todas as autoridades (efeitos de vinculação); de outro lado, força de lei das decisões de inconstitucionalidade (ou ilegalidade), o que implica o alargamento da obrigatoriedade das sentenças a todas as pessoas físicas e jurídicas (e não apenas aos poderes públicos) juridicamente afectadas, nos seus limites e obrigações, pela norma declarada inconstitucional (ou ilegal) – cfr. Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constituição da República Portuguesa Anotada. 2ª ed, 2.º vol, Coimbra, 1985, págs. 535 e 536).
III
Pelo exposto e em aplicação da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, constante do acórdão n.º 61/91, nega-se provimento ao recurso, confirmando-se, na parte impugnada, a decisão recorrida.
Lisboa, 1 de Julho de 1991
Alberto Tavares da Costa
António Vitorino
Maria da Assunção Esteves
Armindo Ribeiro Mendes
Antero Alves Monteiro Diniz
Vítor Nunes de Almeida
José Manuel Cardoso da Costa