Portuguese Constitutional Court dismisses appeal applying general binding force of prior unconstitutionality declaration to labor accident case.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court denied the mandatory appeal against a labor tribunal's refusal to apply a prior unconstitutionality declaration. The labor tribunal had rejected the use of new tables for pension calculation, citing an older regulation, while the Public Prosecutor argued the earlier ruling should bind the case. The Court ruled that the previously declared unconstitutionality of the specific regulation automatically applies with general binding force, thereby validating the tribunal's original decision.
Legislator headnote
AI generatedArt. 281.º and Art. 282.º of the Constitution; The declaration of unconstitutionality with general binding force issued in a prior decision must be applied to pending cases, negating the need for a new constitutional review.
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ACÓRDÃO N
ACÓRDÃO N.º 263/91
Processo n.º 196/91
1ª Secção
Relator: Conselheiro Vítor Nunes de Almeida
Acordam na 1ª Secção do Tribunal Constitucional:
1 - No presente processo emergente de acidente de trabalho e em que é sinistrado A. e responsáveis a Companhia de Seguros "B." e C., que corre termos no Tribunal do Trabalho de Viana do Castelo, o digno Agente do Ministério Público junto daquele Tribunal veio interpor recurso obrigatório para o Tribunal Constitucional, do despacho de 18 de Fevereiro de 1991 (fls. 15 a 16), do senhor juiz daquele Tribunal que recusou a aplicação, por inconstitucionalidade, da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, de 4 de Outubro, mandando aplicar ao cálculo do capital da remição da pensão fixada nos autos as tabelas anexas à Portaria n.º 632/71, de 19 de Novembro.
2 - Apenas o Procurador-Geral Adjunto em exercício neste Tribunal apresentou alegações nas quais sustentou apenas caber fazer aplicação, no caso, da declaração de inconstitucionalidade com força obrigatória geral contida no Acórdão n.º 61/91 deste Tribunal.
3 - Efectivamente, na pendência do processo, foi publicado o referido Acórdão n.º 61/91, de 13 de Março através do qual este Tribunal, em plenário, declarou, além do mais, a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, "por violação do princípio da precedência da lei – decorrente, designadamente dos n.ºs 6 e 7 do artigo 115.º e do artigo 202.º, alínea c), da Constituição e também por violação do artigo 201.º, n.º 1, alínea a), da Lei Fundamental (publicado no Diário da República, I Série A, n.º 75, de 1 de Abril de 1991).
E porque assim é, apenas haverá que proceder à aplicação ao caso dos autos da referida declaração de inconstitucionalidade.
4 - Nestes termos, de acordo com o preceituado nos artigos 281.º e 282.º da Constituição da República, aplicando aos autos a decretada declaração de inconstitucionalidade, decide-se negar provimento ao recurso, confirmando-se, na parte impugnada, a decisão recorrida.
Lisboa, 18 de Junho de 1991.
Vítor Nunes de Almeida
Alberto Tavares da Costa
António Vitorino
Maria da Assunção Esteves
Armindo Ribeiro Mendes
Antero Alves Monteiro Diniz
José Manuel Cardoso da Costa