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110/91 AI generated

Portuguese Constitutional Court upholds work injury pension calculation by declaring a specific administrative regulation unconstitutional.

Case Number 110/91
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court dismissed the Public Prosecutor's appeal against a labor court judgment awarding a work injury pension. The lower court had refused to apply a specific clause of an administrative order, instead relying on older tables, a move the prosecutor challenged as unconstitutional. The Court ruled that a prior decision had already declared this specific administrative clause unconstitutional with general binding force, thereby validating the lower court's refusal to apply the contested norm.

Legislator headnote

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Art. 282.º da Constituição; Art. 202.º, n.º 3, alínea b), da Lei Fundamental: When a Constitutional Court decision declares a norm unconstitutional with general binding force, all courts and authorities must apply that declaration, invalidating any judicial act based on the now-invalid norm.

Keywords

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Constitutional Court General Binding Force Administrative Regulation Work Injury Pension Constitutional Invalidity Labor Law Judicial Precedent

Cited Legislation

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Art. 282.º da Constituição
Art. 202.º, n.º 3, alínea b), da Lei Fundamental

Cited Case Law

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Acórdão n.º 61/91
Neste Tribunal, o Senhor Procurador-Geral Adjunto, considerando ter sido entretanto declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, pelo acórdão n.º 61/91, a norma citada, limitou-se a declarar apenas caber aplicar ao caso dos autos essa declaração.
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Full text

ACÓRDÃO Nº 252/91

ACÓRDÃO N.º 252/91

Processo n.º 110/91

1ª Secção

Consultor: Conselheiro Tavares da Costa

Acordam na 1ª Secção do Tribunal Constitucional

I

1. A. sofreu um acidente de trabalho em 13 de Fevereiro de 1987 quando prestava serviço da sua profissão para a sua entidade patronal, a B., Limitada, com sede no Porto, sendo entidade seguradora C., S.A., com sede em Lisboa.

Foi-lhe fixada incapacidade parcial permanente de 8%.

Por sentença de 26 de Novembro de 1990, o Senhor Juiz do 1.º Juízo do Tribunal de Trabalho do Porto condenou a seguradora a pagar-lhe a pensão anual vitalícia de 47.426$00, julgando-a remível.

Ordenou ainda que, no cálculo do respectivo capital, se utilizassem as tabelas anexas à Portaria n.º 632/71, de 19 de Novembro, implicitamente se recusando, desse modo e com fundamen­to em inconstitucionalidade, a aplicar a alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, de 4 de Outubro.

2. O respectivo magistrado do Ministério Público interpôs recurso do assim decidido, consistindo o objecto deste em apreciar a constitucionalidade da norma constante do n.º 3 daquela Portaria n.º 760/85, conjugada com a Tabela I anexa, cuja aplicação se recusou.

3. Neste Tribunal, o Senhor Procurador-Geral Adjunto, considerando ter sido entretanto declarada inconstitucional, com força obrigatória geral, pelo acórdão n.º 61/91, a norma citada, limitou-se a declarar apenas caber aplicar ao caso dos autos essa declaração.

II

1. Na pendência dos presentes autos, este Tribunal, em plenário, lavrou acórdão, o n.º 61/91, de 13 de Março, em que, além do mais, declarou a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, "por violação do princípio da precedência da lei decorrente, designadamente dos n.ºs. 6 e 7 do artigo 115.º e do artigo 202.º, alínea c), da Constituição – e também por violação do artigo 201.º, n.º 1, alínea a)" da Lei Fundamental.

2. Publicado no Diário da República, I Série A, n.º 75, de 1 de Abril de 1991, resta aplicar ao caso vertente tal declaração de inconstitucionalidade.

Com efeito, estão reunidos os dois elementos cuja presença se entende necessária para a concretização e densificação do sentido normativo do conceito de força obrigatória geral: de um lado, vinculação, pelas sentenças do Tribunal Constitucional declarativas de inconstitucionalidade (ou ilegalidade), de todos os órgãos constitucionais, de todos os tribunais e de todas as autoridades (efeitos de vinculação); de outro lado, força de lei das decisões de inconstitucionalidade (ou ilegalidade), o que implica o alargamento da obrigatoriedade das sentenças a todas aí pessoas físicas e jurídicas (e não apenas aos poderes públicos) juridicamente afectadas, nos seus limites e obrigações, pela nor­ma declarada inconstitucional (ou ilegal) – cfr. Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constituição da República Portuguesa Anotada, 2ª ed., 2.º vol., Coimbra, 1985, págs. 535 e 536).

III

Pelo exposto e em aplicação da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, constante do acórdão n.º. 61/91, nega-se provimento ao recurso, confirmando-se, na parte impugnada, a decisão recorrida.

Lisboa, 18 de Junho de 1991

Alberto Tavares da Costa

António Vitorino

Maria da Assunção Esteves

Armindo Ribeiro Mendes

Antero Alves Monteiro Dinis

Vítor Nunes de Almeida

José Manuel Cardoso da Costa