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102/91 AI generated

Constitutional Court confirms lower court's refusal to apply unconstitutional regulation in work accident pension case.

Case Number 102/91
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court dismissed the appeals filed by the Public Prosecutor and an insurance company regarding a work accident pension calculation. The lower court had refused to apply a specific regulation due to a prior declaration of its unconstitutionality, ordering instead the use of older tables. The Court ruled that since the unconstitutionality had already been declared with general binding force in a previous decision, the current case could not be re-evaluated on constitutional grounds. Consequently, the Court confirmed the lower court's decision to apply the older regulation to the specific facts of the case.

Legislator headnote

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Art. 280.º, n.º 1, alínea a) e 3 da Constituição; Art. 70.º, n.º 1, alínea a) e 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82: When a norm is declared unconstitutional with general binding force, courts must apply the prior decision to the concrete case without re-examining the constitutional issue.

Keywords

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general binding force unconstitutional norm work accident pension precedent application constitutional review lower court decision regulatory tables

Cited Legislation

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Art. 280.º, n.º 1, alínea a) e 3 da Constituição
Art. 70.º, n.º 1, alínea a) e 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82
art. 281.º da Constituição
Na pendência dos presentes autos, este Tribunal, em plenário, lavrou o acórdão n.º 61/91 em que, nos termos do disposto no n.º 3 do art. 281.º da Constituição, declarou, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade da norma desaplicada nos presentes autos.
artigo 202.º, alínea c) da Constituição
a) Da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, de 4 de Outubro, por violação do princípio da precedência da lei – decorrente, designadamente, dos n.ºs 6 e 7 do artigo 115.º e do artigo 202.º, alínea c) da Constituição – e também por violação do artigo 201.º, n.º 1, alínea a)

Cited Case Law

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Acórdão n.º 61/91
Na pendência dos presentes autos, este Tribunal, em plenário, lavrou o acórdão n.º 61/91 em que, nos termos do disposto no n.º 3 do art.
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Full text

ACÓRDÃO N

ACÓRDÃO N.º 218/91

Processo n.º 102/91

1ª Secção

Relator: Conselheiro Ribeiro Mendes

Acordam na 1ª Secção do Tribunal Constitucional:

I

1. No Tribunal de Trabalho de Viana do Castelo, em autos emergentes de acidente de trabalho, a requerimento do Ministério Público foi recusada a aplicação da norma da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, de 4 de Outubro, com fundamento em inconstitucionalidade, determinando-se que o cálculo do capital da remição da pensão devida ao sinistrado A. pela Seguradora Companhia de Seguros "B." se operasse com base nas tabelas anexas à Portaria n.º 632/71, de 19 de Novembro, diploma repristinado.

2. Deste despacho interpuseram recursos para o Tribunal Constitucional o Agente do Ministério Público e a companhia seguradora, por força do disposto nos artigos 280.º, n.º 1, alínea a) e 3 da Constituição e 70.º, n.º 1, alínea a) e 72.º, n.º 3, da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro, na redacção dada pela Lei n.º 85/89, de 7 de Setembro.

Ambos os recursos foram admitidos por despacho de fls. 30 (isto, após a seguradora ter esclarecido que recorria para o Tribunal Constitucional).

3. Subiram os autos ao Tribunal Constitucional, tendo apresentado alegações apenas o Exmo. Procurador-Geral Adjunto neste Tribunal. Nessas alegações, limita-se a sustentar que o Tribunal deve confirmar o despacho recorrido, fazendo aplicação da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma desaplicada.

O recurso da seguradora extinguiu-se por deserção, o que não acarreta consequências práticas, dada a subsistência do outro recurso

4-Foram dispensados os vistos legais.

Cabe agora apreciar e decidir.

II

5. Na pendência dos presentes autos, este Tribunal, em plenário, lavrou o acórdão n.º 61/91 em que, nos termos do disposto no n.º 3 do art. 281.º da Constituição, declarou, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade da norma desaplicada nos presentes autos.

Com efeito, pode ler-se no referido acórdão n.º 61/91:

"Nestes termos, decide-se declarar a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral:

a) Da norma constante da alínea b) do n.º 3 da Portaria n.º 760/85, de 4 de Outubro, por violação do princípio da precedência da lei – decorrente, designadamente, dos n.ºs 6 e 7 do artigo 115.º e do artigo 202.º, alínea c) da Constituição – e também por violação do artigo 201.º, n.º 1, alínea a)

b) Da norma constante do artigo 65.º do Decreto n.º 360/71, de 21 de Agosto, na redacção do Decreto-Lei n.º 466/85, de 5 de Novembro, enquanto conjugado com o n.º 1 da referida portaria, por violação do preceituado nos artigos 55.º, alínea d), e 57.º, n.º 2, alínea a), da Constituição da República Portuguesa (versão de 1982) " (in Diário da República. I Série - A, n.º 75, de 1 de Abril de 1991)

6. Assim sendo, uma vez que foi declarada a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma objecto da desaplicação no despacho recorrido, não é possível a este Tribunal reapreciar a questão de legitimidade constitucional suscitada nos autos, tendo de limitar-se a aplicação ao caso concreto daquela sua anterior decisão.

III

7. Nestes termos, fazendo aplicação ao caso concreto da declaração de inconstitucionalidade com força obrigatória geral, contida no acórdão n.º 61/91, nega-se provimento ao recurso e confirma-se o despacho recorrido.

Lisboa, 22 de Maio de 1991.

Armindo Ribeiro Mendes

Antero Alves Monteiro Diniz

Vítor Nunes de Almeida

Alberto Tavares da Costa

António Vitorino

Maria da Assunção Esteves

José Manuel Cardoso da Costa