Constitutional Court confirms prior unconstitutionality ruling, binding lower court to acquit defendant.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court confirmed the lower court's acquittal by applying a previously declared unconstitutionality of the fiscal fraud statutes. The Public Prosecutor appealed, arguing the prior ruling should be enforced, while the defendant had been absolved based on those laws being invalid. The Court held that its own prior decision carries general binding force, preventing re-evaluation of the same constitutional issue.
Legislator headnote
AI generatedArt. 281.º, n.º 1; Art. 282.º, n.º 1 of the Constitution: The Constitutional Court's declaration of unconstitutionality possesses general binding force, obligating all judicial and administrative authorities to apply it and precluding re-examination of the same constitutional question.
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ACÓRDÃO N
ACÓRDÃO N.º 74/91
Processo n.º 190/89
2ª Secção
Relator: Conselheiro Sousa e Brito
Acordam na 2ª Secção do Tribunal Constitucional:
I
O Magistrado do Ministério Público em exercício no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal deduziu acusação contra A., imputando-lhe a autoria de um crime de fraude às garantias fiscais, previsto e punível nos termos das disposições conjugadas do artigo 12.º, n.º 1 e 2, alínea a) e b), do Decreto-Lei n.º 424/86, de 27 de Dezembro.
Realizado o julgamento, o Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal proferiu, em 18 de Maio de 1989, sentença em que absolveu o arguido, com os fundamentos seguintes:
“ - são organicamente inconstitucionais as normas do artigo 12.º, n.º 1 e 2, alíneas a) e b), do Decreto-Lei n.º 424/86, invocadas na acusação;
- padecem do mesmo vício as normas correspondentes constantes do artigo 13.º, n.ºs 1 e 2, alínea a), do Decreto-Lei n.º 187/83, de 13 de Maio;
- recusada, com fundamento em inconstitucionalidade, a aplicação dessas normas, são repristinadas as normas correspondentes do Contencioso Aduaneiro (Decreto-Lei n.º 31664, de 22 de Novembro de 1941), no caso a do seu artigo 46.º;
- porém, a conduta prevista nesse artigo 46.º tem natureza contravencional, e, assim sendo, o procedimento criminal encontra-se extinto por prescrição, já que decorreu mais de um ano entre a prática da infracção e a data da acusação;
- mesmo que assim não fosse, o procedimento criminal encontrava-se extinto por amnistia (artigo 1.º, alínea t) e z), da Lei n.º 16/86, de 11 de Junho); daí a improcedência da acusação e a absolvição do arguido.”
3. É desta decisão que vem o presente recurso, interposto pelo Magistrado do Ministério Público, por imposição do disposto nos artigos 280.º, n.º 1, alínea a), e n.º 2, da Constituição e 70.º, n.º 1, alínea a), e 72.º, n.º 3, da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro. Tal recurso tem por objecto a questão da inconstitucionalidade das normas constantes dos artigos 12.º, n.ºs 1 e 2, alíneas a) e b), do Decreto-Lei n.º 424/86 e 13.º, n.º 1 e 2, alínea a), do Decreto-Lei n.º 187/83, todas "desaplicadas" pelo tribunal recorrido, com fundamento na respectiva inconstitucionalidade.
4. Neste Tribunal, o Procurador-Geral Adjunto apresentou alegações, que concluiu do seguinte modo:
"a) - Deve aplicar-se ao presente caso a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, das normas do artigo 12.º, n.ºs 1 e 2, alínea a) e b), do Decreto-Lei n.º 424/86, de 27 de Dezembro, e do artigo 13.º, n.º 1 e 2, alínea a), do Decreto-Lei n.º 187/83, de 13 de Maio, constante do acórdão n.º 414/89;
b) - E, em consequência, deve confirmar-se a decisão recorrida na parte impugnada."
II
4. O Acórdão n.º 414/89 do Tribunal Constitucional, publicado no D. R., I Série, de 3 de Julho de 1989, declarou, com força obrigatória geral, a inconstitucionalidade das normas que o tribunal recorrido se recusou a aplicar, na sua decisão.
Ora, a força obrigatória geral conferida pela Constituição (artigos 281.º, n.º 1, e 282.º, n.º 1) ao citado Acórdão deste Tribunal implica a vinculação de todos os órgãos constitucionais, de todos os tribunais e de todas as autoridades administrativas à decisão nele contida, a par da sua força de lei (cfr. Gomes Canotilho e Vital Moreira, Constituição da República Portuguesa Anotada, 2.º vol., 2a ed., 1985, p.p.
Por conseguinte, o Tribunal Constitucional não pode agora reapreciar a questão, restando-lhe, apenas, aplicar a declaração de inconstitucionalidade ao caso em apreço.
III
5. Pelos motivos expostos, decide-se aplicar ao presente caso a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, das normas constantes dos artigos 12.º, n.ºs 1 e 2, alíneas a) e b), do Decreto-Lei n.º 424/86, de 27 de Dezembro, e 13.º, n.ºs 1 e 2, alínea a), do Decreto-Lei n.º 187/83, de 13 de Maio, ínsita no Acórdão n.º 414/89, e, consequentemente, confirma-se a decisão recorrida, na parte impugnada.
Lisboa, 10 de Abril de 1991.
José de Sousa e Brito
Luís Nunes de Almeida
Bravo Serra
Fernando Alves Correia
Mário de Brito
Messias Bento
José Manuel Cardoso da Costa.