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305/90 AI generated

Portuguese Constitutional Court upheld Article 16(3) of Criminal Procedure Code, rejecting its unconstitutionality despite defense guarantees concerns.

Case Number 305/90
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Tribunal Constitucional granted the Public Prosecutor's appeal against a judge who declared Article 16(3) of the Criminal Procedure Code unconstitutional. The court affirmed that this provision, allowing singular tribunals to try cases where the prosecutor requests a sentence under three years, does not violate constitutional principles. Consequently, the court ruled that the norm remains valid and the judge's declaration of unconstitutionality was revoked.

Legislator headnote

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Article 16(3) of the Criminal Procedure Code; The provision permitting singular tribunals to try cases where the prosecutor requests a sentence under three years does not violate constitutional principles of equality, legality, or defense guarantees.

Keywords

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Criminal Procedure Code Constitutional Unconstitutionality Singular Tribunal Defense Guarantees Public Prosecutor Discretion Sentencing Threshold Judicial Competence

Cited Legislation

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Article 16(3) of the Criminal Procedure Code
Article 16(4) of the Criminal Procedure Code
Article 205 of the Portuguese Constitution
Article 206 of the Portuguese Constitution
Article 32(1) of the Portuguese Constitution

Cited Case Law

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Acórdão nº 393/89
Desde o Acórdão nº 393/89 (D.R., II Série, nº 212 de 14 de Setembro de 1989), uma jurisprudência uniforme – se bem que não unânime – do Tribunal Constitucional tem entendido que a norma contida no nº 3 do artigo 16° do Código de Processo Penal não é inconstitucional.
Acórdão nº 31/91
Por último, o Acórdão nº 31/91, que se junta, sustentou que tal norma legal não viola os princípios da igualdade, da legalidade, da reserva do juiz, da independência do juiz, do juiz natural, da acusação e das garantias de defesa.
Acórdão nº 435/89
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Full text

ACÓRDÃO N° 32/91

ACÓRDÃO N° 32/91

Processo n.º 305/90

2ª Secção

Relator: Conselheiro Sousa e Brito

Acordam na 2a Secção do Tribunal Constitucional:

1. O Magistrado do Ministério Público no Tribunal Judicial da Comarca de Castelo de Paiva acusou o arguido A. de autoria material de um crime de furto qualificado, previsto e punível nos termos do disposto nos artigos 296° e 297°, nºs 1 e 2, alínea c), do Código Penal.

2. A penalidade cominada para o crime é de 1 a 10 anos de prisão, o que, em princípio, determinaria a competência do tribunal colectivo para o julgamento, por força do que estabelece a alínea b) do nº 2 do artigo 14° do Código de Processo Penal.

No entanto, o Magistrado do Ministério Público requereu a intervenção do tribunal singular, prevalecendo-se do regime previsto no nº 3 do artigo 16° do Código de Processo Penal. Entendeu, no caso, que ao crime não deveria ser aplicada pena concreta de prisão superior a 3 anos.

3. Todavia, o Juiz declarou-se incompetente, por julgar inconstitucional o nº 3 do artigo 16° do Código de Processo Penal.

É desta decisão que vem o presente recurso, interposto pelo Magistrado do Ministério Público.

4. Desde o Acórdão nº 393/89 (D.R., II Série, nº 212 de 14 de Setembro de 1989), uma jurisprudência uniforme – se bem que não unânime – do Tribunal Constitucional tem entendido que a norma contida no nº 3 do artigo 16° do Código de Processo Penal não é inconstitucional.

Por último, o Acórdão nº 31/91, que se junta, sustentou que tal norma legal não viola os princípios da igualdade, da legalidade, da reserva do juiz, da independência do juiz, do juiz natural, da acusação e das garantias de defesa. Continua a entender-se assim, pelas razões explicitadas neste acórdão.

5. Por conseguinte, concede-se provimento ao recurso e revoga-se o despacho recorrido, que deve ser reformulado em conformidade com o juízo aqui proferido sobre a questão da inconstitucionalidade.

Lisboa, 7 de Fevereiro de 1991.

José de Sousa e Brito

Messias Bento

Bravo Serra

Fernando Alves Correia

Luís Nunes de Almeida (vencido pelas razões constantes da declaração de voto que juntei ao Acórdão n.º 393/89)

Mário de Brito (vencido, nos termos da declaração de voto junta)

José Manuel Cardoso da Costa.

DECLARAÇÃO DE VOTO

Dispõe o nº. 3 do artigo 16°. do Código de Processo Penal aprovado pelo Decreto-Lei nc. 78/87, de 17 de Fevereiro, na redacção que lhe foi dada pelo Decreto-Lei nº. 387-E/87, de 29 de Dezembro:

"Compete ainda ao tribunal singular julgar os processos por crimes previstos no artigo 14°., nº. 2, mesmo em caso de concurso de infracções, quando o Ministério Publico, na acusação, ou em requerimento, quando for superveniente o conhecimento do concurso, entender que não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a três anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo".

E o nº. 4 do mesmo artigo acrescenta:

"No caso previsto no número anterior, o tribunal não pode aplicar pena de prisão ou medida de internamento superior a três anos".

Em declarações de voto que fiz, v.g., nos acórdãos nºs. 393/89, de 18 de Maio, e 435/89, de 15 de Junho (no Diário da República, II Série, de 14 e 21 de Setembro de 1989, respectivamente), sustentei que aquele nº. 3 é inconstitucional, por violação dos artigos 205°. e 206°. da Constituição da República Portuguesa, na medida em que permite ao Ministério Público decidir que "não deve ser aplicada, em concreto, pena de prisão superior a três anos ou medida de internamento por mais do que esse tempo" e consequentemente determinar que o julgamento do arguido seja feito pelo tribunal singular, em vez de o ser pelo tribunal colectivo ou pelo tribunal do júri.

Propendo hoje a considerar que tal norma ofende também as "garantias de defesa" que, em geral, o nº. 1 do artigo 32°. da Constituição impõe que o processo criminal deve assegurar. É certo que não ser aplicada ao arguido, em concreto, "pena de prisão superior a três anos ou medida de segurança de internamento por mais do que esse tempo" lhe é, em princípio, mais favorável. Simplesmente, mais importante do que o quantum da sanção é o se da condenação e concebe-se perfeitamente que, julgado por um tribunal que oferece mais garantias de defesa, como é o tribunal colectivo ou o tribunal do júri, e sujeito, portanto, abstractamente, a uma pena de prisão superior a três anos ou a uma medida de segurança de internamento superior a três anos, o arguido venha afinal a ser absolvido, quando, julgado pelo tribunal singular, poderia vir a ser condenado, embora em sanção não superior a três anos.

Mário de Brito