Legislator Case Law & Legislation
TC_19890431 AI generated

Constitutional court dismisses appeal for failing to raise clause 98.a inco-ntitutionality during first instance proceedings.

Case Number TC_19890431
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court refused to examine the constitutionality of a collective bargaining clause reducing wages for injured workers. The plaintiff argued the clause violated human dignity and equality principles, but had only claimed the clause was inapplicable or null during lower court proceedings. The court ruled that the specific constitutional challenge was not raised before the first instance judgment, thus failing the statutory requirement for admissibility.

Legislator headnote

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Art. 70(1)(b) of Law No. 28/82; The Constitutional Court may not examine the constitutionality of a legal provision if the party did not raise the issue during the first instance proceedings.

Keywords

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admissibility requirement constitutional challenge timing first instance proceedings collective bargaining clause wage reduction injury legal provision review procedural exhaustion

Cited Legislation

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Art. 70(1)(b) of Law No. 28/82
Art. 1 CRP
Art. 13 CRP
Art. 18 CRP
Art. 60 CRP
Art. 280(2) Civil Code
Art. 280(1) Civil Code
Art. 6 LCC

Cited Case Law

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Acórdão n.º 123/89
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8621/20.9T8SNT.L1-4
Labor court confirms that collective agreements cannot limit normal work hours, only reduce pay if no disproportionate loss occurs.
1512/12.9TTLSB.L1-4
Portuguese court rejects appeal, ruling that Constitutional Court's limitation of effects binds all public authorities. The court held that the Constitutional Court's decision limiting the retroactive effect of the unconstitutionality declaration of Article 21 of Law 64-B/2011 is binding on all public authorities and private entities, not just the Constitutional Court itself. The court reasoned that the Constitutional Court's ruling has general binding force and cannot be selectively applied by lower courts to favor one party over another. The court emphasized that the limitation of effects was based on public interest and equity, as required by Article 282 of the Constitution, and thus applies to all subsequent legal applications. The court concluded that the lower court correctly applied the law and the appeal was dismissed. The court held that the Constitutional Court's decision limiting the retroactive effect of the unconstitutionality declaration of Article 21 of Law 64-B/2011 is binding on all public authorities and private entities, not just the Constitutional Court itself. The court reasoned that the Constitutional Court's ruling has general binding force and cannot be selectively applied by lower courts to favor one party over another. The court emphasized that the limitation of effects was based on public interest and equity, as required by Article 282 of the Constitution, and thus applies to all subsequent legal applications. The court concluded that the lower court correctly applied the law and the appeal was dismissed.
07S4107
Portuguese Supreme Court dismisses review appeal regarding labor contract termination and bad faith litigation. The court rejects the appeal because the lower court already ruled on bad faith, making a review inadmissible under procedural law.
112/14.3T8LSB.L1-4
Labor court allows claim for night work pay where collective agreement clause did not expire before new code. The court ruled that facts determining the expiration must occur after the new code's entry into force.
1116/05-3
Employer cannot unilaterally change collective agreement pay, but may offer more favorable individual compensation if properly itemized.

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Full text

ACÓRDÃO Nº 431/89[1]

Processo: n.° 570/88

2ª Secção

Relator: Conselheiro Messias Bento.

Acordam na 2.a Secção do Tribunal Constitucional:

I — Relatório

1 — A. propôs no Tribunal do Trabalho de Oliveira de Azeméis acção contra a empresa B., Ldª, pedindo que esta fosse condenada, entre o mais, a não lhe descontar na retribuição do seu trabalho a desvalorização física resultante de um acidente de trabalho que sofrera em Dezembro de 1984.

Tendo a acção sido julgada improcedente nessa parte, recorreu ela para o Tribunal da Relação do Porto, que julgou o recurso improcedente.

Interpôs então recurso do acórdão da Relação para o Tribunal Cons­titucional, formulando, nas alegações que apresentou, as conclusões se­guintes:

1.a A norma jurídica que é a cláusula 98.° do CCT para a indús­tria metalúrgica, e sequente PE, na medida em que permite que um trabalhador acidentado, ao serviço e no interesse da entidade patronal, passe a auferir da parte desta um salário muito inferior ao mínimo fixado para a categoria profissional que exerce a tempo inteiro, viola os artigos 1.° e 13.° da CRP, pois ofende a dignidade humana e social do trabalhador e discrimina-o em relação aos trabalhadores das outras activida­des produtivas e relativamente aos trabalhadores não aciden­tados que auferem apenas em função do tempo de trabalho;

2.a Tal norma é ainda inconstitucional porque, ao abranger unica­mente os trabalhadores da indústria metalúrgica, prejudica-os e discrimina-os relativamente aos restantes trabalhadores que (felizmente) norma identicamente limitativa (sic);

3.a Ao discriminar a recorrente relativamente aos restantes traba­lhadores acidentados (e aos deficientes congénitos e não aciden­tados), a recorrida violou o princípio constitucional da igual­dade previsto no artigo 13.° da CRP;

4.a Ao pagar um salário de 13 472$/mês por um horário com­pleto de trabalho de 45 horas (o mais longo da Europa) a um trabalhador adulto, com dois filhos estudantes e com uma actividade profissional de mais de 20 anos ao serviço da empresa recorrida, a recorrida viola o princípio constitucional da dignidade humana e social e o direito a existência condigna;

5.a Ao aplicar inconstitucionalmente a norma da cláusula 98.a do CGT referido, violou-se os artigos 1.°, 13.°, 18.° e 60.° da CRP.

2 — Corridos os vistos, cumpre decidir — e decidir, antes de mais, se deve (ou não) conhecer-se deste recurso. É o que vai ver-se.

II — Fundamentos

3 — A recorrente, no requerimento de interposição de recurso para o Tribunal Constitucional, limitou-se a invocar genericamente os arti­gos 70.° e seguintes da Lei n.° 28/82, de 15 de Novembro. Do teor das alegações que apresentou resulta, no entanto, que tal recurso foi inter­posto com referência à alínea b) do n.° l do citado artigo 70.° Ou seja: o recurso funda-se no facto de, no entender da recorrente, o acórdão recorrido haver aplicado norma cuja inconstitucionalidade ela suscitara durante o processo — norma que seria a da cláusula 98.a do Contrato Colectivo de Trabalho para a Indústria Metalúrgica, assumida pela por­taria de extensão, publicada no Boletim de Trabalho e Emprego, de 8 de Setembro de 1981.

4 — Pois bem: pressupostos do recurso previsto na alínea b) do n.° l do artigo 70.° da Lei n.° 28/82 são, além de outros, os dois seguintes:

a) Que a recorrente tenha suscitado a inconstitucionalidade de determinada norma jurídica durante o processo;

b) Que a decisão recorrida tenha aplicado tal norma no julga­mento do caso.

Terá isto acontecido no presente processo?

5 — Diga-se, antes de mais, que uma cláusula de uma convenção colectiva de trabalho, ao menos quando assumida por uma portaria de extensão, está sujeita a controlo de constitucionalidade pelo Tribunal Constitucional [cf., neste sentido, os Acórdãos n.os 276/88 e 392/89, publicado no Diário da República, 2.a série, de 21 de Fevereiro de 1989, o primeiro, e ainda inédito o segundo).

Dito isto, pode acrescentar-se que parece não restarem dúvidas de que o acórdão recorrido aplicou na decisão do caso a cláusula 98.° do Contrato Colectivo de Trabalho para a Indústria Metalúrgica.

Na verdade, aí escreveu a dado passo o seguinte:

Também a sustentada prevalência na aplicação das normas [...] e a nulidade de negócio jurídico de objecto legalmente impossível [...] não se mostram postergados por na sentença se haver entendido ter-se baseado o procedimento da R. na cláusula 98,a do CCT, já que, conforme se deixou dito, nenhuma lei existe que proíba a atribui­ção a um trabalhador, com rendimento laborativo diminuído por virtude de incapacidade permanente derivada de acidente de traba­lho, de uma remuneração inferior à que receberia se não ocorresse essa redução e nem a aludida cláusula visa proteger os trabalhadores face aos mínimos da base n e artigo 62. ° da legislação sobre acidentes de trabalho, uma vez que estes preceitos apenas se referem à admis­são de trabalhadores sinistrados e à prioridade a atender nessa ad­missão, nada dispondo relativamente à respectiva retribuição e even­tuais reduções salariais (itálicos acrescentados).

6 — Mas, terá a recorrente suscitado a inconstitucionalidade da refe­rida cláusula 98.° durante o processo, ou seja, antes de proferido o acórdão da Relação, por forma a que esta pudesse considerar e decidir tal questão [Cf., neste sentido, por último, o Acórdão n.° 123/89 (Diá­rio da República, 2.a série, de 29 de Abril de 1989)]?

Decididamente se responde que não.

Na verdade, quanto a essa cláusula, o que a recorrente disse nas suas alegações para a Relação foi o seguinte: «A tal cláusula 98.° do CCT citado não é aplicável às relações de trabalho entre as partes deste pleito.»

E, para a hipótese de se entender que essa cláusula era aplicável ao caso, acrescentou o seguinte:

A ser interpretada como foi, tal cláusula negociada seria nula porque contrária a princípios gerais imperativos de natureza e ordem pública (artigo 280.°, n.° 2, do Código Civil), bem como por ser contrária à lei (artigo 280.°, n.° l, do Código Civil, por violação do citado artigo 6.° da LCC), conforme já foi demons­trado (cf. n.° III das alegações).

7 — A inconstitucionalidade que nessas alegações a recorrente susci­tou foi a da própria sentença que então impugnou perante a Relação.

Na verdade, o n.° IV de tais alegações está assim epigrafado: «Viola­ção do princípio da igualdade — a sentença violou a CRP.»

E, nas conclusões, acentuou:

«A douta sentença violou princípios fundamentais da nossa ordem jurídica e de interesse e ordem pública: [...] artigos 13.°, 18.° e 60.° da Constituição [...]»

8 — Tem, assim, que concluir-se que a inconstitucionalidade da ci­tada cláusula 98.a não a suscitou a recorrente durante o processo, sim e tão-só nas alegações apresentadas neste Tribunal.

Quanto a tal cláusula, cuja inconstitucionalidade a recorrente pre­tende seja ditada por este Tribunal, não se acha, pois, preenchido um dos pressupostos de que, segundo o artigo 70.°, n.° l, alínea b), da Lei n.° 28/82, depende o recurso de constitucionalidade — o ter sido a questão de inconstitucionalidade suscitada durante o processo.

O recurso também não pode ter por objecto a inconstitucionalidade da sentença proferida na l.a instância, considerada em si mesma, pois, como este Tribunal tem decidido uniformemente, só as normas jurídicas, os actos do poder normativo, estão sujeitas a controlo de constitucionalidade pelo Tribunal Constitucional, e não também as decisões judiciais, elas próprias (cf., neste sentido, por último, o citado Acórdão n.° 123/89).

III — Decisão

Isto posto, decide-se não tomar conhecimento do recurso.

Lisboa, 15 de Junho de 1989.

Messias Bento

José Manuel Car­doso da Costa

Mário de Brito

José Magalhães Godinho

Luís Nunes de Almeida

Armando Manuel Marques Guedes.

[1] Acórdão publicado no Diário da República, 2.a série, de 21 de Setembro de 1989.