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301/88 AI generated

Constitutional Court dismisses appeal as labor court gains jurisdiction via new law, rendering original unconstitutionality claim moot.

Case Number 301/88
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court dismissed the appeal against a labor judge's declaration of incompetence regarding a fine execution. The judge had previously ruled the relevant legal provisions organically unconstitutional, but the Public Prosecutor argued the case became moot due to a new law transferring jurisdiction to the labor court. The court agreed, noting that the legislative change substituted the contested decision, thereby extinguishing the appeal's object.

Legislator headnote

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Art. 66.º Lei n.º 38/87; Art. 108.º n.º 2 Lei n.º 38/87; Art. 18.º n.º 2 Lei n.º 38/87: A constitutional appeal is extinguished when subsequent legislation alters the competent authority, rendering the original question of unconstitutionality moot.

Keywords

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constitutional appeal extinction subsequent legislative change mootness of constitutional question jurisdictional transfer labor court competence

Cited Legislation

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Art. 66.º Lei n.º 38/87
Art. 108.º n.º 2 Lei n.º 38/87
Art. 18.º n.º 2 Lei n.º 38/87
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Full text

ACÓRDÃO N° 379/89

ACÓRDÃO N.º 379/89

Processo n.º 301/88

2ª Secção

Relator: Conselheiro Luís Nunes de Almeida

Acordam na 2a Secção do Tribunal Constitucional:

A Inspecção Regional do Trabalho requereu, no Tribunal do Trabalho do Funchal, uma execução contra A., para pagamento de uma quantia proveniente da aplicação de uma coima por contra-ordenação em matéria laboral, que àquele fora aplicada.

O Mmo. Juiz, porém, julgou-se incompetente em razão da matéria, por ter entendido que a norma constante o artigo 57.º do Decreto-Lei n.º 491/85, de 26 de Novembro, na medida em que, conjugada com a norma do n.º 1 do artigo 89.º do Decreto-Lei n.º 433/82, de 27 de Outubro, atribui competência para a execução das referidas coimas aos tribunais competentes em matéria laboral com jurisdição na área onde foi cometida a infracção, era organicamente inconstitucional.

Desta decisão, recorreu o Ministério Público para o Tribunal Constitucional.

Nas suas alegações, o Exmo. Procurador-Geral Adjunto sustentou que o recurso se tornara supervenientemente inútil, porquanto, face ao artigo 66.º da Lei n.º 38/87, de 23 de Dezembro, que entrou em vigor na data da entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 214/88, de 17 de Junho (cfr. artigo 108.º n.º 2, da citada Lei n.º 38/87), o Tribunal do Trabalho do Funchal passou a ser o competente para a presente execução, sendo certo que "são relevantes para os processos pendentes as modificações da lei reguladora da competência de que resulte a atribuição a um órgão de competência de que inicialmente carecesse para o conhecimento da causa (n.º 2 do artigo 18.º da Lei n.º 38/87)".

Ordenou, então, o relator que os autos baixassem ao tribunal a quo para que, face à alteração legislativa verificada, o Mmo. Juiz mantivesse ou alterasse o despacho recorrido.

No Tribunal do Trabalho do Funchal, e tendo em conta a entrada em vigor da Lei n.º 38/87, lavrou o Mmo. Juiz despacho a julgar aquele tribunal o competente para a execução.

Após este último despacho, pode mesmo afirmar-se que deixou o presente recurso de ter objecto, já que o despacho recorrido foi substituído por outro de sentido inteiramente diverso, onde se já não suscita a questão de inconstitucionalidade que fundou a sua interposição.

Nestes termos, julga-se extinto o recurso.

Lisboa, 3 de Maio de 1989

Luís Nunes de Almeida

Messias Bento

José Magalhães Godinho

Mário de Brito

José Manuel Cardoso da Costa

Armando Manuel Marques Guedes