Portuguese Constitutional Court dismisses appeal against fine for operating unlicensed gambling machine due to prior unconstitutionality ruling.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court dismissed the Public Prosecutor's appeal against a fine imposed for operating an unlicensed gambling machine. The defendant had argued that the fine could be pursued without prior payment because the relevant legal provision was declared unconstitutional by the Court in previous rulings. The Court applied these prior decisions, noting that the defendant failed to prove economic insufficiency, which was the only exception to the payment requirement.
Legislator headnote
AI generatedArt. 280.º, n.ºs 1, alínea a), e 2, da Constituição; Art. 70.º, n.º 1, alínea a), e 72.º, n.º 3, da Lei n.º 28/82: When a legal provision requiring prior payment of a fine is declared unconstitutional, the appeal proceeds without payment unless the appellant proves economic insufficiency.
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ACÓRDÃO N
ACÓRDÃO N.º 316/89
Processo n.º 606/88
2ª Secção
Relator: Conselheiro Mário de Brito
1. Por despacho de 20 de Julho de 1988, proferido por delegação do Governador Civil do Distrito do Porto, foi aplicada a A. a coima de 150 000$00, por ele, no dia 16 de Novembro de 1987, ter em funcionamento no estabelecimento de café pertencente à sociedade B., Lda., sito na Praça …, …, daquela cidade, uma máquina de diversão, registada sob o n.º 6189/85, sem a necessária licença de exploração – ou seja, a contra-ordenação prevista no artigo 9.º, n.º 1, do Decreto-Lei n.º 21/85, de 17 de Janeiro, e punível pelo artigo 15.º, n.º 1, alínea b), do mesmo diploma.
O arguido impugnou judicialmente essa decisão, logo suscitando a inconstitucionalidade orgânica do n.º 5 do artigo 15.º do referido Decreto-Lei, pelo que requereu que o recurso prosseguisse seus termos independentemente do prévio depósito da coima. E o juiz do 1.º Juízo de Polícia da comarca do Porto, por despacho de 9 de Novembro de 1988, recebeu o recurso independentemente de tal depósito, por considerar inconstitucional – por violação do artigo 168.º, n.º 1, alínea d), da Constituição da República Portuguesa – o segmento daquela norma ainda subsistente depois da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, constante do acórdão do Tribunal Constitucional n.º 30/88.
Recorreu então para este Tribunal o Ministério Público, ao abrigo dos artigos 280.º, n.ºs 1, alínea a), e 2, da Constituição e 70.º, n.º l, alínea a), e 72.º, n.º 3, da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro.
Neste Tribunal o magistrado do Ministério Público, na sua alegação, chamou a atenção para a declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, constante do Acórdão n.º 120/89.
Cumpre decidir.
2. O Decreto-Lei n.º 21/85, de 17 de Janeiro, estabelece o regime de licenciamento da exploração e registo de máquinas automáticas, mecânicas e eléctricas ou electrónicas de diversão, bem como o regime da respectiva exploração e pratica de jogos fora dos casinos.
De acordo com o estabelecido no n.º 1 do seu artigo 15.º, as infracções a esse diploma constituem contra-ordenação e são punidas com coimas, nos termos constantes das suas diferentes alíneas. E, segundo o n.º 5 do mesmo artigo, "os recursos judiciais contra a aplicação de uma coima, nos casos previstos no n.º 1, só terão seguimento após o prévio depósito do quantitativo da coima".
Pelo Acórdão deste Tribunal n.º 30/88, de 26 de Janeiro (no Diário da República, I Série, de 10 de Fevereiro), foi, porém, declarada a inconstitucionalidade da norma desse n.º 5, "na parte em que obsta ao seguimento do recurso judicial quando o recorrente, por insuficiência de meios económicos, não procede ao prévio depósito do quantitativo da coima".
E o Acórdão n.º 120/89, de 18 de Janeiro (no Diário da República, I Série, de 4 de Fevereiro) declarou a inconstitucionalidade da mesma norma, na parte não abrangida pela declaração de inconstitucionalidade constante do Acórdão n.º 30/88.
No caso, não ficou provada, nem sequer foi alegada, a insuficiência de meios económicos do recorrente.
Estamos, assim, no domínio da declaração de inconstitucionalidade feita pelo Acórdão n.º 120/89.
3. Pelo exposto, em aplicação da declaração de inconstitucionalidade constante do citado Acórdão n.º 120/89, nega-se provimento ao recurso.
Lisboa, 9 de Março de 1989
Mário de Brito
José Magalhães Godinho
Luís Nunes de Almeida
Messias Bento
José Manuel Cardoso da Costa
Armando Manuel Marques Guedes