Legislator Case Law & Legislation
77/88 AI generated

Portuguese Constitutional Court confirms prior abstract unconstitutionality ruling due to binding effect on itself.

Case Number 77/88
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Allowed / Granted

Legislator summary

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The Constitutional Court confirmed a lower court's declaration of unconstitutionality because the norm had already been declared invalid in abstracto. The Ministry of Public Prosecution argued the norm violated specific constitutional articles, but no counter-arguments were presented. The Court ruled that its own prior decisions declaring a norm unconstitutional bind it permanently, preventing re-evaluation of the same issue.

Legislator headnote

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Art. 282.º n.º 1 da CRP; Art. 66.º da LTC: Decisions declaring norms unconstitutional have general binding force, obligating the Court to apply such declarations in subsequent concrete reviews without re-examining the norm's constitutionality.

Keywords

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abstract unconstitutionality binding force of decisions Constitutional Court self-binding ex tunc effect Portuguese Constitutional Law

Cited Legislation

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Art. 282.º n.º 1 da CRP
Art. 66.º da LTC

Cited Case Law

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Acórdão n.º 158/88
Pelos motivos expostos, e fazendo aplicação da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma do artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 187/83 (Acórdão n.º 158/88, posteriormente rectificado pelo Acórdão n.º 177/88), decide-se confirmar inteiramente o despacho recorrido.
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81/88
Constitutional Court confirms lower court's declaration of unconstitutionality due to its own prior binding decision.
83/88
Portuguese Constitutional Court dismisses challenge to criminal law norm already declared unconstitutional with general binding force.
84/88
Por despacho de 19/02/88, o Juiz de Instrução Criminal da Comarca de Aveiro considerou organicamente inconstitucional a norma do artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 187/83, de 13/05, recusou a sua aplicação, e em consequência determinou a remessa do processo à Delegação da Procuradoria da Republica da Comarca de Águeda para investigação, sob a forma de inquérito preliminar, do crime de contrabando por que fora levantado auto de notícia.
TC_19880241
Portuguese Constitutional Court declares customs decree article unconstitutional due to late government initiative after legislative authorization expired.
249/88
Constitutional Court dismisses abstract unconstitutionality appeal due to prior binding general declaration of unconstitutionality. The Court is bound by its own previous decision declaring the norm unconstitutional with general binding force. Consequently, the Court confirms the lower court's dismissal of the norm's application. The Court cannot re-evaluate the constitutionality of a norm already declared unconstitutional with general binding force. The Court is bound by its own prior decision declaring the norm unconstitutional with general binding force. Therefore, the Court confirms the lower court's dismissal of the norm's application.

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Full text

ACÓRDÃO N° 288/88

ACÓRDÃO N.º 288/88

Processo n.º 77/88

1ª Secção

Relator: Conselheiro Martins da Fonseca

Acordam no Tribunal Constitucional

1. Por despacho de 22.02.88, o Juiz de Instrução Criminal da comarca de Aveiro considerou organicamente inconstitucional a norma do artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 187/83, de 13 de Maio, recusou a sua aplicação, e em consequência determinou a remessa do processo a Delegação da Procuradoria da República da comarca de Aveiro para investigação, sob a forma de inquérito preliminar, do crime de contrabando por que fora levantado auto de notícia.

Deste despacho, e na parte relativa à questão de inconstitucionalidade, recorreu o Ministério Público que, em alegações apresentadas pelo Exmo. Procurador-Geral da Republica Adjunto, ofereceu as seguintes conclusões:

- Deve julgar-se organicamente inconstitucional, por violação do artigo 168.º, n.º 1, alínea c) e q), da Constituição da República Portuguesa, a norma do artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 187/83;

- E, em consequência, deve ainda confirmar-se o despacho recorrido na parte impugnada.

Não foram produzidas contra-alegações.

2. Colhidos os vistos legais, cumpriria agora, e em principio, averiguar se a norma do artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 187/83 era ou não conforme a Constituição da República Portuguesa.

3. Sucede, porém, que medio tempore o Tribunal Constitucional, através do Acórdão n.º 158/88, ulteriormente rectificado pelo Acórdão n.º 177/88 – publicados no Diário da República, I Série, n.º 174, de 29 de Julho de 1988 – declarou a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, daquela norma do artigo 35.º, o que importou – artigo 282.º, n.º 1, da Constituição da República Portuguesa – que esta fosse por completo "varrida" do ordenamento jurídico, ou seja, com efeito ex tunc.

Sobre o sentido e alcance das decisões deste género, escreve Gomes Canotilho, Direito Constitucional, 4.ª ed., págs. 813 e 815, o seguinte:

" As decisões do TC que declarem, de forma abstracta, a inconstitucionalidade ou a ilegalidade, têm força obrigatória geral (cfr. artigo 282/1 da CRP e artigo 66.º da LTC). Costuma sintetizar-se o sentido desta fórmula recorrendo as ideias de vinculação (Bindungswirkung, na terminologia germânica) e de força de lei (Gestzeskraft); (i) vinculação geral, porque as sentenças do TC declarativas da inconstitucionalidade ou de ilegalidade vinculam todos os órgãos constitucionais, todos os tribunais e todas as autoridades administrativas; (ii) força de lei, porque as sentenças são obrigatórias (como as leis) para todas as pessoas físicas e colectivas (e não apenas para os poderes públicos) juridicamente afectadas, nos seus direitos e obrigações, pela norma declarada inconstitucional". [...] "Vinculação geral e força de lei significa também a vinculação do TC às suas próprias decisões. Em termos práticos, isso implica, sobretudo, vinculação do próprio TC à decisão de declaração [de inconstitucionalidade] de normas devendo decidir todos os recursos nele pendentes de acordo com essa declaração".

Desta sorte, e uma vez declarada a inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, de certa norma, já não é lícito ao Tribunal Constitucional voltar a reapreciar a questão da conformidade ou desconformidade de tal norma com a Constituição da República Portuguesa. Ele próprio se acha vinculado, e ad aeternum, por tal declaração, e nos casos que lhe forem surgindo, no domínio da fiscalização concreta de constitucionalidade, e em que tal questão se reacenda, mais não tem a fazer que proceder à aplicação pura e simples dessa mesma declaração.

E, sendo esta a situação no presente recurso, terá o Tribunal Constitucional de agir em conformidade.

4. Pelos motivos expostos, e fazendo aplicação da declaração de inconstitucionalidade, com força obrigatória geral, da norma do artigo 35.º do Decreto-Lei n.º 187/83 (Acórdão n.º 158/88, posteriormente rectificado pelo Acórdão n.º 177/88), decide-se confirmar inteiramente o despacho recorrido.

Lisboa, 14 de Dezembro de 1988.

Martins da Fonseca

Raul Mateus

Vital Moreira

Antero Alves Monteiro Diniz

Armando Manuel Marques Guedes