Portuguese Constitutional Court dismisses mandatory public prosecution appeal after Supreme Court reverses prior unconstitutionality ruling.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court dismissed a mandatory appeal by the Public Prosecution Service regarding a traffic conviction based on a now-repealed speed limit provision. Although the law had previously been declared unconstitutional, the Court noted that subsequent rulings by both its sections reversed this stance, establishing a uniform constitutional interpretation. Consequently, the legal basis for the mandatory appeal vanished, rendering the procedural requirement obsolete and allowing the prosecution to withdraw the case.
Legislator headnote
AI generatedArt. 70.º, n.º 1, alínea f), Art. 72.º, n.º 3, Lei n.º 28/82; When the Constitutional Court's jurisprudence on a norm is reversed by its own sections, the mandatory requirement for the Public Prosecution Service to appeal such decisions ceases to exist.
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Acórdão 248/87
ACÓRDÃO N.º 248/87
Processo: n.º 121/87.
2ª Secção
Relator: Conselheiro Nunes de Almeida.
1 — A, foi condenado no 1.º Juízo de Polícia da Comarca do Porto por conduzir um veículo automóvel em velocidade superior à permitida, tendo a velocidade sido controlada por radar.
O Ministério Público recorreu para o Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto nos artigos 70.º, n.º 1, alínea f), e 72.º, n.º 3, da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro, por a sentença recorrida haver aplicado norma já anteriormente julgada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional — a norma do n.º 5 do artigo 64.º do Código da Estrada.
Todavia, o Ex.mo Procurador-Geral Adjunto em funções junto deste Tribunal veio desistir do recurso, invocando que se «devia considerar insubsistente» a obrigatoriedade de interposição do mesmo, face à alteração de jurisprudência verificada no Tribunal Constitucional. E, simultaneamente, juntou aos autos a circular n.º 2/87, de 20 de Maio, da Procuradoria-Geral da República, em que se dispensa a obrigatoriedade de interposição de recurso das decisões judiciais que hajam aplicado a citada norma do artigo 64.º, n.º 5, do Código da Estrada.
Cumpre decidir.
2 — De acordo com o preceituado no n.º 5 do artigo 280.º da Constituição e na alínea f) do n.º 1 do artigo 70.º da Lei n.º 28/82, cabe recurso para o Tribunal Constitucional das decisões dos tribunais que apliquem norma já anteriormente julgada inconstitucional pelo próprio Tribunal Constitucional. E, conforme se estabelece nos mesmos preceitos, tal recurso é obrigatório para o Ministério Público.
Verifica-se, assim, que os normativos em causa não só concedem, nos casos aí previstos, a faculdade de recorrer, como determinam para o Ministério Público a obrigatoriedade de o fazer.
Ora, se a faculdade de recorrer se compreende em defesa dos interesses do recorrente, a obrigatoriedade de recorrer só se justifica para, em defesa da Constituição, se assegurar o acatamento, pelo restantes tribunais, da jurisprudência do Tribunal Constitucional, quando ele julgue determinadas normas incompatíveis com a Lei Fundamental.
3 — No caso vertente, verifica-se que a norma aplicada pelo tribunal a quo foi julgada inconstitucional nos Acórdãos n.os 201/85 e 85/86, ambos da 1.ª Secção deste Tribunal (cf. Diário da República, 2.a série, de 7 de Fevereiro e de 14 de Junho de 1986, respectivamente).
Todavia, solução oposta veio a ser seguida pela 2.a secção, por unanimidade, nos Acórdãos n.os 87/87 e 118/87 (cf. Diário da República, 2.a série, de 16 de Abril e de 2 de Junho de 1987, respectivamente).
E, posteriormente, a própria 1.ª Secção veio a alterar a sua jurisprudência anterior, considerando que a norma em causa não se encontrava ferida de inconstitucionalidade (Acórdãos nos 127/87, 155/87 e 203/87, ainda inéditos).
Ora, face a esta orientação uniforme de ambas as secções do Tribunal Constitucional, falecem as razões que fundam a obrigatoriedade do recurso para este Tribunal; na verdade, tal recurso não terá como efeito impedir a aplicação de uma norma que o Tribunal Constitucional considera inconstitucional.
Assim sendo, nada parece obstar a que se entenda que já se não verificam os pressupostos da obrigatoriedade do recurso. Consequentemente, nada obsta, igualmente, a que seja legalmente possível a desistência.
4 — Nestes termos, julga-se extinto o recurso.
Lisboa, 26 de Junho de 1987. — Luís Nunes de Almeida — Mário Afonso — José Manuel Cardoso da Costa — Mário de Brito — José Magalhães Godinho — Messias Bento — Armando Manuel Marques Guedes.