Legislator Case Law & Legislation
141/87 AI generated

Constitutional Court dismisses mandatory appeal due to prior invalidation of the underlying traffic code provision.

Case Number 141/87
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Constitutional Court declared the mandatory appeal filed by the Public Prosecutor extinguished because the Public Prosecutor withdrew it. The original traffic conviction relied on a radar speed enforcement provision that had previously been declared unconstitutional in two prior rulings but was later upheld by the Court in subsequent decisions. Consequently, the mandatory nature of the appeal was deemed no longer applicable, allowing the withdrawal to stand.

Legislator headnote

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Art. 280.º, n.º 5 da Constituição; Art. 70.º, n.º 1, alínea f), e 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82: A desistência de recurso obrigatório é válida quando a norma invocada para a obrigatoriedade foi posteriormente julgada inconstitucional e revalidada, extinguindo a natureza obrigatória do recurso.

Keywords

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mandatory appeal withdrawal constitutional invalidation traffic code provision radar speed enforcement public prosecutor recusal constitutional court jurisdiction procedural extinction

Cited Legislation

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Art. 280.º, n.º 5 da Constituição
Art. 70.º, n.º 1, alínea f), e 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82
artigos 280.º, n.º 5 da Constituição

Cited Case Law

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Acórdão n.º 201/85
Acórdão n.º 85/86
Acórdão n.º 87/87
Acórdão n.º 118/87
Acórdão n.º 155/87
Acórdão n.º 92/87

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Full text

ACÓRDÃO N

ACÓRDÃO N.º 232/87

Processo n.º 141/87

2.ª Secção

Relator: Conselheiro Mário de Brito

1. A. foi julgado no 2.º Juízo de Polícia da comarca do Porto em 28 de Abril último, em virtude de, no dia 26 de Janeiro do ano corrente, pelas 16 horas e 56 minutos, na Estrada Interior da Circunvalação, da cidade do Porto, conduzir o veículo n.º ..-..-.., ligeiro de passageiros, à velocidade de 104 km/hora, quando a velocidade máxima permitida no local era de 60 km/hora – ou seja, a contravenção prevista no n.º 8 do artigo 7.º, do Código da Estrada e punível pelo n.º 10 do mesmo artigo, tendo sido condenado apenas na medida de inibição de conduzir por 10 dias, nos termos do artigo 61.º, n.º 2, alínea b), n.º 2, do referido Código, pois já tinha pago voluntariamente a multa de 1 500$00 na Polícia de Segurança Pública.

A condenação baseou-se no auto de transgressão, segundo o qual “a referida velocidade foi controlada pelo aparelho de radar desta PSP e consta no rolo fotográfico n.º 5”.

Da decisão interpôs o Ministério Público recurso obrigatório para o Tribunal Constitucional, nos termos dos artigos 280.º, n.º 5 da Constituição e 70.º, n.º 1, alínea f), e 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro, já que nela se fez aplicação (implícita) da norma do n.º 5 do artigo 64.º do Código da Estrada e esta foi declarada inconstitucional pelo acórdão deste Tribunal n.º 201/85 (proferido no processo n.º 30/84).

Notificado para alegar, o magistrado do Ministério Público junto deste Tribunal veio, porém, desistir do recurso.

Cumpre decidir.

2. A norma (implicitamente) aplicada na sentença recorrida, ou seja, a do n.º 5 do artigo 64.º do Código da Estrada, é do seguinte teor:

“A utilização de quaisquer aparelhos ou instrumentos na fiscalização do trânsito deve ser previamente aprovada pela Direcção-Geral de Viação.

Os elementos apurados através desses aparelhos ou instrumentos têm o valor probatório do auto de notícia nos termos do artigo 169.º, do Código de Processo Penal”.

Recorreu obrigatoriamente o Ministério Público por ela ter sido anteriormente julgada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional no acórdão n.º 201/85 (1.ª Secção), de 6 de Novembro (no Diário da República, II Série, de 7 de Fevereiro de 1986), o que aliás voltou a acontecer no acórdão n.º 85/86 (1.ª Secção), de 19 de Março (no Diário da República, II Série, de 14 de Junho de 1986).

Este Tribunal passou, porém, a julgar não inconstitucional a norma em questão, tanto na 2.ª como na 1.ª Secção; assim, nos acórdãos n.ºs 87/87 (2.ª Secção), de 25 de Fevereiro (no Diário da República, II Série, de 16 de Abril), 118/87 (2.ª Secção), de 25 de Março (no processo n.º 192/86, 127/87 (1.ª Secção), de 8 de Abril (no processo n.º 285/86), e 155/87 (1.ª Secção), de 6 de Maio (no processo n.º 291/86).

E daí poder sustentar-se – como mais desenvolvidamente se defende no acórdão desta data, proferido no processo n.º 92/87 – que o recurso, em hipóteses como a dos autos, deixou de ser obrigatório.

Sendo assim, nenhum obstáculo se levanta à validade da desistência.

3. Pelo exposto, julga-se extinto o recurso pela desistência.

Lisboa, 26 de Junho de 1987

Mário de Brito

José Magalhães Godinho

Messias Bento

Luís Nunes de Almeida

Mário Afonso

José Manuel Cardoso da Costa

Armando Manuel Marques Guedes