Portuguese Constitutional Court dismisses mandatory prosecution appeal after Constitutional Court withdraws prior unconstitutionality ruling.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court dismissed the Public Prosecutor's appeal against a traffic court sentence. Although the prosecutor was legally required to appeal when a lower court applied a norm previously declared unconstitutional, the Constitutional Court had already withdrawn that unconstitutionality ruling in a subsequent decision. Consequently, the court held that the mandatory condition for the appeal no longer existed, allowing the prosecutor to withdraw the appeal without legal impediment.
Legislator headnote
AI generatedArt. 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82; When the Constitutional Court withdraws a prior unconstitutionality ruling, the mandatory requirement for the Public Prosecutor to appeal a lower court's application of that norm ceases to exist, permitting the withdrawal of the appeal.
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ACÓRDÃO Nº 372/87
ACÓRDÃO N.º 227/87
Processo n.º 107/87
2ª Secção
Relator: Conselheiro Messias Bento
Acordam, em conferência, no Tribunal Constitucional:
I. Relatório:
1. A. respondeu no 1.º Juízo do Tribunal de Policia da Comarca do Porto, acusado de, no dia 12 de Fevereiro de 1987 – conforme controlo feito por radar, conduzir um veículo automóvel à velocidade de 94 Km horários, onde, por se tratar de uma localidade, não podia exceder 60 Km/hora – facto que constitui contravenção, prevista e punível pelo artigo 7.º, n.ºs 3 e 10, do Código da Estrada. Ali, foi o réu condenado na multa de 3.000$00 ou, em alternativa, dez dias de prisão, e bem assim na medida de inibição de conduzir por dez dias.
2. O Magistrado do Ministério Público interpôs recurso da respectiva sentença para o Tribunal Constitucional, em virtude de, nela, se ter aplicado norma que este já antes julgara inconstitucional – justamente, a norma do artigo 64.º, n.º 5 do Código da Estrada.
3. O Exmo. Procurador-Geral Adjunto em exercício neste Tribunal veio, porém, desistir do recurso interposto, dado que os magistrados e agentes do Ministério Público, por circular da Procuradoria-Geral da República n.º 2/87, de 20 de Maio de 1987, foram dispensados da obrigatoriedade de interposição de recurso das sentenças que apliquem a norma do artigo 64.º, n.º 5, do Código da Estrada, uma vez que este Tribunal, entretanto, abandonou a orientação do citado acórdão n.º 201/85.
4. Cumpre decidir.
II. Fundamentos:
O presente recurso foi interposto por imperativo legal, como se diz no respectivo requerimento de interposição.
Resulta do preceituado no artigo 72.º, n.º 3 da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro, que, para o Ministério Público, é obrigatório recorrer, sempre que a decisão de um tribunal aplique norma já antes julgada inconstitucional pelo próprio Tribunal Constitucional [cfr. artigo 70.º, n.º 1, alínea f), da mesma Lei].
Simplesmente, no caso sub iudicio, bem pode entender-se que este pressuposto da obrigatoriedade do recurso não se verifica. Na verdade, o Tribunal Constitucional, a partir do acórdão n.º 87/87, publicado no Diário da República, II série, de 16 de Abril de 1987, uniformemente e em ambas as secções deixou de julgar inconstitucional a norma do artigo 64.º, n.º 5 do Código da Estrada. E, por esse motivo, deixou de verificar-se a razão de ser da obrigatoriedade do recurso, que é a de impedir o desrespeito pelos restantes tribunais da jurisprudência do Tribunal Constitucional naqueles casos em que, nos recursos para ele interpostos, este julgue determinadas normas de direito ordinário desconformes com a Constituição.
Não sendo o recurso obrigatório para o Ministério Público, não há razão para que dele se não possa desistir.
III. Decisão:
Isto posto, decide-se julgar válida a desistência e extinto o recurso.
Lisboa, 26 de Junho de 1987
Messias Bento
Luís Nunes de Almeida
Mário Afonso
José Manuel Cardoso da Costa
Mário de Brito
José Magalhães Godinho
Armando Manuel Marques Guedes