Legislator Case Law & Legislation
59/86 AI generated

Constitutional appeal suspended pending criminal court decision on amnestia application to the charged offense.

Case Number 59/86
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

AI generated

The Constitutional Court suspended the constitutional challenge regarding Article 390 of the Criminal Procedure Code until the competent criminal court ruled on the application of the amnestia law. The defendant argued that the law restricted appeals to intentional crimes, but the court noted that the underlying crime might be covered by the newly enacted amnestia. Since the amnestia would extinguish the criminal proceedings, the constitutional question would become moot, necessitating a stay of proceedings.

Legislator headnote

AI generated

Art. 279.º n.º 1 and Art. 284.º n.º 1 al. c) of the Civil Procedure Code; the Constitutional Court must suspend proceedings when the resolution of the constitutional question depends on a prior decision regarding the application of an amnestia law that may extinguish the criminal proceedings.

Keywords

AI generated
constitutional appeal amnestia application procedural suspension mootness doctrine criminal proceedings extinction

Cited Legislation

AI generated
Art. 279.º n.º 1 of the Civil Procedure Code
Art. 284.º n.º 1 al. c) of the Civil Procedure Code
Art. 69.º of Law n.º 28/82
art.º 390.º do Código de Processo Penal
AI generated

Need to analyze how this precedent applies to your matter?

Cross-reference this judgment against statutes, commentaries, and subsequent citing case law inside Legislator AI.

Open in Legislator →

Full text

ACÓRDÃO Nº 43/87

ACÓRDÃO N.º 43/87

Processo n.º 59/86

1ª Secção

Relator: Conselheiro Vital Moreira

Acordam em conferência na 1ª Secção do Tribunal Constitucional:

A., arguido em processo correccional no Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra, veio recorrer para o Tribunal Constitucional da decisão do Presidente do Tribunal da Relação de Coimbra que lhe indeferiu a reclamação contra o despacho de inadmissão do recurso que interpusera contra o despacho do Juiz do tribunal da Comarca que marcou dia para o julgamento, tendo para o efeito suscitado a inconstitucionalidade do n.º 2 do art.º 390.º do Código de Processo Penal, na parte em que esta norma dispõe que do despacho que marca dia para julgamento “só há recurso para o Tribunal da Relação quando se tratar de crime doloso e o Ministério Público não tiver deduzido acusação”.

Admitido o recurso para o Tribunal Constitucional, feitas as alegações e corridos os vistos, foi entretanto publicada a Lei n.º 16/86, de 11 de Junho, que amnistiou diversas infracções e perdoou várias penas. Ora, afigura-se que o crime imputado ao arguido pode estar abrangido pela referida amnistia, o que, verificar-se, determinará a inutilidade do presente recurso.

Com efeito, a verificar-se a extinção do procedimento criminal por efeito da amnistia, deixaria de ter qualquer interesse decidir a questão de constitucionalidade suscitada nos autos. Por isso, deve o Tribunal sobrestar na decisão até que o tribunal competente decida da eventual aplicação da lei da amnistia.

Nestes termos, ao abrigo do disposto nos art.ºs 279.º, n.º 1 e 284.º, n.º 1 al. c) do Código de Processo Civil (aplicáveis ao processo constitucional por força do art.º 69.º da Lei n.º 28/82, de 15 de Novembro), decide-se suspender a instância até que o tribunal competente julgue definitivamente sobre a aplicação da Lei n.º 16/86 à infracção criminal em causa; para o efeito vão os autos remetidos, a título devolutivo, ao 3.º Juízo – 2ª Secção do Tribunal Judicial da Comarca de Coimbra.

Lisboa, 4 de Fevereiro de 1987

Vital Moreira

Raul Mateus

Antero Alves Monteiro Diniz

Martins da Fonseca

Armando Manuel Marques Guedes