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233/85. AI generated

Portuguese Constitutional Court dismisses election challenge as candidate's low list rank exempts him from local contract disqualification.

Case Number 233/85.
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)
Outcome Dismissed

Legislator summary

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The Tribunal Constitucional dismissed a constitutional challenge regarding the election of António Monteiro Galvão, who ran in fourth place on the Socialist Party's list. The Ministry of Public Prosecution argued that the candidate was ineligible due to contracts with the local municipality, while the opposing party did not counter-argue. The court ruled that the disqualification statute only applies to candidates who would actually assume office, which a fourth-place candidate would not achieve.

Legislator headnote

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Decreto-Lei nº 701-B/76, artigo 4º, nº 1, alínea f); The disqualification of candidates with contracts with the local authority applies only to those who would actually assume office, excluding candidates who do not win the election.

Keywords

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election disqualification local government contracts candidate eligibility constitutional review procedural utility Portuguese law Tribunal Constitucional

Cited Legislation

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Decreto-Lei nº 701-B/76, de 29 de Setembro, artigo 4º, nº 1, alínea f)
Decreto-Lei nº 100/84, de 29 de Março, artigo 247º, nº 2
Decreto-Lei nº 100/84, de 29 de Março, artigo 23º
Decreto-Lei nº 100/84, de 29 de Março, artigo 251º
Decreto-Lei nº 100/84, de 29 de Março, artigo 30º, nº 1
artigo 251º da Constituição
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Full text

Acórdão 253/85

ACÓRDÃO Nº 253/85

Processo nº 233/85.

Plenário.

Relator: Conselheiro Raul Mateus.

Acordam no Tribunal Constitucional:

1 - Por entender que a norma da alínea f) do nº 1 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 701-B/76, de 29 de Setembro, por violar o disposto no artigo 48º, nº 1, em conjugação com o artigo 18º, nº 2, da Cons­tituição, era inconstitucional, o juiz da comarca de Montemor-o-Velho in­deferiu a reclamação da Aliança Povo Unido contra a admissão da candi­datura de António Monteiro Galvão, proposto em quarto lugar pela lista de candidatos apresentados pelo Partido Socialista para a eleição da as­sembleia de freguesia de Carapinheira, concelho de Montemor-o-Velho, candidato com o qual a câmara municipal desse concelho havia celebrado alguns contratos de empreitada.

Deste despacho interpôs então o Agente do Ministério Público recurso de constitucionalidade, recurso que tem de seguir trâmites por razões sis­temáticas, entre as quais avulta a da celeridade que o legislador no Decreto-Lei nº 701-B/76 imprimiu a processos deste tipo, como recurso eleitoral.

Por na 1a instância se não haver dado oportunidade de alegar, notificaram-se para esse efeito, neste Tribunal, o Exmo. Procurador-Geral da República Adjunto [que em alegações defende a inconstitucionalidade das normas das alíneas c) e f) do nº 1 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 701-B/76] e o Partido Socialista (que não contra-alegou).

2 - Relativamente às alegações do Exmo. Magistrado do Ministério Público, nota-se que elas se referem à inconstitucionalidade de duas nor­mas, quando no requerimento de interposição de recurso havia sido posta em causa a decisão do juiz da comarca de Montemor-o-Velho na parte apenas em que desaplicara, por inconstitucionalidade, a norma da alínea f) do nº 1 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 701-B/76.

Ora, não sendo lícito nas alegações alargar-se o âmbito do recurso tal como ele havia sido pré-fixado no requerimento de interposição, haverá apenas que conhecer da questão da inelegibilidade do candidato Antó­nio Monteiro Galvão, questão que, de facto, se mostra entrelaçada com a da inconstitucionalidade desta última norma.

3 - Como já se adivinha face ao anteriormente exposto, e tendo em conta, por um lado, que se trata de recurso eleitoral e, por outro, que a competência do Tribunal Constitucional em tal domínio terá de corres­ponder à natureza desse recurso, cumpre agora apreciar e decidir se o can­didato António Monteiro Galvão é ou não inelegível. Isto significa, para além do mais, que a questão de inconstitucionalidade levantada, pelo me­nos em princípio, só terá de ser apreciada se ela se configurar como in­dispensável à resolução da questão proposta. A análise da situação vol­tada para o princípio da utilidade processual como seu referente necessário, desde logo impõe este posicionamento.

4 - Estatui o artigo 4º, nº 1, alínea f), do Decreto-Lei nº 701-B/76, que não podem ser eleitos para os órgãos do poder local os membros dos corpos sociais e os gerentes de sociedades, bem como os proprietários de empresas que tenham contrato com a autarquia não integralmente cum­prido ou de execução continuada.

Tal norma visa proteger a justiça da actuação e a imparcialidade dos órgãos do poder local no plano da gestão autárquica, e por essa sua fina­lidade só poderá referir-se, dentro da lógica que internamente a comanda, aos candidatos que, por virtude das eleições a que pretendem concorrer, possam vir a fazer parte dos órgãos da autarquia com o qual tenham con­trato pendente.

Assim, se o contrato tiver sido celebrado com um concelho, o candi­dato só é atingido pela inelegibilidade em causa se pretender eleitoral­mente concorrer à câmara municipal ou à assembleia municipal de tal município ou ainda, e como cabeça de lista, à assembleia de qualquer uma das freguesias do mesmo concelho, já que, neste último caso, e triun­fando na corrida às urnas, será automaticamente presidente da junta de freguesia (artigos 247º, nº 2, da Constituição e 23º do Decreto-Lei nº 100/84, de 29 de Março) e terá, em consequência, assento, por di­reito próprio, na assembleia municipal do respectivo concelho (artigo 251º da Constituição e 30º, nº 1, do Decreto-Lei nº 100/84).

5 - Ora, na hipótese dos autos, verifica-se que António Monteiro Gal­vão é candidato indicado em quarto lugar na lista apresentada pelo Par­tido Socialista às eleições para a assembleia da freguesia de Carapinheira. Por isso, e porque nunca iria participar, qualquer que fosse o resultado das eleições, e nem mesmo reflexamente, em qualquer órgão de poder local do concelho de Montemor-o-Velho, que com ele celebrou diversos contratos de empreitada, de concluir é pela não aplicação a tal candidato da inelegibilidade da alínea f) do nº 1 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 701-B-76.

Depois de isto dizer, já nem será necessário abordar a questão de in­constitucionalidade levantada pelo Ministério Público. Independentemente da sua abordagem e da solução que lhe vier a ser dada, sempre se terá de concluir, embora por outro motivo [por motivo de a situação escapar ao quadro de inelegibilidades previstas na alínea f) do nº 1 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 701-B/76], como concluiu o juiz a quo.

6 - Pelos motivos expostos, decide-se, embora com fundamentação diferente, negar provimento ao recurso.

Lisboa, 26 de Novembro de 1985. - Raul Mateus - Luís Nunes de Almeida - José Magalhães Godinho - José Martins da Fonseca - Vital Moreira - António Luís Correia da Costa Mesquita - Messias Bento - Antero Alves Monteiro Dinis - Mário Afonso - Mário de Brito - José Manuel Cardoso da Costa - Armando Manuel Marques Guedes.