Portuguese Constitutional Court dismisses election ineligibility claim for a judge running in a different municipality.
Legislator summary
AI generatedThe Constitutional Court rejected a complaint regarding the ineligibility of a judicial officer who ran for local office in a municipality outside his judicial district. The applicant argued that the law's intent to prevent influence did not apply since he served in a different comarca. The court ruled that the ineligibility stems from the judge's status and potential for undue influence regardless of the specific municipality involved.
Legislator headnote
AI generatedDecreto-Lei nº 701-B/76, de 29 de Setembro; The ineligibility of judicial officers for local organs is based on their status and the objective risk of influencing voters, applying equally whether the candidacy is in their own comarca or elsewhere.
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Acórdão 226/85
ACÓRDÃO Nº 226/85
Processo nº 202/85.
Plenário.
Relator: Conselheiro Cardoso da Costa.
Acordam, em sessão plenária, no Tribunal Constitucional:
I - Das listas de candidatos apresentados pela Aliança Povo Unido (APU) à Câmara Municipal e à Assembleia Municipal de Montalegre, constava o cidadão Manuel Martins Rodrigues, funcionário judicial do Tribunal da Comarca de Guimarães.
Com fundamento no disposto na alínea a) do nº 1 do artigo 4º do Decreto-Lei nº 701-B/76, de 29 de Setembro, que determina a inelegibilidade para os órgãos do poder local, inter alia, dos «funcionários de justiça», o Mmo. Juiz de Montalegre considerou inelegível tal candidato e rejeitou, consequentemente, a respectiva candidatura.
Desta decisão reclamou o mandatário das mencionadas listas, invocando a circunstância de o candidato em causa prestar serviço numa comarca que não é a da autarquia municipal a cujos órgãos concorre, pelo que não se verificaria, quanto a ele, a inelegibilidade apontada. E isto porque - argumenta - o espírito da citada norma da lei eleitoral autárquica é o de evitar que «os candidatos nas circunstâncias ali referidas» possam influenciar o eleitorado, dadas as funções que ocupam. Ora, tal influência não podia dar-se, no caso, atenta a referida circunstância.
A reclamação, porém, foi desatendida. Daí que o mesmo mandatário das listas da APU recorra agora para o Tribunal Constitucional dessa decisão de indeferimento da reclamação, reeditando as razões que já exibira perante o Mmo. Juiz a quo e sustentando ser incorrecta a interpretação «extremamente literal» por este feita do mencionado preceito da lei eleitoral autárquica.
Cumpre decidir:
II - 1 - No Acórdão nº 225/85 deste Tribunal, hoje proferido nos autos de recurso eleitoral vindos da comarca do Nordeste (processo nº 197/85) - cuja fotocópia de juntará aos presentes autos -, decidiu-se que o legislador se encontra constitucionalmente autorizado a estabelecer inelegibilidades para os órgãos das autarquias locais e, bem assim, a consagrar uma inelegibilidade desse tipo quanto aos funcionários judiciais.
2 - A única particularidade que o caso ora em apreço apresenta, relativamente ao apreciado nesse outro recurso, consiste em que, enquanto neste último o funcionário em questão se candidatava a órgãos autárquicos sediados na comarca onde exerce funções, na hipótese vertente se está perante um funcionário judicial que apresenta a sua candidatura a órgãos autárquicos que têm a sua sede fora da área da comarca onde presta serviço.
Esta particularidade não tem, porém, relevo suficiente para impor solução diversa daquela que nesse outro caso se adoptou.
De facto, a razão justificativa da inelegibilidade dos funcionários judiciais - exposta no Acórdão citado - possui virtualidade bastante, por que relativa ao próprio «estatuto» dos mesmos funcionários, para fundamentar a aplicação desse regime legal seja qual for a comarca onde eles exercem funções: trate-se da comarca onde tem sede o órgão autárquico a que se candidatem, ou de qualquer outra.
III - Nestes termos, nega-se provimento ao recurso.
Lisboa, 15 de Novembro de 1985. - José Manuel Cardoso da Costa - Antero Alves Monteiro Dinis - Messias Bento - Mário Afonso - Mário de Brito - Raul Mateus - António Luís Correia da Costa Mesquita (vencido, em parte, relativamente à fundamentação. Entendo que no regime das inelegibilidades a razão de fundo que prevalece é a do sentido objectivo do conceito da captação de benevolência do eleitor. De isso, é clara precipitação o nº 1 do artigo 126º da Constituição) - Luís Nunes de Almeida (vencido, nos termos e com os fundamentos da declaração de voto que juntei ao acórdão proferido no processo nº 197/85, desta mesma data) - José Magalhães Godinho (vencido pelas razões já expostas na declaração de voto junta ao processo nº 197/85, e ainda por entender que, mesmo que houvesse incapacidade, ela não seria nacional, mas apenas local, o que não é o caso neste processo) - José Martins da Fonseca (vencido por entender que o recurso merecia provimento, uma vez que a norma que justifica a inegibilidade é inconstitucional) - Vital Moreira (vencido, conforme a declaração junta ao acórdão proferido no processo nº 197/85, aliás junto, ele próprio, ao presente acórdão) - Armando Manuel Marques Guedes.