Legislator Case Law & Legislation
TC_19950333 AI generated

TC_19950333 · Tribunal Constitucional

Case Number TC_19950333
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)

Legislator summary

AI generated

1 - No 4ª Juízo Criminal da comarca de Lisboa, por acór­dão de 25 de Junho de 1993, A. foi jul­gado e condenado como autor material de um crime previsto e punido pelos artigos 307º e 306º, nºs 1 e 3, alíneas a) e b), do Código Penal, na pena de 4 anos e dez meses de prisão, havendo a sua com­parência pessoal sido dispensada por residir em lugar afastado do território português, em conformidade com o disposto no artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929.

Legislator headnote

AI generated

artigo 566º do Código de Processo Penal; TC_19950333 · Tribunal Constitucional: 2 - Do assim decidido, sob invocação do disposto nos artigos 280º, nº 5, da Constituição e 70º, nº 1, alínea g) e 72º, nº 3, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, na redacção da Lei nº 85/89, de 7 de Setembro, trouxe o Ministério Público recurso ao Tribunal Constitucional.

Keywords

AI generated
extension of detention deportation criminal expulsion illegal departure grounds prolonged absence abroad rights of the defence discontinuation of prosecution

Cited Legislation

AI generated
artigo 566º do Código de Processo Penal
AI generated
663/09.1JAPRT.G1
1- Para revogar a suspensão da execução de pena de prisão é obrigatória a audição do arguido.
691/05.6PIPRT.P1
I - O condenado tem de ser presencialmente ouvido em todos os casos em que possa estar em causa a revogação da suspensão da execução da pena.
TC_19940351
a). julgar inconstitucional, por violação das garantias de defesa, do contraditório e da imediação da prova - esta implicada no princípio do Estado de Direito democrático -, ínsitas nos artigos 32º, nºs 1 e 5, e 2º da Lei Fundamental, a norma do corpo do artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929, na parte em que permite que o arguido seja dispensado de comparecer em audiência de discussão e julgamento e que esta se realize como se ele estivesse presente, apesar de haver justificação para não comparecer e de ele não ter manifestado conveniência pessoal na sua não comparência;
TC_19930479
a). julgar inconstitucional, por violação das garantias de defesa, do contraditório e da imediação da prova - esta implicada no princípio do Estado de Direito democrático -, insítas nos artigos 32º, nºs 1 e 5, e 2º da Lei Fundamental, a norma do corpo do artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929, na parte em que permite que o arguido seja dispensado de comparecer em audiência de discussão e julgamento e que esta se realize como se ele estivesse presente, apesar de haver justificação para não comparecer e de ele não ter manifestado conveniência pessoal na sua não comparência;
146/05.9GCVIS.C1
I- Em audiência com arguido estrangeiro, que determine a assistência de intérprete, a lei não exige tradução simultânea dos depoimentos das testemunhas.

Need to analyze how this precedent applies to your matter?

Cross-reference this judgment against statutes, commentaries, and subsequent citing case law inside Legislator AI.

Open in Legislator →

Full text

Acórdão 333/95

ACÓRDÃO Nº 333/95

Proc. nº 445/94

1ª Secção

Rel. Cons. Monteiro Diniz

Acordam no Tribunal Constitucional:

I - A questão

1 - No 4ª Juízo Criminal da comarca de Lisboa, por acór­dão de 25 de Junho de 1993, A. foi jul­gado e condenado como autor material de um crime previsto e punido pelos artigos 307º e 306º, nºs 1 e 3, alíneas a) e b), do Código Penal, na pena de 4 anos e dez meses de prisão, havendo a sua com­parência pessoal sido dispensada por residir em lugar afastado do território português, em conformidade com o disposto no artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929.

Desta decisão levou o Ministério Público recurso ao Tri­bunal da Relação de Lisboa, alegando, além do mais, que o proémio do referenciado artigo 566º é inconstitucional por violação das garantias de defesa, do contraditório e da imediação da prova - este último, por decorrência do princípio do Estado de direito democrático -, já que o arguido não teria chegado a tomar conheci­mento de ter sido designada a audiência nem manifestado conveniên­cia pessoal na sua não comparência.

Por acórdão de 6 de Julho de 1994, o Tribunal da Relação concedeu provimento ao recurso e revogou o despacho que designou julgamento dispensando a comparência do arguido em audiência, sen­do julgado como se estivesse presente.

Para tanto, desaplicou a norma do corpo do artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929, com fundamento na sua incons­titucionalidade, por violação das "garantias de defesa, do contra­ditório e da imediação da prova que se encontram consignadas nos artigos 32º, nºs 1 e 5 e 2º da Constituição da República".

*///*

2 - Do assim decidido, sob invocação do disposto nos artigos 280º, nº 5, da Constituição e 70º, nº 1, alínea g) e 72º, nº 3, da Lei nº 28/82, de 15 de Novembro, na redacção da Lei nº 85/89, de 7 de Setembro, trouxe o Ministério Público recurso ao Tribunal Constitucional.

Nas alegações depois apresentadas pelo senhor Procurador-Geral Adjunto concluiu-se assim:

1º - A norma do corpo do artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929, na parte em que permite que o arguido seja dispensado de comparecer em audiência de discussão e julga­mento e que esta se realize como se estivesse presente, sem que tal represente opção da vontade por ele expressamente as­sumida nos autos, é inconstitucional por violação das garan­tias de defesa e dos princípios do contraditório e da imedia­ção.

2º - Termos em que deverá confirmar-se o decidido no acór­dão recorrido.

Na contralegação produzida pelo defensor oficioso do arguido peticionou-se a confirmação do acórdão recorrido.

Passados os vistos de lei, cabe agora apreciar e deci­dir.

*///*

II - A fundamentação

A específica questão a que se reporta o presente recurso foi já objecto de apreciação em diversos acórdãos deste Tribunal que, relativamente a ela, estabeleceu uma jurisprudência uniforme e reiterada (cfr. os Acórdãos nº 212/93, Diário da República, II série, de 1 de Junho de 1993, 479/93, de 25 de Outubro de 1993 e 350/94 e 351/94, ambos de 27 de Abril de 1994, estes últimos ainda inéditos).

Em todos estes arestos se decidiu julgar inconstitucional, por violação das garantias de defesa, do contraditório e da ime­diação da prova - esta implicada no princípio do Estado de direito democrático -, ínsitas nos artigos 32º, nºs 1 e 5, e 2º da Consti­tuição, a norma do corpo do artigo 566º do Código de Processo Pe­nal de 1929, na parte em que permite que o arguido seja dispensado de comparecer em audiência de discussão e julgamento e que esta se realize como se ele estivesse presente, apesar de haver justifi­cação para não comparecer e de ele não ter manifestado conveniên­cia pessoal na sua não comparência.

Pelos fundamentos constantes de tais arestos, em parti­cular do acórdão nº 212/93, que aqui se dão por acolhidas, também se tem aquela norma como despojada de legitimidade constitucional.

*///*

III - A decisão

Nestes termos decide-se:

a) Julgar inconstitucional a norma do corpo do artigo 566º do Código de Processo Penal de 1929, na parte em que permite que o arguido seja dispensado de comparecer em audiência de discussão e julgamento e que esta se realize como se ele estivesse presente, apesar de haver justifi­cação para não comparecer e de ele não ter manifestado conveniên­cia pessoal na sua não comparência, por violação das garantias de defesa, do contraditório e da ime­diação da prova - esta implicada no princípio do Estado de direito democrático -, ínsitas nos artigos 32º, nºs 1 e 5, e 2º da Consti­tuição.

b) Negar, em consequência, provimento ao recurso e confirmar o acórdão recorrido no que toca ao julgamento da questão de consti­tucionalidade.

Lisboa, 22 de Junho de 1995

Antero Alves Monteiro Dinis

Maria Fernanda Palma

Alberto Tavares da Costa

Vítor Nunes de Almeida

Armindo Ribeiro Mendes

Luís Nunes de Almeida