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342/87 AI generated

342/87 · Tribunal Constitucional

Case Number 342/87
Court / Authority
Jurisdiction Portugal (PT)

Legislator summary

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No domínio da fiscalização concreta de constitucionalidade, cabe recurso para o Tribunal Constitucional [artigos 280.º, n.ºs 1, alíneas a) e b), e 5, da Constituição da República Portuguesa (CRP) e 70.º, n.º 1, alíneas a), e b), f) e g), da Lei n.º 28/82, de 15/11] das decisões dos tribunais:

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artigo 701.º do Código de Processo Civil; 342/87 · Tribunal Constitucional: Neste aresto faz-se, quando muito, pura e simplesmente aplicação das normas dos artigos 15.º, n.º 1, e 16.º, § único, da Lei Orgânica do Supremo Tribunal Administrativo, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 40 768, de 08/09/56 e do artigo 25.º, n.º 1, da Lei de Processo nos Tribunais Administrativos, inserta no Decreto-Lei n.º 267/85, de 16/07 (as normas destes artigos 15.º, n.º 1, e 25.º, n.º 1, só terão, aliás, sido aplicadas implicitamente). Ora, nenhuma daquelas três normas havia sido anteriormente julgada inconstitucional, ou pelo Conselho da Revolução, ou pela Comissão Constitucional, ou ainda pelo Tribunal Constitucional, o que desde logo impede que a situação preencha o caso C3.

Keywords

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objection of unconstitutionality inadequate constitutional complaint constitutional jurisdiction constitutional requirement constitutional complaint abroad standing to appeal

Cited Legislation

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artigo 701.º do Código de Processo Civil
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1314/2023
Nos presentes autos, vindos do Tribunal Central Administrativo Sul, A., S.A., requereu a interposição do presente recurso, ao abrigo das alíneas b) e f) do n.º 1 do artigo 70.º da Lei de Organização, Funcionamento e Processo do Tribunal Constitucional (LTC) — Lei n.º 28/82, de 15 de novembro, na redação em vigor.
132/2019
A impugnante A., S.A., interpôs recurso para o Tribunal Constitucional do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Administrativo (STA), em 20 de dezembro de 2018, ao abrigo da alínea b) do n.º 1 do artigo 70.º da Lei de Organização, Funcionamento e Processo do Tribunal Constitucional (Lei n.º 28/82, de 15 de novembro, doravante LTC).
511/14
Nos presentes autos, vindos do Tribunal da Relação de Coimbra, em que é recorrente A.
1105/2025
Nestes autos, A ., Lda. interpôs, ao abrigo da alínea b) do n.º 1 do artigo 70.º da Lei n.º 28/82, de 15 de novembro (Lei do Tribunal Constitucional – LTC), recurso para o Tribunal Constitucional da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Administrativo em 21/02/2025. O presente recurso de constitucionalidade constitui incidente no Processo n.º 2182/22.1BEBRG, em que a recorrente é impugnante.
702/2024
Nos presente autos, vindos do Supremo Tribunal de Justiça (“STJ”), em que foi interposto, pela recorrente A., Lda., recurso para este Tribunal Constitucional, ao abrigo do disposto na alínea b) do n.º 1 do artigo 70.º da Lei n.º 28/82, de 15 de novembro (Lei do Tribunal Constitucional, doravante “LTC”), foi proferido o Acórdão n.º 159/2026, em que, a final, se decidiu «a) Não tomar conhecimento do objeto do presente recurso».

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Full text

ACÓRDÃO N

ACÓRDÃO N.º 67/88

Processo n.º 342/87

1.ª Secção

Relator: Conselheiro Raul Mateus

Acordam no Tribunal Constitucional:

Pelos motivos constantes da exposição do relator de fl. 99 a fl. 101, decide-se não tomar conhecimento do recurso interposto por Mariano, Lopes & Filhos, Lda.

Lisboa, 23 de Março de 1988.

Raul Mateus

Vital Moreira

Antero Alves Monteiro Diniz

Martins da Fonseca

Armando Manuel Marques Guedes

1. No domínio da fiscalização concreta de constitucionalidade, cabe recurso para o Tribunal Constitucional [artigos 280.º, n.ºs 1, alíneas a) e b), e 5, da Constituição da República Portuguesa (CRP) e 70.º, n.º 1, alíneas a), e b), f) e g), da Lei n.º 28/82, de 15/11] das decisões dos tribunais:

- Que recusem a aplicação de qualquer norma com fundamento em inconstitucionalidade (caso C1);

- Que apliquem norma inconstitucionalidade haja sido suscitada durante o processo (caso C2);

- Que apliquem norma já anteriormente julgada inconstitucional pelo Conselho da Revolução (numa interpretação translacta do quadro legal), pela Comissão Constitucional ou pelo Tribunal Constitucional (caso C3).

Dito isto, a interrogação: o recurso interposto para o Tribunal Constitucional, por A., Limitada, com sede em Brinches, comarca de Serpa, do acórdão do pleno da Secção de Contencioso Administrativo do Supremo Tribunal Administrativo (STA) de 24/02/87, preenche na íntegra os pressupostos de qualquer um dos tipos de recursos de constitucionalidade a que se referem os casos C1, C2 e C3?

2. O aresto do pleno da Secção de Contencioso Administrativo do STA, objecto de recurso para o Tribunal Constitucional, não recusou a aplicação de qualquer norma jurídica, pelo que a situação não é, logo à partida, susceptível de corresponder ao caso C1.

Neste aresto faz-se, quando muito, pura e simplesmente aplicação das normas dos artigos 15.º, n.º 1, e 16.º, § único, da Lei Orgânica do Supremo Tribunal Administrativo, aprovada pelo Decreto-Lei n.º 40 768, de 08/09/56 e do artigo 25.º, n.º 1, da Lei de Processo nos Tribunais Administrativos, inserta no Decreto-Lei n.º 267/85, de 16/07 (as normas destes artigos 15.º, n.º 1, e 25.º, n.º 1, só terão, aliás, sido aplicadas implicitamente). Ora, nenhuma daquelas três normas havia sido anteriormente julgada inconstitucional, ou pelo Conselho da Revolução, ou pela Comissão Constitucional, ou ainda pelo Tribunal Constitucional, o que desde logo impede que a situação preencha o caso C3.

Resta agora analisar o derradeiro caso, o caso C2, caso sob cujos parâmetros a recorrente terá pretendido apresentar o seu recurso de constitucionalidade [cfr. requerimento de interposição de recurso, onde se apela directamente para o artigo 70.º, n.º 1, alínea b), da Lei n.º 28/82].

3. O recurso de constitucionalidade previsto neste último caso, o caso C2, depende fundamentalmente [artigo 280.º, n.ºs 1, alínea b), e 4, da CRP e 70.º, n.ºs 1, alínea b), e 2, da Lei n.º 28/82] da concorrência dos seguintes pressupostos:

- Que a inconstitucionalidade da norma haja previamente suscitada no processo pelo próprio recorrente (pressuposto P1);

- Que a norma venha depois a ser utilizada pelo tribunal (pressuposto P2);

- Que da decisão aplicativa da norma já não seja admissível recurso ordinário, por a lei o não prever ou por já se haverem esgotado os que no caso cabiam (pressuposto P3).

Se no recurso em análise concorrem, na realidade, os pressupostos P1, P2 e P3, é o que se irá ver de seguida.

Relativamente ao pressuposto P1 é de referir que a recorrente já em fases pregressas do processo levantara a questão da inconstitucionalidade da norma do n.º 6 da Portaria n.º 331-A/86, de 06/04: primeiro, no requerimento de interposição de recurso contencioso para a 1ª Secção do Contencioso Administrativo do STA do acto do Presidente da Direcção do Instituto do Azeite e Produtos Oleaginosos, traduzido na exigência de pagamento de determinada importância a título de diferenciais de preços; depois, nas alegações desse mesmo recurso; e, por fim, nas alegações do recurso que interpôs do acórdão da 1ª Secção do Contencioso Administrativo do STA de 11/11/82.

É, pois, indiscutível a verificação do pressuposto P1.

No entanto, no acórdão do pleno da Secção de Contencioso Administrativo do STA de que recorreu para o TC – como aliás já se deixou subentendido – não se fez aplicação da norma cuja inconstitucionalidade fora precedentemente arguida no processo pela recorrente (a norma do n.º 6 da Portaria n.º 331-A/86), o que se postula a inexistência do pressuposto P2, e inevitavelmente consequência a inverificação do pressuposto P3.

Logo, a situação que ora se vinha investigando também não preenche o caso C2.

4. Pelos motivos expostos, é o relator de parecer, na sequência do exame preliminar a que, nos termos do artigo 701.º do Código de Processo Civil, procedeu, que o recurso interposto – qualquer que seja a perspectiva por que se analise a situação – deve ser julgado inadmissível (neste sentido, e em situação perfeitamente idêntica, se pronunciaram os acórdãos n.ºs 389/87 e 391/87 do Tribunal Constitucional, ainda inéditos).

Notifique, assim, a recorrente, a autoridade que sucedeu na competência da autoridade recorrida e o Ministério Público para, querendo, e em cinco dias, se pronunciarem (artigo 704.º, n.º 1, do Código citado).

Lisboa, 17 de Dezembro de 1987.

Raul Mateus