Portuguese Supreme Court rules contract qualification depends on content, not just party terminology.
Legislator summary
AI generatedThe Supreme Court of Justice rejected the request to review the qualification of a contract-promissory sale, affirming that legal interpretation must prioritize the document's content over party terminology. The court held that merely taking possession and paying the price does not automatically transform a promissory contract into a definitive one without further legal transmission. Consequently, the court allowed the review based on established civil code criteria regarding the nature and object of the juridical act.
Legislator headnote
OfficialCONTRATO-PROMESSA COMPRA E VENDA INTERPRETAÇÃO DO NEGÓCIO JURÍDICO PODERES DO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA NEGÓCIO JURÍDICO QUALIFICAÇÃO
Keywords
AI generatedCited Legislation
AI generatedFull text
[Nº CONVENCIONAL] JSTJ00023239
[Nº DO DOCUMENTO] SJ197807250671231
[PRIVACIDADE] 1
[TEXTO INTEGRAL] N
[URL] https://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/C4F9407CD3166F63802568FC003AE609?OpenDocument
SUMÁRIO
I - Na qualificação jurídica dos negócios jurídicos não deve atender-se apenas ao nome ou à terminologia usada pelas partes contratantes, mas sobretudo ao seu conteúdo, ao seu objecto, à sua natureza, embora sem menosprezar totalmente esses termos usados pelas partes, mormente nos contratos formais, procurando-se averiguar da sua correspondência com o objecto ou natureza do negócio.
II - Nessa qualificação há que socorrer-se de critérios legais de interpretação dos negócios jurídicos, isentos nos artigos 236 a 238 do Código Civil.
III - A interpretação dos negócios jurídicos constitui matéria aberta à censura do Supremo Tribunal de Justiça.
IV - Dentro desses critérios - artigos 236, n. 1 e 238, n. 1
- tem primazia o conteúdo dos documentos, onde os contratos estão vertidos, socorrendo-se o intérprete também dos demais elementos de facto provados e com eles conexionados.
V - Não é por o promitente-comprador entrar imediatamente na posse da coisa usufruindo-a, e pagar logo todo o preço, que o contrato-promessa passa a contrato definitivo; isso apenas resulta de mero acordo das partes, mas sem que juridicamente se transmita a coisa objecto do contrato-promessa.